Olá, gente boa!

Hoje é o Dia da Sergipanidade. Desde muito jovem, tenho acompanhado a jornada de pessoas apaixonadas que dedicaram suas vidas ao estudo e à compreensão de nossa identidade cultural. Sou sobrinho-neto e afilhado de José Calazans Brandão da Silva, um historiador e pesquisador da cultura popular. Sempre que ele vinha a Sergipe, eu o acompanhava nos eventos relacionados a essa cultura popular.

Aprendi que foi Silvio Romero, um sergipano de Lagarto, que chamou a atenção pela primeira vez no século XIX para a riqueza dos folguedos populares de Sergipe. No século XX, Carvalho Deda lançou “Brefaias e Burundangas do Folclore Sergipano”, novamente destacando nossas manifestações populares. Beatriz Gois Dantas, a guardiã da memória sergipana, Aglaé D’avila Fontes, nossa diva da cultura, uma figura essencial, e Luiz Antônio Barreto, meu amigo a quem devemos grande parte de nossa Sergipanidade.

Tudo que eu havia visto, lido e estudado em teoria foi valioso, mas não se comparava nem de perto à riqueza da convivência com todos esses brincantes e, mais importante, com a população da cidade. Conheci de perto mestres brincantes, poetas populares, artesãos, artistas, músicos, e muitos deles se tornaram meus amigos. Mestre Sales do São Gonçalo da Mussuca, Deca do Cacumbi, o cabra sabido, Antônio Carlos, o bom aluno, Zé Rolinha, Dona Maria da Conceição, Efigênia, Dona Ana, Barbara, Ciza, Duda, Ranulfo, Zefginha, Dió, Dona Madá, Sabau. Nivalda, Tiquinho, Jorge, Cosme, as meninas da renda irlandesa e muitos outros.

Sou, e sempre serei, um defensor apaixonado da Sergipanidade. Por que mostrar ao mundo apenas nosso caranguejo, e não nossa cultura e tradição? O governo de Sergipe está dando uma resposta. Anunciou para o dia 23 de Outubro, na Rua de São João, a entrega dos prêmios aos primeiros cinco Mestres de nossa cultura popular, contemplados pela Lei dos Mestres de Sergipe, uma lei aprovada pelo Conselho Estadual de Cultura no governo de Jackson Barreto e prometida pelos então candidatos ao governo Fábio Mitidierre e Zezinho Sobral. A lei foi aprovada na assembleia, sancionada e agora está sendo executada no mês da Sergipanidade. Os cinco mestres homenageados são Maria Madalena Santos (Dona Madá) do Samba de Coco São Cristovão – https://www.youtube.com/watch?v=qMX5AVTNSJA&t=1s, Orlando Félix da Cruz (Mestre Orlando do Couro) de Poço Redondo; Josefa Maria Santos (Mestre Zefinha da Batucada) de Estância – https://www.youtube.com/watch?v=8yNBX3Qm390 , José Roberto Freitas (Beto Pezão) de Santana do São Francisco, antiga Carrapicho. e Antônio Modesto (Mestre Tonho Preto) de Boquim – https://www.youtube.com/watch?v=uHOObV7LPM4 .

Luiz Antônio Barreto me disse uma vez: “Nossa cultura popular fará você entender a alma do povo sergipano.” Anos depois, a professora Aglaé afirmou: “Você tem a alma desse povo.” Respeitar e defender a Sergipanidade é honrar a luta de homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao estudo, à pesquisa e à defesa da cultura sergipana