Olá, gente boa!
Nunca escondi de ninguém meu amor e carinho por Laranjeiras, sua cultura, tradição e, principalmente, por seu povo, mestres e artistas dessa Capital da Cultura Popular. Fiz grandes amigos, como Demar, que me presenteou ontem com uma escultura da Taieira em madeira. Foi com ele e tantos outros que aprendi muito do que aplico na minha jornada de vida, como os Mestres Zé Rolinha, Nadir, Maria da Conceição, Ciza, Bárbara, Gilda, Antônio Carlos, Gilson, Ademar e Ceiça. Aos artistas, como Mérito, João Pinheiro, Paulo Vitor, Cal, Nogueira, Adamanei, Koka, Wadson, e aos saudosos Mestres Deca, Sales, Dona Nivalda, Dona Ana, Efigênia, Ranulfo, e tantos outros amigos e amigas queridas que me deixam saudades. Por todo o aprendizado e carinho que recebi da cidade, sinto-me na obrigação de defendê-la sempre que necessário, em qualquer circunstância.
Nesta semana de outubro, com os últimos dias para a eleição, estive várias vezes em Laranjeiras para conversar e reencontrar amigos. Entendo que só pela política podemos mudar esses momentos difíceis que a cidade enfrenta, especialmente na minha área, que é a cultura e a arte. A maior riqueza de Laranjeiras é sua cultura e tradição. Por isso, vou votar em Mônica Sobral para vereadora. Tenho certeza de que, com ela, a cidade ficará mais segura e sua riqueza cultural será protegida dos aventureiros de plantão que só querem sugar até o último tostão do povo, comprando votos, se elegendo e depois buscando o retorno do “investimento” através de falcatruas. Mônica estará atenta a tudo isso.
Durante minhas visitas, conversei com muitos amigos e senti o medo e o constrangimento ao falar de política. O medo de ser confrontado pela atual gestão, de perder benefícios, de fazer oposição e acabar perseguido, como aconteceu com Zé Rolinha, por essa gestão arrogante e violenta. Medo de ver sua maior riqueza — sua cultura e memórias — ser destruída. Mas também percebi a imensa vontade de fazer o certo, de dar o troco, de mudar! Mudar sempre que necessário, para melhorar a cidade. Gestores que só melhoram suas próprias vidas, o povo dispensa. Esse é o modelo que defendo em qualquer eleição: se não está bom, mude! Votamos para ter servidores do povo, não seus donos.
Eu também decidi mudar e votar na oposição. Votarei para tentar mudar esse desrespeito à cultura que acredito, para que não mais vejamos a gestão pública se aproveitar da ingenuidade ou da vulnerabilidade emocional dos Mestres para alterar uma tradição. Assuntos relacionados aos grupos de cultura popular devem ser resolvidos dentro do próprio grupo ou manifestação, e não em gabinetes ou tribunais. Os que estão no poder precisam entender que ele é passageiro, enquanto o poder dos Mestres e brincantes é eterno, passando de geração em geração. Não podemos mexer no Micareme, no Lambe-Sujo e Caboclinhos, nos grupos culturais, nos terreiros ou nas igrejas e sua fé. Só eles podem querer mudar.
Por isso, declaro meu voto em Martha, pois quero mudança. Voto contra o que está posto, contra o descaso com a cultura, contra o desmantelamento dos grupos e do patrimônio material e imaterial. Voto contra a tentativa de transformar a cultura de Laranjeiras em meras festas de largo para benefícios políticos ou financeiros próprios.
Queridos laranjeirenses, vocês conhecem cada um que passou pela cidade e sabem o que eles representam. Sempre digo: todo povo merece o governo que tem, afinal, somos nós que escolhemos nossos representantes. Eu voto em Mônica e Martha.
