Olá, gente boa!

Se tem uma coisa que me orgulha nessa vida é ser barrista. Sim, com muito gosto! Amo minha terra e faço questão de exaltá-la sempre, especialmente quando o assunto é a nossa arte e cultura. Sergipe pode ser pequeno no mapa, mas é imenso em talento, criatividade e qualidade artística.

Somos um estado pulsante, com mais de 170 grupos folclóricos ativos, repletos de artistas populares, aboiadores, poetas, cordelistas, repentistas… Nosso povo dança, canta, encena, borda, entalha e encanta. E como sempre gosto de lembrar — até ser ouvido —, temos manifestações como o São Gonçalo, o Cacumbi, os Parafusos, a Chegança, os Bacamarteiros, o Samba de Pareia, de Coco, de Roda e de Aboio, a Batucada, a Pisa Pólvora, a Sarandagem, os Reisados, os Guerreiros, os Lambe Sujos e Caboclinhos.

E temos nomes que iluminam essa estrada: Pedrinho Mendonça, Chiquinho do Além Mar, Sergival, Sena, a única Amorosa, Vem Vem do Nordeste, Virgínia Fontes, Luiz Fontinele, João da Passarada, Erivaldo de Carira… E tantas e tantas outras e outros: poetas, escritores, artistas visuais, músicos, bailarinos, atores e atrizes que fazem minha alma vibrar de orgulho.

Eu vivo — e sobrevivo — das artes e da cultura. Devo tudo a essa escolha. Às vezes repito isso demais, eu sei. Mas repito até que alguém escute. Porque defender nossa cultura não é discurso bonito — é resistência.

Dito isso, preciso contar como foi a noite de ontem no Arraiá do Povo, essa grande festa promovida pelo Governo de Sergipe, através da FUNCAP e sua equipe, com a coordenação competente de Gustavo Paixão. E no comando maior, o governador Fábio Mitidieri — que, sinceramente, não sei como dá conta. Só de ver a agenda dele já canso. E lá estava ele, no último dia da festa, ainda com energia e entusiasmo, celebrando com o povo.

Foi uma noite inesquecível. No palco, dois ícones da música brasileira: Flávio José e Elba Ramalho — que dispensam comentários. Mas foi também a noite de dois grandes artistas da nova geração sergipana, dois talentos que acompanho desde sempre e que enchem meu coração de esperança: Pedro Lua e Mestrinho.

Pedro Lua é um desses seres iluminados. Vi nascer. Filho do amigo Rogério, um artista que também carrega talento no sangue. Desde pequeno, Pedro foi cercado de afeto, arte e boa música. Inteligente, sensível, ótimo compositor e cantor que canta suas verdades com doçura. Lembro bem: estava eu na Secretaria de Cultura quando Amorosa apareceu com ele, pedindo apoio para a gravação de um disco em homenagem ao pai. Apoiei sem pensar duas vezes. O resultado foi um trabalho lindo, e desde então Pedro só cresceu. Hoje, é um ídolo em formação, e tenho certeza: vai ganhar o Brasil com sua autenticidade e talento.

E Mestrinho… Ah, Mestrinho é gênio! Entrou no meu estúdio, o Capitania do Som, aos 15 ou 16 anos, para gravar sua primeira participação em um estúdio profissional. Tímido, segurando a sanfona de seu pai, Erivaldo de Carira. Alguns ficaram com receio, não sabiam o que esperar. Mas bastou ele abrir a sanfona e tocar — como gente grande! Naquele momento, sabíamos: estávamos diante de algo raro. Hoje, Mestrinho é artista internacional, herdeiro legítimo do mestre Dominguinhos, símbolo vivo do autêntico forró. Músico completo, compositor, arranjador e — cada vez mais — um excelente cantor.

Dois meninos que vi nascer, crescer e se transformar em gigantes da nossa música. Dois grandes shows, com o povo na chuva, cantando e dançando junto. Que beleza!

E para marcar esse momento especial, presenteamos Mestrinho com uma obra de arte, como reconhecimento de uma obra em movimento. Um quadro exclusivo, pintado pelo também talentoso sergipano Ribeirinho de Propriá, o artista plástico Jo’k. Um retrato cheio de cor e alma, selando a força da arte que brota da nossa terrinha.

Sigo assim: repetitivo, ranzinza, briguento, mas coerente. Sigo defendendo com unhas, versos e vozes a nossa música, nossa cultura e nossa identidade. Faço isso como artista, como gestor, como cidadão. Faço porque acredito que Sergipe merece estar no topo — e porque não aceito que sejamos invisibilizados. Não mais.

Viva Pedro Lua! Viva Mestrinho! Viva a Sergipanidade!