Olá, gente boa,
Sempre me perguntam quais foram minhas referências musicais ou de vida para eu chegar aos meus 65 anos. Geralmente respondo qualquer coisa que me vem à cabeça naquele momento — falo de cantores, músicos, artistas ou personalidades que admiro. Mas, no fundo, confesso que nunca levei muito a sério essa pergunta. Talvez porque, na minha pequena imaginação, eu nunca tenha tido ídolos.
Foi só mais tarde, ouvindo minhas filhas falarem sobre isso — em conversas nossas, em palestras, em trocas de afeto — que a ficha caiu. Elas dizem que eu sou a maior referência delas. E foi aí que algo se abriu dentro de mim. Percebi que eu carregava, guardada no fundo da alma, a minha verdadeira referência, a minha grande influência em tudo o que sou: na música, na gestão, na vida.
Entendi que nada é separado. A vida é um grande sistema. A gente se torna aquilo que foi ensinado a ser, a sentir, a agir, a compreender e a compartilhar ao longo do caminho. É um aprendizado silencioso, cotidiano, feito de exemplos.
E esse aprendizado veio com matérias fundamentais: amor, carinho, compreensão, respeito, bronca, cuidado, limites, preocupação, afeto e coragem. Um curso inteiro sobre humanidade. Um processo de formação que constrói caráter, identidade e maturidade — e que, com o tempo, nos transforma também em mestres para os que vêm depois.
E, gente boa, se eu tenho uma referência maior na vida, uma ídola, ela tem nome e rosto: minha mãe, Dona Susete.
Desde o dia em que me olhou pela primeira vez na maternidade, ela me ofereceu ternura, proteção e um amor sem medida. Um amor que me deu força, coragem e alegria para caminhar por essa estrada chamada vida.
Linda, morena, estanciana de alma e de raiz. Aos 20 anos teve seu primeiro filho. Naquele tempo assinava Maria Susete Japiassu Silva. Depois, tornou-se Maria Susete Silva Fontes, ao se casar com meu pai, Irineu Silva Fontes.
Fez da própria vida um ato de cuidado. Foi professora, protetora, leoa da sua cria e de todos que chegaram depois. Dona de casa, assistente social, advogada da vida, conselheira, amiga. Uma mulher que se reinventou quantas vezes foi preciso. Hoje, aos 86 anos, segue dona do próprio nariz, lúcida, firme, cheia de ideias, pensamentos e vontades — enfrentando as dificuldades com coragem e dignidade.
Filha do baiano de Esplanada, o respeitado barbeiro Luiz Alves, o Dedé Sombrinha, e da estanciana raiz Marrocas — firme, rigorosa e cozinheira de mão cheia —, minha mãe foi a segunda de três filhas: Magarethe, Susete e Ielda. Depois veio o caçula, Augusto Antunes, o ponta de rama da família.
Estudou no colégio das freiras, encantou-se com os bailes de Estância e Aracaju, principalmente quando visitava as tias por parte de pai. Foi numa dessas andanças que conheceu Irineu. Casaram-se e tiveram quatro filhos: eu, Ana Susete, Sandra e Simone.
Minha mãe foi quem me ensinou a perguntar, a lutar pelas minhas verdades, a me apaixonar pelo que faço, a não me curvar a opiniões que não constroem, a ser honesto, transparente e atento. Ensinou-me a nunca abaixar a cabeça, nem a usar ninguém como degrau. A ter hombridade, caráter, retidão e amor. A compreender que somos construtores — do presente e do futuro — e que conhecer o passado é essencial para seguir adiante.
Ela é, sem dúvida, a minha maior influência. E hoje, ao ver o orgulho que minhas filhas e meus netos carregam, sinto na pele e na alma o quanto tudo isso valeu a pena.
Hoje, aos 87 anos, minha mãe segue sendo essa mulher forte, que nunca fugiu de combate algum, que encara a vida de frente e continua ensinando, com gestos e atitudes, que cada ser humano é único e merece respeito.
Parabéns, Dona Susete.
Muita saúde, paz e amor.
Te amo, minha mãe querida.
