Olá, gente boa!

 

A vida, cheia de segredos e mistérios para muitos, tem uma finalidade concreta para mim: viver, ser feliz, fazer o bem e ser grato por tudo que acontece. Afinal, como dizia minha avó Marocas, a vida é uma dádiva de Deus.

 

Os sentimentos humanos são complexos, misturando-se entre o bem e o mal: saudade, amor, paixão, compaixão, ciúmes, medo, raiva, inveja e, nos extremos, o ódio e a terrível capacidade do ser humano de tirar a vida do próximo. Os animais matam para sobreviver; já o ser humano, muitas vezes, o faz por motivos inaceitáveis.

 

Na minha infância, aprendi com meus pais alguns segredos e ensinamentos que carrego comigo e passo adiante. Entre eles, o da gratidão, um sentimento que, muitas vezes, faltam palavras para expressar. Sou imensamente grato a todos que passaram pela minha vida, tanto no pessoal quanto no profissional. Gratidão ao público que sempre cantou minhas canções, às pessoas que me ajudaram a superar desafios, às mulheres fundamentais na minha caminhada e, claro, à minha família. O maior antídoto para a tristeza é a gratidão.

 

Entre tantos personagens da minha história, um ocupa um lugar muito especial. Sou o primogênito entre quatro filhos e o único homem do casal Irineu e Susete. Com as circunstâncias da vida, meu pai se separou de minha mãe quando eu tinha apenas 10 anos. Infelizmente, ele não se afastou apenas dela, mas de toda a família. Minha mãe, então, assumiu sozinha a criação dos filhos, dedicando maior atenção às meninas. Como filho mais velho, eu precisava ser o “homem da casa”.

 

Foi nesse cenário que surgiu uma figura essencial na minha infância e juventude: meu tio Sérgio Fontes, irmão mais novo de meu pai. Ele chegou lá em casa e disse para minha mãe: “Ficarei à disposição de você e, principalmente, do meu afilhado e sobrinho, Irineuzinho”. E assim foi. Quando não podia estar presente, ele deixava a missão com meu tio Moacir, e, às vezes, com meu tio Augusto. Também recebi muito carinho e apoio das minhas tias Avani e Margarethe.

 

Dessa forma, tive a presença constante de ombros amigos, olhares atentos e conselhos rigorosos na minha formação. Foram eles que me deram minha primeira bicicleta Monareta Monark. Foi nas ladeiras de Propriá que aprendi a andar com Moacir. Fiz aulas de tênis com Sérgio, viajei ao seu lado, recebi roupas, presentes, muitos conselhos e colo. Tudo isso gerou em mim um sentimento profundo de gratidão, guardado com carinho na minha mente e no meu coração.

 

Sérgio Silva Fontes nasceu em 11 de novembro de 1945, na Rua Itabaiana com Senador Rolemberg, no Castelinho dos Fontes. Era o oitavo filho de José Domingues Fontes e América Silva Fontes. Fez o primário no Colégio Salvador, cursou o ginásio no Colégio Militar em Salvador e concluiu o científico no Colégio Atheneu e no Tobias Barreto.

 

Chamado carinhosamente de “Serginho” por Dona América, ele prestou vestibular para Arquitetura, mas não passou em Desenho Técnico. Anos depois, tentou novamente, dessa vez para Economia em Itabuna. Seu pai, ao saber, comentou: “Meu filho vai ser um guarda-livros”. Mas Serginho nunca se importou com isso. Seguiu em frente, transferiu o curso para a UFS, fez concurso público para a SUDAP – Superintendência de Desenvolvimento Agrícola de Sergipe – e teve seu primeiro salário. Assim começava sua trajetória como executivo público, tornando-se um vitorioso.

 

Ao longo da carreira, coordenou, dirigiu e presidiu diversas instituições. Foi Secretário de Estado, Diretor da Sudene e um fiel companheiro de nomes como João Alves Filho, Dilson Barreto e Geraldo Barreto. Sua história e suas contribuições ao nosso estado podem ser conferidas no livro “Um Pouco da Minha História – Meu Caminho com o Ícone João Alves Filho”, que será lançado no dia 25 de fevereiro, às 17h, no Museu da Gente Sergipana.

 

Para o nosso estado, Sérgio Silva Fontes é uma figura de grande importância. Para mim, é um orgulho imenso ser sobrinho e afilhado desse homem digno e honrado. Obrigado, Tio Sérgio, por todo o cuidado, ensinamentos e preocupação comigo. Sua presença foi essencial na minha vida, e minha gratidão por tudo isso é eterna.