Olá gente boa,
Já mencionei várias vezes que sou filho de uma estanciana arretada: minha mãe, Susete Japiaçu da Silva. O “Japiaçu” veio da minha avó Marocas e o “da Silva” do meu avô Dedé. Depois de casada, ela passou a assinar Susete Fontes, mas o Japiaçu nunca saiu dela. Foi o Japiaçu que deu à menina Susete o amor pela tradição junina, acendendo cinco fogueiras no mês de junho: no dia de Santo Antônio, no dia e na véspera de São João e no dia e véspera de São Pedro.
Foi esse mesmo Japiaçu que lhe proporcionou o prazer de cozinhar delícias como bolo de milho, bolo de puba, pé de moleque, malcasado, beijú, arroz-doce, mungunzá, milho verde e milho assado. Também trouxe a alegria de enfeitar a casa com bandeirinhas e balões e, do lado “da Silva”, a tradição de soltar rojões, já que meu avô era apaixonado por busca-pés, espadas e barcos de fogo.
Aos seus 85 anos, minha mãe fez e faz questão de passar todas essas tradições para nós, seus filhos, netos e bisnetos. Por isso, o mês de junho é o principal mês da nossa família. Todos esses ensinamentos contribuíram para a construção da minha identidade e essência cultural, transformando-me em um apaixonado pela cultura e pelas tradições. Isso me incentivou a ser o que sou hoje: artista, músico, compositor, produtor, agente e gestor cultural.
Por onde passo, tento deixar uma pequena parte das sementes plantadas pela minha querida mãe nas minhas ações, projetos e trabalhos artísticos, sempre na defesa e valorização da nossa cultura e dos nossos artistas. Procuro mostrar a todos que a cultura e a arte não devem ser meros enfeites ou servir de desculpas para discursos vazios, ou, no popular, não devem ser um tapa-buraco. O artista é um profissional como qualquer outro, com um diferencial: ele leva alegria, felicidade, saudade, lembranças e, principalmente, conforto às almas necessitadas de afago. Friedrich Nietzsche disse: “Temos a arte para não morrer da verdade” ou “a arte existe para que a realidade não nos destrua”. A humanidade não existe sem arte. Ela é um manifesto da presença do homem no mundo desde as pinturas nas cavernas. E, por isso, merece todo o nosso respeito e consideração.
Com esse pensamento e determinação, venho tendo muita sorte onde chego, pois encontro pessoas dispostas a acreditar e investir nas minhas ideias e propostas de trabalho. Pessoas que, com suas visões ampliadas, veem na arte o condutor mais potente e capaz de transformar e construir. Foi assim com Eugenia Teixeira, Luiz Antônio Barreto, Ione Sobral, Elber Batalha, Jackson Barreto e João Augusto Gama, gestores com os quais trabalhei e produzi cultura e arte.
Este ano, recebi um convite da conselheira do Tribunal de Contas de Sergipe Susana Azevedo, que tomou posse como presidente da Corte de Contas, para ser a ligação de retomada das ações culturais na Casa de Contas. Ela me disse: “Vamos honrar Carlos Pina e os que passaram e acreditavam na cultura. Quero deixar o Tribunal mais humano, inclusivo, acessível a todos, colaboradores e à sociedade. Um Tribunal de Contas eficiente, plural e sensível a todas as necessidades da nossa gente e dos nossos colaboradores. Todos precisamos conhecer a cultura e a arte sergipanas, e sei que estou convidando a pessoa certa.”
Fiquei muito honrado e feliz, pois conheço a conselheira Susana desde criança e acompanho sua trajetória vitoriosa na vida pública. Nesta sexta-feira, realizamos a volta do projeto Sextas Culturais com o tema “Arraia de Contas”, que contou com a participação do espetáculo Ópera do Milho, com mais de 80 atores e cantores; César Leite e seu esquete “Os Amores de Genoveva”; A Companhia de Dança Loucurarte; A Quadrilha Asa Branca de Simão Dias; O artista plástico Jo´k com sua exposição “Pais do Forró”, e o show do músico, sanfoneiro, cantor e compositor Glaubert Santos, dando uma aula de boa música de forró comemorando os festejos juninos do Tribunal.
Foi uma volta triunfante das Sextas Culturais, projeto que realizaremos todos os meses com temas variados, sempre apresentando a cultura sergipana. Um trabalho feito a várias mãos, da Presidente Susana Azevedo e seu Gabinete, a todos do cerimonial, em especial a Jaime Costa e ao comandante Hudson Mauad, com sua visão, competência e bom gosto. A todos da equipe de comunicação, com o comando do grande jornalista Hadam Torres, aos meninos do som que foram essenciais na realização, aos diretores e seus assessores, coordenadores e, principalmente, ao pessoal da Segurança, manutenção e serviços gerais. Foi um show de uma equipe competente e comprometida com o trabalho do TCE.
Foi uma manhã feliz, onde apresentamos a cultura, a arte e nossos artistas em sua total plenitude, respeitando e valorizando cada um deles. Viva a cultura sergipana.
