Olá gente boa,

Salvando a audiência do programa do Mion, que tem à função como a rede Globo promover uma cultura midiática de baixa qualidade em busca de likes, streams e engajamento nas redes sociais, e que, se não alcança esses objetivos, é cancelada, tiveram que dar vários passos atrás e buscar na qualidade musical brasileira a solução para os grandes fracassos de audiência.

Colocaram no ar os irmãos de Santo Amaro, Caetano Veloso e Maria Bethânia, em uma jogada de mestre de Paula Livigne para mostrar e provar que nosso maior produto é a música de qualidade. Quando momentos como esses acontecem na televisão atual, é para ajudar os artistas que saíram da mídia, e eles, com tão bom coração, fazem isso. Dessa vez, estava em jogo a salvação do programa, e o Caldeirão do Mion teve talvez sua maior audiência. E foram honestos: quando Mion agradeceu quase aos prantos a presença deles com suas histórias e canções. Canções eternas, que marcaram e marcam a vida de todos os brasileiros, canções de rebeldia, paixão e ousadia que ecoam em nossas vidas. Acorde, Brasil, a cultura e a arte não são os vilões deste país, mas sim a salvação. Em algum momento e em alguma situação, até o mais rude dos seres humanos tem uma música, uma cena, um poema, uma pintura, versos de cordel, ou textos que tocam em algum lugar da mente e do coração humano.

Caetano e Maria Bethânia, junto com outros grandes nomes da nossa música brasileira, representam uma geração produtiva, criativa e ousada, que enfrentou tudo e todos para seguir em frente. Uma caminhada para desfazer os preconceitos, demonstrar nossa identidade, combater o autoritarismo, a ditadura, os opressores, e defender a liberdade. Para mim, arte é algo que me faz vibrar, é uma intuição subjetiva do artista objetivada no meu sentir. Arte é algo que proporciona prazer, paz, alegria, tristeza, que emociona e faz rir, gargalhar, é aquele momento em que você não é puxa-saco, mas grita “bravo”, “lindo”, “maravilhoso”, e uma lágrima desce no canto do olho.

Isso é ouvir Caetano e Bethânia, Sorrir com o Menino Maluquinho de Ziraldo(vá em paz), ver os corpos bailando de Lu Spinelly e Cecilia Cavalcante, testemunhar a força e interpretação de Gena Karla, Amorosa e Patrícia Polayne, presenciar a atuação de Talita Calixto e Lindolfo Amaral, ver uma obra de Elias e Hortência Barreto, ler uma poesia de Hunald Alencar, ou ser público de Saulinho Ferreira, Alberto Silveira, Ricardo Vieira, Mestrinho, João Ventura e se deliciar com o canto de Rebeca Vieira.

Em tempos de streaming, uma informação para os desinformados: o Music Business Worldwide afirma que só o Spotify abriga 38 milhões de músicas que nunca foram ouvidas e outras 67 milhões que receberam menos de dez streams. A música deve estar viva e presente para todos, e devemos refletir sobre o que estamos fazendo com nossa arte e nossa música.

Convido você a participar comigo no dia 23 de abril, no Museu da Gente Sergipana, do lançamento do livro “Som da História”, no qual conto minha trajetória de vida ao lado de todos os bons músicos, cantores e intérpretes da ótima música sergipana. Espero vê-lo lá.