Olá gente boa,

Continuando nossa conversa sobre o livro “Som da História”, vou contar um pouco sobre como tudo começou. Quando me graduei em Publicidade e Propaganda, o trabalho final foi um Projeto Experimental de Produto Real e escolhi lançar o CD “Arteiro” do meu amigo e irmão, Rubens Lisboa. Preparamos toda a campanha, mas algo importante ainda estava faltando: contar a história por trás da nossa música, pois havia encontrado pouquíssimos registros sobre o assunto. Assim, decidi pesquisar e conversar com vários artistas da velha guarda, além de recordar minhas próprias vivências com esses músicos. Descobri alguns trabalhos acadêmicos fora de Sergipe que mencionavam a Rádio Difusora e conversei bastante com Murilo Melins, João Melo e João Rodrigues, juntando as peças necessárias. Acredito ter escrito um capítulo importante sobre a música produzida em Sergipe, o qual incluí no meu trabalho de conclusão de curso.

Quando comecei a escrever a coluna “Som da História” no site do IHDMS, esse trabalho rendeu alguns artigos, como “Música em Sergipe e Luiz Americano”, “Música no Rádio”, “Estrelas da Nossa Música” e “Meninos da Nossa Música”. Nestes artigos, destaco o início da música em terras sergipanas com os grupos religiosos e a primeira Orquestra Sacra Instrumental e Coral da Igreja Matriz da Freguesia e Vila de Santo Antônio e Almas de Itabaiana, em 1745, hoje conhecida como Orquestra e Banda Nossa Senhora da Conceição, a instituição musical mais antiga do Brasil. Também abordo como essas instituições influenciaram e ainda influenciam a música feita em nosso estado.

Um dos nomes nascidos e forjados nas bandas de música foi Luís Americano Rego, ou simplesmente Luís Americano, um dos maiores músicos do choro no país, ao lado de Donga, João Baiana e Pixinguinha. Luís acompanhou os maiores intérpretes, como Carmen Miranda, e integrou as melhores bandas do Brasil. Compôs, gravou e deixou um legado na música mundial.

No artigo “Música no Rádio”, falo sobre a primeira rádio do estado, com o prefixo PRJ-6, a Rádio Difusora de Sergipe, atual Rádio Aperipê de Sergipe, ZYD-2, onde a música sergipana era o grande destaque, com nomes como Dão, João Lopes, Guaracy Leite França, Bissextino, Maria Célia, Manoel Aragão, Dalva Cavalcanti, Neuza Paes, Rute Brandão, Genaro Plech, tendo como figuras centrais Pinduca e sua rádio orquestra, João Mello (o cantor máximo de Sergipe), João Bezerra e o inigualável Carnera, violonista e professor de João Gilberto. O rádio revitalizou a vida cultural sergipana, ampliando o contato dos artistas com o público.

Em “Estrelas da Nossa Música”, destaco as carreiras de João Melo e do Maestro Luiz Almeida D’Anunciação, Pinduca, dois brilhantes artistas, músicos e compositores. João compôs centenas de canções que ainda hoje são tocadas em todo o mundo, e Pinduca, que regia diversas orquestras e escreveu o livro sobre percussão mais lido e estudado no país.

Já no artigo “Meninos da Nossa Música”, mostro o talento de jovens que se destacaram desde a infância, como Alexandre Diniz, Adilson Alves (“Gravatinha”), Edildécio Andrade, José Augusto e Vilermando Orico, este último ficou em segundo lugar no concurso de escolha da música do centenário de Aracaju aos 12 anos, além de ser o primeiro artistas de Sergipe a possuir dois fã Clubes. José Augusto se tornaria um dos cantores românticos mais importantes do país. Edildécio foi integrante do trio Irakitan e Gravatinha se tornou uma referência nas serestas e noites sergipanas. Alexandre Diniz gostava de cantar sentado em um banquinho, à semelhança de João Gilberto. Ele seguiu carreira como professor de Geografia na Universidade Federal de Sergipe, foi presidente da UEES (União Estadual dos Estudantes de Sergipe) e foi preso político no golpe de 1964.

Todas essas histórias estão no livro “Som da História”, que será lançado no dia 23 de abril, às 16h30, no Museu da Gente Sergipana