Olá gente boa!

No ano de 1996, uma situação singular se desdobrou em minha vida. Fui abordado por Irivan e Ligia, membros da Banda e Bloco Quilombo, que havia tido o prazer de conhecer durante as emocionantes celebrações dos 300 anos de Zumbi. Nesse encontro, eles compartilharam comigo um desejo: buscavam apoio para o Bloco Quilombo, que estava se preparando para participar do aguardado Précaju 97. Em virtude do meu papel na coordenação do evento anterior, fui identificado como alguém capaz de contribuir com o movimento. Mesmo sem compreender plenamente, fiz uma promessa interior de fazer tudo ao meu alcance para auxiliá-los.

Ao adentrar no âmago do projeto, mergulhei de coração e alma. Nosso esforço conjunto resultou na obtenção de um carro de apoio, o maior trio elétrico do estado naquela época – gentilmente cedido por Macedo Brilho, o trio Bicho Papão – além de camisas, segurança e uma infraestrutura básica, tanto material quanto financeira, para conduzir o bloco com sucesso pela avenida. As atrações planejadas incluíam a Banda Quilombo, Neu Fontes e o talentoso Edson Gomes no cenário do reggae. Firmamos um contrato com Edson Gomes, porém, lamentavelmente, ele decidiu desistir no último momento, quebrando o acordo estabelecido. Isso causou alguns transtornos e cancelamentos de shows para ele. No entanto, o Bloco Quilombo permaneceu firme e resiliente, seguindo em frente e espalhando sua energia positiva, cantando, dançando e alimentando sonhos de um país mais justo e harmonioso. A contagiante melodia da Caixa D’Água encheu as ruas de encanto e inspiração.

Esse período se tornou profundamente significativo para mim. Meu vínculo ancestral é diverso, com raízes indígenas provenientes de minha mãe, e uma fusão de origens portuguesa, holandesa e africana. Somos todos mestiços, reflexo da rica miscigenação que caracteriza os habitantes desse vasto país. Ainda mais relevante, somos todos seres humanos, dotados da mesma dignidade e igualdade inalienáveis.

Juntamente com o talentoso Rubens Lisboa, tive o privilégio de compor uma canção destinada aos membros da banda, cujo refrão ecoava uma mensagem poderosa: “No bater do tambor, eu vou quilombar. Na mistura de cor, eu sou Quilombo.” Essas palavras eram uma homenagem à força e à união do grupo, um tributo à diversidade que nos torna únicos e um lembrete da importância de celebrar nossa identidade e herança cultural.

Essa experiência se tornou uma parte essencial do meu percurso, servindo como um lembrete constante da necessidade de reconhecer e valorizar nossa diversidade, de manter nossos sonhos vivos e de lutar por um mundo mais igualitário e inclusivo.