Minha sergipanidade está a flor da pele e por isso tenho um enorme orgulho dos meus conterrâneos e estou sempre onde posso, elogiando os talentosos, produtivos e qualificados artistas e fazedores da nossa cultura. Lembro-me, por exemplo, de quando assisti pela primeira vez ao show de Amorosa no Restaurante Tropeiro, cercado por pessoas que vibravam com a força de sua voz. Esse momento ficou marcado em mim como um símbolo da potência cultural do nosso povo. Como Joésia, Ismar Barreto, Rogerio, Pantera, Gena Ribeiro, Nino, Alberto, Saulinho, Chico, entre tantos outros
No entanto, não posso esquecer daqueles que, chegando ao nosso estado, se tornam sergipanos de alma e coração. Como esquecer de João Melo, um baiano que chegou a Sergipe ainda criança e se transformou na “Voz Máxima de Sergipe”, uma verdadeira referência na música brasileira e mundial? E como ele, muitos outros artistas, músicos e cantores chegam de mansinho e se instalam de forma permanente em nossos corações e vidas.
Entre eles, lembro de figuras ilustres como: Doca Furtado, Marilda Silva, Fernando Cratéus, Lito Nascimento, Willi, Joaquim Antônio, Henrique Sousa, Carlos Eduardo Max, Flor, Edvaldo Nogueira, Hamilton Maciel, Wellison Gomes, e a querida e talentosa cantora Rebeca Vieira, entre tantos outros. Cada um, à sua maneira, deixa uma marca permanente na vida dos sergipanos.
Hoje, quero falar de um desses artistas que chegou silenciosamente a Aracaju, com uma carreira já consolidada em sua terra natal e muito chão de fábrica nas costas. Estou falando de Fred Andrade, pernambucano, compositor, guitarrista e violonista, graduado em música pela UFPE e mestre em Criação e Execução Musical pela Universidade Federal da Bahia. Com centenas de horas de estudos, palcos e estúdios por todo o Brasil, Fred acompanhou grandes nomes como Elba Ramalho, Quinteto Violado, Heraldo do Monte, Naná Vasconcelos, Lula Queiroga, Nelson Faria, Dominguinhos, Sérgio Campelo do Grupo SaGrama, Lenine, Ricardo Vieira, e o Duo Vieira, entre outros.
Fred Andrade teve os primeiros contatos com a música aos 8 anos e, aos 15, iniciou os estudos de guitarra com Edson Melo. Aos 17, tornou-se músico profissional. Ingressou na UFPE, onde cursou bacharelado em violão clássico e licenciatura, e mais tarde se especializou em História das Artes e Religiões pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), além de concluir o mestrado na UFBA.
Ele lançou seu primeiro álbum, Ilusões a Granel, em 2000, e ao longo dos anos produziu discos focados em diferentes gêneros, como Guitarra de Rua (2005), Farra de Anjo (2006), Pele da Alma (2009), e os mais recentes, Umbral (violão solo) e Sacrifício pela Fé (guitarra solo). Fred também se destacou no cenário musical com o CD Infinito, produto de sua pesquisa de mestrado, e o álbum Distantes, que conta com a participação de músicos de todo o Brasil.
Além de sua sólida carreira como músico, Fred teve a oportunidade de realizar turnês internacionais, com apresentações e máster classes em conservatórios renomados de Paris, Madrid, Lisboa, Buenos Aires, Montevidéu, Santiago do Chile, entre outros. Foi professor efetivo no Conservatório Pernambucano de Música por 22 anos e hoje leciona na Universidade Federal de Sergipe e no Conservatório de Música de Sergipe.
Conheci Fred através de Heitor Mendonça, grande músico e diretor do Conservatório de Música, que me pediu ajuda para agilizar uma solicitação junto ao governo de Pernambuco. A partir dali, estabelecemos um contato que resultou em uma amizade e admiração mútua. Lembro com carinho do primeiro encontro com ele, quando veio me agradecer pelo apoio. Fico sempre surpreso quando alguém me pede ajuda, mas faço tudo que posso quando acredito na causa.
Tempos depois, vi Fred pela primeira vez em ação, fazendo uma participação no show do Duo Vieira. Ricardo Vieira e Rebeca Vieira juntos formam uma junção de “Mil Sois”, e isso se completava com a técnica das notas que saíam da guitarra mágica de Fred. Como foi uma pequena participação, você sai de lá extasiado com a cumplicidade do Duo, uma apresentação cheia de amor divino e de outras vidas, e assim só lembrava do grande músico que fez sua participação.
Recentemente, fui com minha esposa, Cassia, ao show Serestas do mesmo Duo Vieira, e de novo lá estava Fred Andrade, participando primeiro em dupla com Ricardo Vieira, onde mostrou todo seu potencial como compositor, instrumentista e arranjador, cheio de novas técnicas com harmônicos e solos impressionantes. Com toda sua experiência em gravações de trilhas sonoras e jingles para empresas como BCP, Tim, Fiat, Caixa Econômica Federal, Parmalat, Unibanco, Renault e Chesf, além de sua participação em festivais como Canta Nordeste, Festival do Sesc, Festival de Inverno em Garanhuns, Cascavel Jazz Festival, Feira da Música de Fortaleza, Instrumental em Concerto e Festival da Música Instrumental em Teresina, ele coloca nas suas mãos, que são uma extensão da guitarra, um toque único e personalizado, com as riquezas dos Maracatus, Baião e Frevo. E como ele diz: “Frevo é muito mais Rock and Roll do que o próprio Rock and Roll.”
Ao tocar, ele encanta a todos. Seu sorriso e o olhar para a guitarra mostram sua cumplicidade, toda a alegria e amor que tem pela música, que transmite os mais profundos sentimentos através de sua fisionomia. Um verdadeiro amante das harmonias, melodias, soluções e ideias musicais.
Fred Andrade não é apenas um músico de talento inquestionável, mas um verdadeiro amante da música, que transmite toda a sua paixão e energia através de cada nota, cada acorde, cada harmônico que sai de sua guitarra. Sua arte não só encanta os ouvidos, mas também toca a alma de quem tem o privilégio de ouvir sua música.
