Olá, gente boa!
Estava aqui com os meus botões, assimilando algumas conversas que ouvi nos últimos dias de colegas que sempre estiveram na batalha da vida artística. Anos e anos enfrentando um mercado que não valoriza o artista e a arte local. Sei muito bem o que é isso e nunca me deixei enganar sobre qual era o meu papel. Escolhi a música e a cultura como forma de vida, como trabalho profissional, sustento para mim e para minha família.
Às vezes me perguntam se fiz sucesso. Respondo: claro que fiz, e muito! Vivo da minha arte e da cultura há 44 anos. Só que fiz algumas descobertas muito cedo, então o glamour do sucesso nunca me atingiu. Sempre me vi como um peão, um trabalhador e não apenas um artista. Tinha que trabalhar muito, pois queria dar o melhor para minha família.
Aprendi que sou um profissional como qualquer outro, do médico ao gari, do engenheiro ao pedreiro, do cantor ao roadie. E justamente por isso tinha que estar sempre preparado, com formação, qualificação, um olhar profissional com estética e conceito, conhecendo e reconhecendo talentos e tentando me espelhar neles ou ser reflexo para outros.
Por isso, quando ouço tantas lamúrias de artistas dizendo que nossa terra não valoriza nem respeita seus talentos, que a culpa está na gestão pública ou nas rádios que não tocam suas canções, ou que os shows só vão para os amigos dos poderosos, fico relembrando o meu começo. Não estou aqui para comparar tempos e espaços, mas os discursos continuam os mesmos. Sempre foram reais e verdadeiros, mas nunca afetaram meu caminhar. Estudei, compus, gravei, briguei com programadores de rádio, com coordenadores de eventos, fiz tudo o que podia. Mas sempre lutei por todos, não só para tocar. Sempre busquei implementar políticas públicas que valorizassem e reconhecessem os artistas como profissionais. Venci, estou aqui. Fui para o outro lado do balcão e sei como é difícil todo o trabalho do outro lado. Minha carreira eu decido como gerir, mas do outro lado dependo de muitos fatores e pessoas no poder.
Em uma dessas conversas, ouvi de um grande cantor de forró, por quem tenho enorme admiração, a seguinte colocação: “Não adianta, estou para desistir. Como posso competir com esses novos artistas que recebem grandes cachês, enquanto nós somos colocados em horários ruins e palcos secundários?” Ele continuou: “Vou pelos R$ 50.000,00.” Completou dizendo que no São João costuma fazer em média 50 shows. Fiquei imaginando: 50 shows a R$ 50 mil dá dois milhões e meio de reais em um mês, isso já é fazer muito sucesso. Então perguntei: “Quanto desse montante você tira para reinvestir na sua carreira? Para melhorar sua produção, a estética do show, a divulgação? Na verdade, quanto você investe na sua carreira profissional? Ou isso é obrigação do Estado?”
Ele ficou meio sem jeito, logo se despediu e, com certeza, saiu pensando: “Esse camarada virou pelego, deve ser puxa-saco desses governantes, que quer a gente se lasque!” Mas eu fico aqui refletindo: qual o sentido do sucesso para os artistas? Para mim, sucesso é conseguir sobreviver com seu trabalho honesto e verdadeiro, sempre buscando qualidade e aperfeiçoamento. Seguir seu próprio caminho e não se perder indo atrás dos outros.” Em estrada de terra, quem anda atrás só engole poeira”. Acreditar na sua arte e no seu trabalho, sem precisar de muletas, e jamais se abater com nada. Meu público sou eu quem cria e busca, com meu trabalho.
Resumindo o que aprendi nesses 44 anos: todo artista deseja o sucesso — seja de público, financeiro ou de mídia. Ser um pop star ou simplesmente mostrar, suas obras, os seus sentimentos e reflexões. Mas poucos realmente se preparam para isso. Muitos acreditam que basta talento ou sorte para chegar lá, sem perceber que sucesso é resultado de preparo, esforço e dedicação contínua. A vida é implacável e não há atalhos. Quem não estuda, não aprimora seu talento e não entende sua própria carreira acaba ficando pelo caminho.
Nós temos o hábito de procrastinar. Esse é o grande vilão. Muitos sonham em ver suas músicas estourando, mas adiam o trabalho necessário para que isso aconteça. Se você sempre deixa para amanhã, o sucesso nunca chega. O segredo? Agir agora. Estudar agora. Aperfeiçoar-se agora. O amanhã pode ser tarde demais.
Outro erro comum é culpar os outros pelo próprio fracasso. Nós escolhemos a arte! Lorota quem diz que foi a arte que nos escolheu. O mercado não está ruim, ele é do jeito que é. O público não é ignorante; ele gosta do que ouve e conhece. A falta de gravadora ou empresário não é desculpa. Nunca foi tão fácil para um artista independente distribuir sua própria música, alcançar fãs e construir sua carreira sem intermediários. O problema não está lá fora — está em quem prefere reclamar ao invés de agir. A única verdade é que o Estado não é empresário, mas sim agente público, que investe dinheiro do povo e, por isso, tem obrigação de investir no que é nosso. Essa é a cobrança, essa é a luta. Mais o que se ver é a reclamação “Eu não estou na programação”
Perdemos muito tempo criticando o sucesso alheio ao invés de investir no próprio crescimento. Reclamar do Natanzinho, Esquema de Três, Calcinha Preta ou de qualquer outro artista não paga suas contas. Enquanto você perde tempo com isso, eles seguem faturando. Alguns ficarão, outros desaparecerão com o vento dos eventos. Mas você continuará na luta. O sucesso dos outros deve ser inspiração, não motivo para frustração.
Acredite de verdade no seu talento, não só na hora de se gabar ou criticar, mas em todos os momentos da sua existência. Ninguém é igual a você, mas cada um tem seu talento e suas virtudes. Por isso, trabalhe mais, construa mais. Não se preocupe com o reconhecimento, se reconheça. Sempre haverá alguém que se lembrará de você e do seu legado.
