Bom dia, gente boa!
Aos 21 anos, tomei uma decisão que definiu a minha vida: a música e a arte seriam o meu caminho. Já contei essa história algumas vezes, mas é sempre bom lembrar — a mim mesmo e a quem ainda insiste em ignorar a importância da vida cultural de Sergipe. Deixei o trabalho nas empresas da família e mergulhei de vez na vida artística. No mesmo ano, casei e tive minha primeira filha. Logo entendi que apenas cantar não garantiria o sustento e a tranquilidade da minha família.
Foi então que Jorge Lins me avisou sobre uma vaga no Teatro Atheneu, como sonoplasta e iluminador. Eu e Denys Leão fomos contratados como prestadores de serviço pela recém-criada Fundesc e, pouco depois, incorporados à instituição. Trabalhamos intensamente em montagens locais, nacionais e internacionais. No início, éramos poucos: eu no som, Denys na luz, Gilvanzinho na maquinaria e Gilvanzão na administração. Tudo era aprendizado, entrega e companheirismo.
Com o tempo, a equipe cresceu. Vieram Itamar, Ivan Freitas, Gildo Ararão, Moisés Teles, Cosme, entre tantos outros. Dividíamos tarefas e somávamos saberes. Foram anos preciosos, conciliando esse trabalho com shows, gravações e produções musicais que eu realizava em paralelo.
Trabalhei com grandes nomes das artes cênicas e da música brasileira e com grupos e companhias de dança extraordinários. Essas experiências me levaram a assumir novas responsabilidades e me deram a chance de estar no núcleo produtivo da cultura brasileira. Aprendi a produzir, iluminar, sonorizar, criar roteiros e projetos — e, acima de tudo, aprendi a respeitar profundamente a cultura sergipana e brasileira.
Na labuta diária, atuei também no teatro infantil ao lado de Jorge Lins. Compusemos juntos mais de 300 canções para os espetáculos do Grupo Raízes, o que abriu portas para musicar montagens em Brasília, Belo Horizonte e outros lugares. Produzi shows, eventos, gravei discos, cantei para plateias imensas e, certa vez, cantei para duas pessoas — uma delas minha esposa. A outra ficou até o fim do show, e até hoje não sei quem foi, mas agradeço por não ter desistido de estar ali.
Depois de muitos palcos e produções, fui convidado a atuar na gestão pública. Vivi a dolorosa transição de quem passa de “pedra” a “vidraça”. Venci com determinação, estudo e sem perder o sentido da arte e da cultura.
Convivi com os melhores, sempre com respeito, mesmo quando, lá no fundo, discordava. O respeito e a gratidão sempre falaram mais alto que qualquer ego — seja de artista, seja de gestor. Cada pessoa com quem trabalhei deixou algo importante no meu caminho, e sou imensamente grato por isso. Fernando e Jorge Lins, Lú Spinelly, Luis Antônio Barreto, Nubia Marques, Aglaé Fontes, Eugenia Teixeira, Ione Sobral, Fabiano Oliveira, Elber Batalha, Ivam Valença, Luciano e Roberto Bispo, José Calazans entre tantos que passaram e me deixaram algo bom e que agradeço imensamente.
Essa trajetória me levou a ocupar funções como diretor de teatros, gestor de eventos, secretário municipal e estadual de cultura, presidente de fundações, dirigente de fóruns e criador de políticas públicas importantes para a música e, sobretudo, para a cultura popular. Criei e escrevi leis que reconhecem e valorizam mestres e fazedores de cultura, porque acredito que tradição é futuro quando tratada com dignidade.
Hoje, ocupo a Secretaria Executiva de Estado, a convite do amigo Valadares Filho e do governador Fábio Mitidieri. Sou grato por todas as escolhas que fiz e por tudo o que construí. Sei quem sou, de onde vim e o quanto estudei e me dediquei àquilo que mais amo e respeito, depois da minha família: a cultura.
Trago sempre comigo as palavras da minha mãe, Susete: “Respeite a todos, porque todos têm algo a contribuir. E nunca, jamais, baixe a cabeça para quem tenta passar por cima de você. Ande de cabeça erguida, com caráter e honestidade, seja sempre verdadeiro.”
É com esse espírito que deixo um recado necessário: respeito não é opcional. Não admito desrespeito, nem comigo, nem com ninguém e principalmente com a cultura de Sergipe. Divergências existem e são naturais, mas a falta de respeito não constrói, não educa e não transforma.
E é assim, de forma afetiva, firme e verdadeira, que desejo a todos um Feliz Natal. Que seja um tempo de reflexão, aprendizado e renovação. Que as estradas se abram, que os obstáculos sejam superados com determinação, transparência e honestidade. Que eu possa seguir contribuindo para a felicidade coletiva e, sobretudo, aprendendo e lutando sempre pela defesa da nossa cultura.
Com respeito, gratidão e esperança
