Olá, gente boa!

Sou sergipano de Aracaju, com raízes fincadas em Estância. Portanto, sou nordestino, sim senhor — com muito orgulho, garra e determinação. Nunca tive vergonha de afirmar quem sou, porque sempre lutamos com todas as nossas forças para pertencer à nossa cultura e afirmar nossa identidade.

Sou defensor de tudo que nos pertence: do cuscuz à buchada de bode, da maniçoba ao caranguejo, de Josa a Rogério, de Clemilda Amorosa às Taieiras e ao Lambe Sujo. Sou nordestino de reconhecer o Imperador Gonzagão, o Rei Dominguinhos e o Príncipe Mestrinho — a verdadeira monarquia da sanfona.

Fomos nós, o povo do Nordeste, que ajudamos a construir este país. Nunca pedimos passagem — entramos pela porta da frente. Sofremos, sim, mas vencemos. Somos discriminados porque somos bons, capazes, talentosos… e, acima de tudo, somos do bem. Tratamos os outros com afeto e respeito, e mesmo assim precisamos reafirmar, todos os dias, o valor das nossas raízes.

As ações afirmativas, tão necessárias no mundo de hoje, só existem porque há quem ainda insista em negar o direito de ser quem se é. E é por isso que sigo em defesa do que é nosso, contra toda forma de apagamento — especialmente quando a intolerância tenta calar nossos mestres e desfigurar a alma de um povo.

Em Laranjeiras, cidade símbolo da cultura brasileira, não podemos permitir que a perseguição a figuras como o Mestre Zé Rolinha — patrimônio vivo da nossa tradição — se transforme em política pública. Mudar à força a identidade de um povo é negar sua história, é ferir sua memória, é arrancar-lhe o coração.

Tenho orgulho de ser nordestino — da mesma nação que gerou um presidente que não baixou a cabeça e enfrentou tudo e todos para defender sua gente. Sou sergipano e nordestino, e não passo pano para quem desrespeita nossa identidade.

E como também me deram cidadania laranjeirense, digo com toda convicção: sou dessa terra que é pátria da cultura brasileira e mundial, guardiã de tradições milenares que formaram quem somos.

Sou Laranjeirense, sergipano e nordestino.

Sou Zé Rolinha, João Sapateiro, Seu Sales, Deca, Maria da Conceição, sou Nadir.

Sou Taieira, Nagô, Filhos de Obá, Bilina, Lourdes, Bárbara.

Sou Ciza, Gilson, Demar.

Sou a Cultura que o alcaide quer acabar.

Sou São Gonçalo, Samba de Pareia, Chegança, Lambe Sujo e Caboclinho, que jamais deixarão de lutar.

Porque ser nordestino é resistir, existir e florescer — mesmo quando tentam nos arrancar as raízes.

Viva o nordestino, viva Zé Rolinha.

Não aceito o apagamento cultural de Laranjeiras nem a perseguição ao Mestre Zé Rolinha, símbolo vivo da nossa tradição.

Tentar silenciar um mestre é tentar calar a voz do povo.

Nenhuma gestão, por mais poderosa que se ache, vai conseguir mudar à força a identidade de uma cidade que nasceu da cultura, da fé e da resistência.

Somos Laranjeiras, somos Sergipe, somos Nordeste.
E enquanto houver um tambor batendo, um aboio ecoando e um povo de pé — a cultura viverá!