Olá gente boa,

Hoje é um dia em que todos os cristãos são convidados a contemplar o Santíssimo e rever suas ações ao longo dos seus dias comuns. É Sexta-feira da Paixão.

Aqui, no meu cantinho, cercado pelos meus violões e memórias – e por todas as referências possíveis de arte e cultura que vivem em mim – repouso entre obras de arte, esculturas, fotografias, cabos, plugues, letras, músicas, histórias e escritos. E, sinceramente, fico feliz com a minha caminhada.

É bom parar, olhar para trás e perceber que mudar a rota, repensar a direção e ajustar os objetivos fez – e faz – parte do processo. Os caminhos nunca foram totalmente tranquilos ou seguros, mas sigo aqui, firme e forte, com a essência que recebi da minha criação, da minha família, e principalmente, de uma mulher arretada: minha mãe, Susete.

Sempre digo que fui um menino privilegiado. Cresci em uma família que me deu a liberdade e a confiança para ser o que quisesse ser. E eu escolhi a arte e a cultura como forma de vida. Brinco que, quando ela dizia:

— Irineuzinho, vá estudar!

…eu entendia:

— Vá para o estúdio!

E foi isso que fiz. Fui à luta, com o total apoio dela. Foi ela, aliás, que em 1968 me deu meu primeiro violão – um Di Giorgio Estudante nº 18 – que está até hoje nas mãos de um grande músico e luthier, que prometeu consertar, mas nunca devolveu.

Aquele violão me fez enxergar a vida pelas cores e sons da música. Comecei com meu primeiro professor, João Argolo, no Conservatório de Sergipe. Depois vieram outros mestres: Eribaldo e Henrique Sousa, com seu método “prático, rápido e eficiente”. Foi com Henrique que compus minhas primeiras canções instrumentais. Tocava para colegas e amigos de escola, interpretando Roberto Carlos, Raul Seixas, Ivan Lins, Bob Dylan e trechos de Jesus Cristo Superstar. Sempre acompanhado de Lula Ribeiro e sua escaleta. Lula, um irmão de vida, hoje um dos artistas sergipanos mais respeitados do país.

No tempo do ginásio, tocava nas missas do Salesiano. Foi ali que conheci Alexi Pinheiro, baiano filho de sergipanos, que se tornou meu primeiro e maior parceiro musical. Juntos ganhamos festivais, montamos grupos e shows, com tantos parceiros incríveis: Mary e Marlene Barreto, Paulo Bedeu, Denys Leão, Genival Nunes, Emanuel Dantas, Jairo Bala, Marcos Passos, Maurício Botto, Cal Alencar, Lealdo Feitosa, Alcosa, Dalila Aragão, Eduardo Max, Rui… Entre outros. Enfrentamos censuras, barreiras, mas realizamos algo marcante para a música sergipana: o show Entre Amigos, seguido de Brasil, Conversa de Fome. Uma quebra de paradigma na produção musical de Sergipe.

Foi aí que decidi: minha vida seria a arte. Conheci novos parceiros, como Jorge Lins – com quem compus mais de 400 músicas. Aprendi a produzir, a viver da música e das artes. Tive a bênção de conhecer talentos que me encantaram como Elis Regina e Dominguinhos. Minha musa eterna, Gena Ribeiro, permanece em mim com sua voz inesquecível.

Ao longo dessa jornada, encontrei amigos, artistas e profissionais que me ensinaram, me acolheram e acreditaram comigo: Rubens Lisboa, Mingo Santana, Kleber Melo, Hunald Alencar, Nery, Doca Furtado, Raquel Delmondes.

Não posso esquecer de quem esteve comigo nos bastidores e palcos da vida: Djalma Oliveira, maestro Tovinho, Jorge Reis – só para citar alguns mestres. E tantos músicos e técnicos que fazem parte da minha história: Val França, Carlinhos Menezes, Vigi, Gilson Batata, Ronaldo Heitor, Lito Nascimento, Ednor, Nego, Benezão, Valtinho, Pedrinho Mendonça, Eder, Alex, Anselmo, Miltinho, João Melo, João Alberto, Ismar Barreto, Saulinho Ferreira, Alberto Silveira, Rômulo Filho, Robson,  Ricardo e Rebeca, Emanuel, Marilda, Sandra, Luana, Luciana, Amorosa, Rogério, Doca Furtado, Nino Karvan… E muitos outros que circularam minha trajetória.

E, por fim, não posso deixar de citar os mais importantes: minha família e meus irmãos de vida, que sempre me impulsionam com presença, afeto e preocupação. Cassia, Érica, Tatiana, Tássia, Hellen, Luan, Ana, Sandra, Simone, Fabio, Clea, Avani… Minha linda Susete. E os irmãos de alma: Manuel, Antônio, Elber, Miltinho, Susana, Roberto, Ezio, Ione, Raimundinho. E os saudosos Luiz Antônio Barreto, Helvio Dórea e Lú Spinelli.

Que nesta Sexta-feira da Paixão, cada um possa olhar para sua história e encontrar, na memória, as pessoas que fizeram (e fazem) diferença na caminhada.

Que a fé nos inspire.
Que o amor nos guie.
E que a paz seja sempre o nosso maior destino.

“Viver com dignidade sem esquecer sua essência vale, sim, muito a pena.”