Olá gente boa,
Nesse chão do meu sertão:
Cantores, poetas, sanfoneiros,
E o vaqueiro de grande coração.
Já vi trovador, cantador e rabequeiro,
Homens fortes, de grande valor,
Mas quando ouço o aboio,
Até o gado entende seu clamor.
Desde menino, nas feiras livres,
Com minha mãe Susete a caminhar,
Era um sufoco acordar tão cedo,
Mas lá descobri o que é amar.
Nas feiras senti a essência viva:
Cheiros, cores, sabores e canções,
Com versos de Manoel de Almeida,
João Firmino, poetas dos sertões.
Vem Vem do Nordeste e Curió,
Violeiros de talento e inspiração,
Entoavam versos de improviso,
Tocando fundo o coração.
Cresci e tornei-me cantor,
Músico da alma e do coração.
Quis conhecer mais da cultura,
Incentivado por gente de chão:
Mariano Antônio e Walfran de Brito,
Abriram-me as portas da tradição,
Para folclores, poetas e artesãos,
Cordelistas e vaqueiros em ação.
Os aboios que ouvi pela estrada,
De Maurício Pajeú, entre outros,
Tocaram fundo na minha alma,
Voz firme, afinada em sons devotos.
O aboio, canto dos vaqueiros,
Comanda o gado e a alma também,
Versando a vida da Caatinga,
Do sertanejo, do herói que vem.
Zezinho e Galego Aboiador,
Cantam a vida, o gado a chamar,
Em vaquejadas pelo sertão,
Fazendo o povo vibrar.
Por aqui, em terras de Itabaiana,
Conheci Léo e Zito Costa, aboiadores,
Vindo de Alagoas, em décadas passadas,
Fizeram de Sergipe sua nova morada.
A dupla nasceu em Palmeira dos Índios,
Em Lajes do Caldeirão, chão de raiz.
No rádio “Sampaio” começaram,
Pajeú das Alagoas a os guiar, como aprendiz.
Em 1979 gravaram “O Verdadeiro Aboio”,
Pela famosa Rozenblit de Pernambuco,
Iniciando uma carreira de sucesso,
Em festas de vaqueiros, que marcaram o mundo.
Dividiram palcos com grandes nomes,
Sérgio Reis, Luiz Gonzaga e Sivuca,
Trilharam estradas de barro e poeira,
Com a força do aboio, alma pura.
Zito, à frente dos negócios,
Criou jingles que viraram canção,
E na vida artística inovou,
Com forró, vaquejada e inspiração.
Em Itabaiana, nas terras da serra,
Zito criou seu estilo singular.
O forrónejo, mistura do sertão,
Ele foi pioneiro a apresentar.
Hoje, com Rafael, faz o melhor do forró,
Aboios, toadas e repentes pelo ar,
Mantendo viva a tradição,
Do vaqueiro, que nasceu para cantar.
Zito Costa, além de artista,
Radialista, locutor de coração,
Comanda programas no rádio e TV,
Levando a cultura ao sertão.
Seu aboio é semente que floresce,
Mesmo na seca, não se deixa apagar,
E assim segue Zito aboiador,
Fazendo o povo sempre aplaudir e vibrar
