Olá, gente boa!

Muitas das coisas que fazemos hoje têm, no passado, alguma indicação ou inspiração — e só percebemos isso mais tarde, quando essas indicações nos despertam para uma profissão, uma área de estudo ou um meio de vida. Desde a minha infância, a música sempre esteve comigo. Foi fácil escolhê-la, porque ela estava no meu dia a dia: nas aulas de violão com o professor João Pires Argolo, nos corais da escola, nos bancos das praças e nos festivais estudantis da canção que participei.

 

Mas foi só em 1981 que comecei profissionalmente na música, junto com um grupo de amigos, por isso o nome inicial foi “Grupo Entre Amigos”. Desde então, foram muitas emoções — alegrias, decepções, recomeços e, claro, ainda mais alegrias.

 

Nos anos 80, eu já tinha o hábito de buscar informações sobre o meu fazer artístico, especialmente sobre o passado da música em Sergipe, e refletir sobre o futuro das artes num país cuja maior riqueza de exportação, que nem um maluco topetudo conseguiria taxar, é a cultura. Ainda assim, há quem insista em achar que o Brasil vai sucumbir a um imperialismo fascista se taxar o café ou a soja. Isso é só um desabafo.

 

Foi nessa época que ouvi falar de um tal Celso Furtado — que não era músico nem artista, mas sim um pensador e homem de letras, que compreendia nossa cultura muito melhor do que muitos de nós. Quem era Celso Furtado? Um economista paraibano, nordestino arretado — não só um homem dos números, mas também das letras. Um estudioso e divulgador da economia da cultura, que sabia que o desenvolvimento de verdade não se faz só com obras e fábricas, mas também com cultura, educação e inclusão social. Hoje, essa ideia se fortalece no que chamamos de economia criativa, onde arte, cultura, música, design, audiovisual e outras expressões culturais também geram renda, empregos e oportunidades, sem perder a essência do que é feito.

 

Sempre que podia, buscava entender mais essas ideias, mas foi só quando assumi a pasta da cultura em Laranjeiras que pude conhecer a fundo o universo da gestão pública e me conectar com grandes especialistas, como Celso Furtado, acadêmicos, economistas, estatísticos, geopolíticos, matemáticos e outros profissionais que, a princípio, parecem distantes da cultura.

 

Entre essas pessoas, conheci Claudia Leitão, então secretária de Cultura do Ceará. No meio de secretários do partido vencedor das eleições — o PT — ela se destacava, mesmo sendo do PSDB, por sua garra, força e conhecimento. Uma verdadeira discípula de Celso Furtado, que acreditava mais do que ninguém que o Brasil tinha uma saída para o desenvolvimento também pela cultura. Gilberto Gil, na primeira reconstrução do Ministério da Cultura, já transformava a cultura em uma pasta essencial e produtiva para o país. Claudia trouxe um novo olhar, uma nova nomenclatura: Economia Criativa.

 

Desde então, acompanho essas ideias e debates. Por aqui, na nossa terrinha, admiro muito o trabalho da arquiteta Isabele Ribeiro, conhecida como Isabele da Feirinha da Gambiarra, que boa parte dos sergipanos conhece. Hoje, ela faz parte da equipe da Desenvolve-se, que é Agência Sergipe de Desenvolvimento – Que foi criada para impulsiona a economia de Sergipe, atraindo investimentos, fortalecendo relações internacionais e promovendo um ambiente de negócios competitivo e sustentável com o comando do Milton Andrade sobre a coordenação do Jorginho Araújo Secretario da Casa Civil.  Ela fala assim sobre a economia criativa em Sergipe: “Sergipe tem muita potência em economia criativa, mas os agentes, em sua maioria, ainda não se reconhecem como tal, assim como a gestão pública precisa discutir sobre isso. Essa articulação com a esfera federal é parte importante do processo.”

 

A linda Beli é assim que a chamo, atua na assessoria de desburocratização e fomento ao ambiente de negócios, e com sua visão empreendedora e conhecimento da economia criativa, traz uma luz importante para o nosso estado.

 

Ao contrário dos anglo-saxões, australianos, asiáticos ou estadunidenses, que pensam as chamadas “indústrias criativas” dentro de modelos fechados, eu prefiro seguir o caminho que fez Medellín se tornar a capital mundial da economia criativa: colocar as pessoas, a diversidade e as tecnologias sociais no centro, fazendo da cultura um motor real de transformação e desenvolvimento para todos. Pensar a economia criativa no Brasil é entender que nossos bens e serviços culturais nascem da nossa própria diversidade — um patrimônio vivo e capaz de gerar riqueza de forma única no mundo.

 

Em vez de começar pelo copyright, como em outros países, precisamos romper com uma visão jurídica ultrapassada e criar marcos regulatórios do século XXI, onde a função social da cultura seja prioridade. Não se trata só de fortalecer as indústrias culturais já consolidadas, mas de abrir caminho para novas dinâmicas econômicas, enraizadas na criatividade do nosso povo, capazes de gerar desenvolvimento inclusivo e sustentável, sem perder a alma.

 

O Brasil vive um momento único com a criação da Secretaria da Economia Criativa, que abre espaço para repensar a cultura como motor de desenvolvimento. É hora de olhar para experiências de sucesso, como o Programa Kariri Criativo, no Ceará, que transformou identidade cultural em oportunidade econômica, fortalecendo comunidades e ampliando redes de produção.

 

Podemos construir uma política nacional que una diversidade, inovação e inclusão, valorizando saberes tradicionais e tecnologias sociais, criando marcos regulatórios modernos e colocando a função social da cultura no centro. Assim, a economia criativa deixa de ser só um conceito e vira prática concreta, capaz de gerar renda, emprego e cidadania cultural para todo o país.

 

Sergipe está pronto para ser um polo dessa nova economia criativa. Temos um governador jovem, com ideias e ações em prol do desenvolvimento do estado, e o projeto Viva-Se, que pela primeira vez dá à cultura o status de protagonista do desenvolvimento, além d recriação da SECULT e o fortalecimento da  Fundação de Cultura e Arte Aperipê. Com territórios criativos e com o nosso maior produto — a identidade cultural — daremos um passo gigante, maior que o nosso território, a favor da nossa gente.