Olá, gente boa,
O que realmente levamos da vida são as conquistas que realizamos e os laços que construímos. Não falo apenas das conquistas materiais — embora sejam parte justa do esforço e da perseverança —, mas, sobretudo, das vitórias que florescem do que escolhemos amar e dedicar nossa vida. No meu caso, a cultura sergipana.
Outro tesouro valioso são as amizades verdadeiras. Aquelas que resistem ao tempo e à distância, que não precisam de presença constante para existir. Amigos que a vida coloca no caminho e que, quando precisamos, aparecem com uma palavra, um abraço, uma mão estendida.
Tive uma infância feliz em Aracaju, cercado por bons colégios, vizinhos queridos e amigos leais. Foi nesse tempo que conheci a família de Tertuliano Azevedo e Dona Maria Bernadete Fontes, amigos de casa e pais de cinco moças — Sônia, Selma, Silvana, Simone e Susana. Encontrávamo-nos nas festinhas de sábado e nos clubes da cidade. Susana, desde menina, já se destacava: popular, curiosa, solidária, sempre atenta ao outro e aos problemas de todos.
Os anos passaram e reencontrei Susana Azevedo já no cenário público, atuando como secretária de governo no mandato de Valadares. Jovem, mas com uma maturidade impressionante, parceira de Léo Filho e conselheira firme do governador. Em seguida, foi eleita vereadora e depois deputada estadual — sempre com dignidade, coragem e competência, impondo-se em um ambiente político ainda tão desigual. Quando nos cruzávamos, era festa certa! Ela logo perguntava: “Como vai Dona Susete? Sua mãe é um barato!”. E, claro, acabávamos falando de música e cultura — temas que sempre encantaram essa mulher arretada.
Tempos depois, a vida nos uniu profissionalmente no Tribunal de Contas do Estado de Sergipe. Eu vivia um momento delicado e precisava de alguém que acreditasse nas minhas verdades sobre a cultura. Susana me estendeu a mão — e juntos fizemos uma das mais bonitas parcerias da minha vida pública. Estávamos num ambiente técnico e frio, onde prevalecia a lógica da fiscalização e da punição. Mas a cultura não cabe apenas na letra da lei: ela é sentimento, humanidade, esperança.
E foi isso que Susana Azevedo trouxe para o TCE: sensibilidade e visão. Transformou aquele prédio cinza em um espaço vivo de convivência, arte e pensamento. Humanizou a gestão pública sem abrir mão do rigor técnico. Criou o Memorial, a Pinacoteca, fortaleceu o Cantinho da Cultura, o Coral, e abriu as portas para debates sobre meio ambiente, cidadania e diversidade. Implantou a Medalha Carlos Pina de Cultura, valorizando artistas e servidores. Modernizou processos, democratizou ações e mostrou que é possível fiscalizar com empatia e ensinar antes de punir — como ela mesma diz: “Antes de corrigir, precisamos ensinar a fazer bem.”
Durante dois anos de convivência e aprendizado, vi de perto uma das mulheres mais inteligentes, determinadas e sensíveis que já conheci. Uma gestora que pensa o Estado com o coração no povo e o olhar no futuro.
E agora, coroando sua trajetória, Susana Azevedo realiza um sonho que um dia sonhamos juntos: a criação de uma trilha formativa nacional para gestores e agentes culturais, proposta ao Instituto Serzedello Corrêa (ISC), escola de governo do Tribunal de Contas da União (TCU). A ideia foi acolhida e ganhou o Brasil — um curso virtual com 30 horas de carga horária, aberto a gestores, conselheiros, artistas e servidores públicos, intitulado “Políticas Culturais no Brasil: Da Constituição Cidadã à Implementação do Sistema Nacional de Cultura”.
Com a coordenação de Diogo Camilo, o projeto foi incorporado ao programa Gestor Capacitado, e hoje integra o acervo de formações do TCU, fortalecendo a governança, a transparência e a boa aplicação dos recursos culturais no país.
Mais um legado dessa mulher admirável, que marcou sua passagem pela presidência do Tribunal com coragem, inteligência e humanidade. Pena que o mandato seja de apenas dois anos. Imagine se tivesse mais tempo…
Obrigado, minha amiga Susana Azevedo, por provar que é possível transformar o cinza em cor, a lei em poesia e a gestão em cuidado.
Muita paz, saúde e inspiração para os novos caminhos — que, sei bem, continuarão sendo trilhados com a mesma força e sensibilidade de sempre.
