Olá, gente boa,
Em minha casa, desde sempre aprendemos com minha mãe, Susete, a diferenciar adversários de inimigos. Ela sempre nos ensinou a não cultivar inimizades, a não deixar o ódio entrar em nossos corações. “Ódio é um sentimento ruim que só prejudica a nós mesmos”, ela dizia. E com essa mesma filosofia tenho vivido e compartilhado com todos ao meu redor. Não permito que nada ou ninguém me inspire sentimentos negativos.
Odiar alguém é algo destrutivo, consome nossos pensamentos e nossa energia. Esse sentimento ocupa o espaço que poderia ser preenchido com coisas boas. Tem gente que nutre ódio até pelo som do vento, pelas cores, pelas flores. Isso faz mal ao corpo e à mente e impede a construção de algo positivo para si e para os outros.
A palavra “adversário” vem do Latim e significa “aquele que está em oposição”, como num jogo de futebol, numa disputa política ou até mesmo numa competição saudável no trabalho ou em casa, quando buscamos o amor dos pais. Os adversários servem como impulso para sermos melhores, mais criativos e amorosos, focando no nosso próprio crescimento e servindo de exemplo positivo para os outros.
Na sexta-feira, 25 de outubro, recebi uma homenagem que marcou profundamente a minha trajetória de mais de 40 anos dedicados à cultura e à arte do meu estado. O Colégio CCPA celebrou figuras das áreas de educação, música, teatro, comunicação e artes visuais no Dia da Sergipanidade. Foi uma manhã encantadora, onde, após a cerimônia, fomos guiados por alunos entre 11 e 13 anos, que vibravam ao nos apresentar suas pesquisas sobre nossas vidas e carreiras artísticas. Uma nova geração, ansiosa por aprender sobre a cultura e a identidade sergipana, e tão conectada e competente no digital!
Eles montaram um belo panorama da minha vida artística, conheciam meus discos, letras, prêmios, escolhas e experiências. Cada aluno, cheio de entusiasmo, tinha perguntas que mostravam o carinho e a curiosidade sobre minha trajetória: “Como escolheu a vida artística?”, “Você se sente realizado?”, “Como é o processo de compor uma canção?”, “O que dizer a quem quer seguir essa carreira?” e até “Como seus pais reagiram quando souberam que você queria ser artista?”.
Respondi a tudo com o coração aberto, partilhando minhas escolhas e as responsabilidades que elas trazem. Falei da importância de encarar e abraçar cada decisão, de seguir em frente com leveza e respeito pelos outros, sem jamais desmerecer adversários ou adversidades que surgirem no caminho. Disse que todos nós temos nosso espaço, então não precisamos buscar o que é dos outros, mas sim focar no nosso próprio crescimento e felicidade.
Estava já muito contente com o carinho dos alunos, e a presença dos meus colegas da Funcaju tornou o momento ainda mais especial. Lá estavam meus amigos e companheiros de trajetória, como Amorosa, Pascoal Maynard, Aglaé Fontes, Terezinha Oliva, Lindolfo Amaral, Professora Ivone, Jane Guimarães, Gilvan Fontes e Antônio da Cruz, todos eles aplaudindo e transmitindo admiração. Cada um, em sua área, contribuiu para minha formação e espero ter retribuído de alguma forma.
Agradeço de coração ao CCPA — diretores, professores, colaboradores, técnicos e, claro, aos alunos. Ao final, ao ouvir aquelas vozes jovens e cheias de vida dizendo “Seu Neu, o senhor é demais”, saí de lá me sentindo verdadeiramente especial.
