Olá gente boa,
Na semana passada, compus um xote onde abordei a necessidade humana de carinho, atenção de amigos e amores, um colo de mãe e um ombro amigo. A vida está difícil, com muitas pessoas focando apenas em si mesmas, repletas de hipocrisia, disfarçada nas selfies, stories ou likes da fria vida das redes sociais. Ao contrário das redes do Ceará, que foram criadas para acolher e sentir o calor humano.
O xote expressa em seu refrão: “Ando precisando de abraços; De dengos e beijos; Vivo na busca de afagos; Carinhos e cheiros. A saudade apertou; Sinto falta daquele tempo; Que um ombro amigo sempre atento; Escutava nossos lamentos. Colo de mãe; E um cafuné aconchegante; E um bom café gostoso e quente; Adocicando a alma da gente.”
Decidi enviá-lo para Erivaldinho, pedindo para que fizesse o arranjo e tocasse sua sanfona. Lembrei-me de que fazia um tempo desde a última vez que tive notícias dele. Ao vasculhar o Instagram, não encontrei nada, o que me deixou preocupado, pois sabia do tratamento que ele vinha enfrentando como um verdadeiro guerreiro.
Chegou o Carnaval e, ontem, quando estava prestes a gravar a música para enviá-la a ele, minha irmã Simone Fontes trouxe as piores notícias desses últimos tempos: Erivaldinho tinha partido para tocar junto com Dominguinhos, Gonzaga e Mestre Zinho. Ele perdeu a batalha após muita luta e fé. Nunca desistiu, sempre com aquele sorriso no rosto, dizia: “Vou ganhar, pois tenho muito a tocar.”
Elisaldo Santos de Oliveira, o nosso Erivaldinho, é o primogênito do Clã dos Cariras, filho de Erivaldo Carira. Ele começou a tocar sua sanfona aos 12 anos, sendo um bom amigo e músico autodidata. Erivaldinho construiu sua história no forró e na música brasileira. Compartilhamos muitos momentos juntos, produzimos os discos de Luiz Paulo, Rodriguinho, João da Passarada, entre inúmeros momentos no Capitania do Som. Viajamos para o Paraná, onde defendemos juntos, com Amorosa, Valdo França, Sandra Moreno e Pedrinho Mendonça, a música “Formigueiro”, conquistando prêmios, vivendo momentos alegres e felizes que solidificaram nossa amizade.
Minha bisavó Noemi Brandão, já dizia nos seus momentos finais de vida: “Meu neto, a dor da perda só pode ser o início da saudade.” Está doendo, meu amigo, mas sei que a saudade ficará, mostrando aos nossos corações que somos humanos, e assim continuaremos lutando para o melhor de todos, em seu nome. Vou gravar meu xote em sua homenagem pode deixar. Vá com Deus e em paz.
