Olá gente boa,
No dia 23 de abril de 2024, a apenas 14 dias de celebrar meus 64 anos, lanço meu primeiro livro. Como diz o ditado popular, todo homem deve plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro; e assim, completo essa trilogia. Sempre pensei que não seria capaz de escrever uma música por conta própria, nunca havia tentado, pois adorava compor em parceria. Esse é um ato que nunca deixei de apreciar, já que sou compositor e valorizo muito meus parceiros letristas. No entanto, de repente, me vi escrevendo minha própria história, repleta de ensinamentos que herdei do meu avô Dede Sombrinha, um grande contador de histórias.
Recordo-me da minha infância e juventude, acompanhando meus pais nos saraus da rua Itabaiana com Senador Rolemberg, no castelinho do meu outro avô, José Domingues. Foi lá que conheci figuras como Carnera, Carvalhal, João Rodrigues, Silvio Caldas e João Argolo, meu professor de violão no Conservatório de Música de Sergipe. Lembro-me das minhas idas aos Festivais de Música nas décadas de 60 e 70, no Charles Moritz e no Cine Vitória. Mesmo muito jovem, já apreciava conhecer e ouvir nossos músicos.
Em 1969, descobri Marcos Chulé e Tonho Baixinho ganhando um desses festivais. Os resultados foram memoráveis: 1º lugar para “Cruzada”, de Marco Antônio; 2º lugar para “Chamada Geral”, de Marcos Melo e Ezequiel Monteiro; 3º lugar para “Meu Mundo”, de Heribaldo Prata; 4º lugar para “Canto a Iemanjá”, de Hunald Alencar e Antônio C. Melo; e 5º lugar para “Crença”, de Teotônio Netto.
Em 1971, no primeiro Festival Estudantil da Canção, conheci o compositor que melhor traduz a sergipanidade, Alcides Mello, que venceu com a música “Retirante”. “Sou retirante, mas que antes, violeiro e cantador”, versou ele, e foi o primeiro artista pelo qual me tornei verdadeiramente fã. Versátil, criativo e muito à frente da sua época. Influenciou não só a nos sergipanos mais como outros artistas como Alceu Valença.
Lembro-me das minhas participações no coral do Colégio Sagrado Coração de Jesus, das missas no Colégio Salesiano, onde tocava guitarra, e dos primeiros Festivais em que participei com meu grande amigo e parceiro Alexi Pinheiro. Recordo-me dos grupos musicais com: Top Kaps, Os Águias, Comanches, Trio Maravilha, Vikings, Os Átomos, Os Invencíveis, Panteras, The Tops, Os Apaches, Los Guaranis, Nino e seu conjunto, Brasa 10, Os Nobres, Cassino Royale, Spite Fire, Os Nômades, The Snakers e The Jet Boys.
Recordo-me também dos programas de rádio como “Roteiro das Onze”, com Gilvan Fontes, e dos programas de Luiz Trindade, Silva Lima, Ramalho e Santos Mendonça. Em casa, tínhamos o privilégio de assistir aos programas da Jovem Guarda na televisão, graças ao meu pai Irineu Fontes, que trouxe a primeira repetidora para termos sinal de TV em Sergipe. Enquanto a maioria sofria com as más condições de transmissão, nós tínhamos uma enorme antena que melhorava muito as imagens.
Todas essas experiências, somadas à minha vida dedicada à música e à cultura, levaram-me a escrever tudo o que me vinha à mente em textos que, ao longo dos anos, foram sendo publicados em jornais e sites. Não tenho a pretensão de ser um escritor ou memorialista, mas devo tudo à música e à cultura. Estou apenas tentando retribuir, deixando minhas memórias, minhas verdades e meus relatos de uma vida dedicada e feliz com a arte, a música e a cultura de Sergipe.
Espero sinceramente que este trabalho seja útil, que os novos artistas busquem conhecer nossa história e que possam valorizar todos os que contribuíram para o cenário cultural, muitas vezes esquecidos. Somos a continuidade do passado e estamos aqui para melhorar o caminho, abrindo novas trilhas e deixando um legado para as futuras gerações.
Agradeço a todos que contribuíram para este momento, tenho certeza de que vocês fazem parte desta história. Um agradecimento especial a Manuel Vasconcelos e Alex da Agência Conceito, Antônio Rollemberg e Cesar da Boa Comunicação, Claudio da J. Andrade, ao trabalho primoroso de Adilma e Antônio Amaral, as imagens de Joel Luiz, e ao amigo Ezio Deda, pelo apoio e palavras sempre presentes e de todos do Instituto Banese. Por fim, dedico este lançamento a Edvan Freire Caetano, editor e diretor do Cinform, que nos deixou na última semana. Ele me convidou para assinar a coluna “Som da História” em seu jornal.
Espero ver todos vocês no Museu da Gente Sergipana, no dia 23 de abril, às 16:30.
