Olá gente boa,
De acordo com Mario Cabral no livro “Roteiro de Aracaju” o carnaval surgiu ainda no século XIX em princípios da década de 1890. Os clubes “O Mercuriano, O Cordovínico, O Baco e o Arranca, aos sons de clarins e Zabumbas. Entre as décadas de 1910 e 1930 o carnaval aracajuano passou por muitas transformações. O desfile de automóveis na Rua João Pessoa, o uso generalizado de fantasias, confete e lança-perfume são marcas desse período. Mario Cabral escreve: “o povo dançava nos famosos bailes do Cinema Rio Branco. A grã-finagem se divertia no Clube dos Diários e o Recreio Clube.
A minha história no carnaval começa bem cedo, quando meu pai Irineu e minha mãe Susete levava a me e as minhas irmãs nos anos 60 para os matines da Associação Atlética de Sergipe ou quando íamos a Barão de Maruim ou Rua de João Pessoa ver os blocos passarem como o rasgadinho, as escolas de samba Tubarão da Praia era uma festa só.
Nos anos 70 participei do bloco Recaída e dos bailes do Iate, da Atlética do Cotinguiba e da AABB além de algumas paradas no Vasco. Nos anos 80 e sim comecei a subir no palco para cantar e sentir a energia da alegria que vinha do público que lotava o Clube do Povo, nome dado a praça Fausto Cardoso em 1979 pelo então prefeito Heráclito Rolemberg, e tão ampliado e valorizado pelo prefeito Jackson Barreto.
Teve um ano que toquei com uma banda que tinha um guitarrista fantástico, Fred Tex, ele era um instrumentista e cantava muito bem, tinha começado uma carreira no Rio de Janeiro e por algum motivo aportou em nossa cidade com a esposa Rita de Cassia, uma carioca da gema, boa produtora e que ele chamava carinhosamente de “Docinho”, Cassia era cunhada do Pedrinho da Luz musico baiano e guitarrista do The Fevers que eu era fã.
Foram muitos carnavais dividindo palcos, trios com inúmeros músicos como, Carlinhos Menezes, Peta, Waltinho, Walter Nogueira, Jorge Duccy, Ednor, Nego, Benezão, Flor, Fradinho, Lito Nascimento, Adalvenon, Manguito, Pedrinho Mendonça, Carlinhos Baterista, Rogerio, Gilson Batata, Batista Jambê, Milton Goular, Duda, Fred, Marco Mancada, Marcos Tecladista entre tantos outros. Foram momentos de aprendizagem que só contribuíram para o meu crescimento artístico.
Uma época a prefeitura não realizou o carnaval no Clube do Povo, recebi inúmeros telefonemas de músicos, cantores e cantoras, pois eu era um cabra meio encrenqueiro e comprava essas lutas em favor da classe, pensei e fiz o projeto Carnaval dos Músicos Sergipanos. – Já que não vamos trabalhar, vamos nos divertir. Convidei todos à participar, alguns músicos e a cantora Cris Emmel toparam.
Conseguir o Trio Elétrico com a Emsetur – Empresa Sergipana de Turismo e o patrocínio de Raimundo Juliano com as bebidas e um apoio financeiro para distribuir com os músicos. Saímos os quatro dias de carnaval na orla da praia de Atalaia. Durante o carnaval fomos recebendo outras adesões de cantores e músicos e foi uma festa só, para nós e para a cidade e a prova que podemos realizar juntos.
Criei também o bloco da Sergipanidade inspirado em Luiz Antônio Barreto e na luta do grupo Quilombo. Com esse bloco sairmos no Précaju com mais de 2.500 alunos da rede pública e mais de 20 artistas e grupos culturais cantando a música sergipana, lá estavam: Neu Fontes, Banda Quilombo, Mingo Santana, Bando de Mulheres, Minho San Liver, Irmão, Tonho Baixinho, Nery, Sergival, Adelson Alves, grupos de cultura popular, grupo de pernas de pau, uma celebração a nossa música sergipana a nossa sergipanidade.
O carnaval faz parte da minha vida não só pela música mais também na minha vida pessoal, foi no carnaval que conheci minha esposa Cassia e no carnaval concebemos nossa três filhas, juntando o útil ao agradável. Por isso Viva o Carnaval.
