Olá, gente boa,
Quando qualquer sergipano alcança o topo do sucesso, todos nós subimos junto. Eu me orgulho profundamente de cada vitória nossa — seja na educação, no esporte, na saúde ou, sobretudo, nas artes e na cultura. Ver Mestrinho ganhar mais uma vez o Grammy Latino, agora ao lado de Jota Pê e João Gomes, me enche de uma emoção verdadeira, dessas que batem no peito como se fossem também nossas conquistas.
Mestrinho, que eu vi menino, crescendo e se transformando no maior músico brasileiro de sua geração — e um dos maiores e mais respeitados músicos do mundo — deu seus primeiros passos profissionais dentro do meu estúdio Capitania do Som, gravando aos 15 anos com a sanfona do pai, o querido Erivaldo de Carira. Já naquele tempo ele deixava claro qual seria o seu destino. Mestrinho é um gênio da música, um ser naturalmente musical, consciente de seu talento, do seu potencial, e como o bom vinho, fica melhor a cada dia.
Jota Pê, músico da noite paulista, dono de uma estética que atravessa ritmos e sotaques da nossa imensa MPB, é cantor e compositor nascido em Osasco, e ficou conhecido por sua participação no The Voice Brasil. Lançou o seu primeiro álbum, Crônicas de um Sonhador, mostrando ao Brasil sua sensibilidade artística e sua construção poética única.
E temos João Gomes, idealizador do projeto Dominguinhos, cantor e compositor pernambucano, que iniciou sua carreira como o “Rei do Piseiro”. Confesso que, no começo, eu não entendia uma palavra do que ele cantava, mas o Brasil entendeu — e muito bem. Em 2021, João explode cantando canções de vaquejada e trazendo uma mistura derivada do forró e da pisadinha, com batidas rápidas e fortes influências do funk e do brega funk. Uma sonoridade marcada pelo teclado eletrônico e por uma pulsação feita para dançar sozinho, como quem acompanha o próprio coração.
João fez sucesso, ganhou dinheiro e se tornou famoso. Mas sua força verdadeira não está apenas na fama: está no seu jeito de sertanejo raiz, carismático, simples, querido por todos. Dizem — e eu concordo — que ele é uma alma boa, gentil, humilde nas relações. E está provando ser também um artista inteligente, estratégico, visionário. Melhorou sua dicção, refinou seu estilo, incorporou à sua música aquilo que realmente gosta e sente. Porque ninguém engana o público por muito tempo: ou se canta a verdade, ou a voz cala.
Hoje, João Gomes mostra ao mundo sua capacidade rara de virar a chave da carreira, reinventar a si mesmo e dar passos calculados — como fazem os grandes astros, de Dominguinhos a Madonna. João é um artista que pensa, sente e reage ao seu tempo. Misturar tudo isso com a genialidade de Mestrinho e a poesia contemporânea de Jota Pê só poderia resultar em grandeza.
Musicalidade, harmonia, melodia e ousadia — o trio não está apenas vencendo o Grammy. Está derrubando de vez preconceitos e barreiras na música brasileira, levando ao mundo a força criativa da nossa arte e mostrando que a música do Brasil continua sendo, de longe, a mais rica e poderosa do planeta.
