A persistência de uma ideia ao longo do tempo muitas vezes encontra sua força na identidade de um povo, em sua cultura mais nobre. É exatamente essa resiliência que permeia o Encontro Cultural de Laranjeiras, uma manifestação que desafia o tempo, resistindo há 47 anos.

Começo a conhecer essa história aos meus 10 anos quando meu tio, José Calazans, compartilha a história de uma jovem professora, Beatriz Góis Dantas, que desafiou o senso comum ao pesquisar a Taieira de Laranjeiras, uma manifestação cultural considerada extinta. Esse foi o ponto de partida para a criação de um movimento de resistência.

Em 1973, a esposa do prefeito de Laranjeiras, Ione Sobral, teve a visão de organizar uma quermesse com o propósito de arrecadar fundos para uma festa de Natal para os menos favorecidos. A quermesse, intitulada “Festa da Cultura”, reuniu diversos grupos culturais e personalidades, incluindo a bailarina Lu Spinelli, a escritora Aglaé Fontes e a musicista Edmunda Lobão Linhares. Essa conexão fortaleceu a resistência cultural.

Em 1976, o prefeito José Monteiro Sobral solicitou apoio à Secretaria de Estado da Educação, para realização da quermesse daquele ano, resultando no I Encontro Cultural de Laranjeiras. Luiz Antônio Barreto, diretor do Departamento de Cultura, e outros estudiosos como: José Calazans, Beatriz Góes, Bráulio do Nascimento, Roberto Benjamin, Jackson da Silva Lima, Aglaé D’Ávila Fontes, Fernando Soutelo, Paulo Carvalho Neto, Cáscia Frade, Antônio Garcia, Theo Brandão, e o Conselho Estadual de Cultura, uniram-se para criar um evento que se tornaria referência na luta, estudo e preservação da cultura popular.

Ao longo dos anos, o Encontro Cultural de Laranjeiras enfrentou desafios, incluindo tentativas de instrumentalização política e de tentar transforma-lo em uma festa midiática, que só beneficia a poucos, e a falta de recursos por falta de planejamento. Apesar das dificuldades, o evento continuou atraindo importantes pesquisadores, escritores e folcloristas do Brasil, Portugal e Espanha.

Ao celebrar mais de 49 anos de resistência cultural, o Encontro Cultural de Laranjeiras permanece como uma fonte vital na preservação da tradição e memória. Mesmo diante das adversidades, a paixão de indivíduos como Beatriz Góis Dantas, Luiz Antônio Barreto, Aglaé Fontes e outros, que devo citar: Oswaldo Trigueiro (PB), Lindolfo Amaral (SE ), Luiz Fernando Soutelo (SE), Antônio Alves do Amaral (SE), Verônica Nunes (SE),  José Maria Tenório (AL) Cáscia Frade (SP), Maria Thereza de Camargo (SP), Marlei Sigrist (MS), Toninho Macedo (SP), Severino Lucena (PE), José Fernando Sousa e Silva (PE), Affonso Furtado (RJ), Eleonora Gabriel (RJ), Zé Rolinha (SE), Fernando Aguiar, demonstra que a verdadeira força está na persistência e no amor pela cultura.

O Encontro Cultural de Laranjeiras é mais do que um evento ou festa, é uma expressão de resistência, um testemunho da beleza da tradição que continua a florescer, ano após ano. Não podemos desistir.