Olá, gente boa,

Hoje acordei com uma sensação diferente. Demorei um pouco para entender, até me dar conta: hoje é Dia dos Pais.

Aprendi a ser pai muito cedo. Em 1981, aos 21 anos, comecei a compreender a enorme responsabilidade que é colocar uma criança neste mundo — que já naquela época não era simples e que, a cada dia, parece ficar ainda mais complicado.

Ser pai, para mim, sempre significou cuidar. Não soltar a mão. Estar disponível. Dividir a vida, o tempo, as preocupações, as alegrias e os sonhos com aquele ser que chega pequeno, dependente de tudo, mas que um dia vai crescer, fazer suas próprias escolhas e seguir o seu caminho.

E talvez seja essa a grande missão: cuidar sabendo que um dia eles vão caminhar sozinhos.

Assim fui pai três vezes.

Érica, Tatiana e Tássia, minhas três princesas, cresceram e se tornaram rainhas das próprias vidas. Mulheres independentes, donas de suas escolhas e de seus caminhos.

Nessa parte da história, permitam-me a falta de modéstia: acho que passei de ano. E com nota máxima.

Certa vez me perguntaram por que eu dedicava tanto da minha vida para dar às minhas filhas tudo o que estivesse ao meu alcance: atenção, carinho, presença, educação, segurança, bens materiais e, principalmente, aqueles bens que dinheiro nenhum consegue comprar.

Minha resposta sempre foi curta:

— É minha obrigação.

E continuo pensando assim.

Nenhum filho pede para nascer. Somos nós que fazemos essa escolha. Portanto, cuidar, proteger, educar, amar e preparar para a vida é responsabilidade de quem decidiu ser pai ou mãe.

Às vezes escuto alguém dizer:

— A gente cria, eles crescem e depois esquecem da gente. Nem no Dia dos Pais aparecem…

Pode acontecer. Cada ser humano é diferente. Cada filho fará suas próprias escolhas e seguirá sua própria caminhada.

Mas isso não diminui a nossa responsabilidade. Nós fazemos a nossa parte.

E talvez a maior herança que possamos deixar não esteja numa conta bancária, numa casa ou em qualquer patrimônio. Está no exemplo.

E quando penso nisso, inevitavelmente volto para a minha própria história.

Não recebi do meu pai todos os exemplos que gostaria de ter recebido. Ele fez suas escolhas e, em determinados momentos, nós não estávamos incluídos nelas.

A vida foi assim.

Mas, em compensação, tivemos Susete.

Nossa mãe jamais tentou ocupar o lugar de ninguém. Simplesmente ocupou, com uma grandeza imensa, o lugar que era dela. Deu a mim e às minhas irmãs uma criação digna, cercada de amor, firmeza e valores. E fez de tudo para que a ausência de um pai não se transformasse em frustração, revolta ou amargura.

Talvez por isso eu tenha aprendido também que o tempo muda muitas coisas.

Hoje, aos 91 anos, meu pai continua fazendo parte da nossa história. É uma ligação viva entre gerações, entre minhas filhas, meus netos e tudo aquilo que veio antes de nós.

Com lucidez e uma saúde equilibrada, desejo que ele ainda caminhe por muitos anos, com paz e tranquilidade.

Ele tem o meu respeito e a minha gratidão.

Não porque o passado tenha sido apagado — ele não foi.

Mas porque aprendi que respeitar alguém não significa esquecer a nossa história. Significa não permitir que as dores de ontem determinem quem seremos amanhã.

E essa talvez seja mais uma das grandes lições que recebi de minha querida e amada Susete.

Foi ela quem me ensinou a respeitar até quem não gosta da gente. A não baixar a cabeça diante das dificuldades. A enfrentar o que for necessário para defender aquilo em que acreditamos, sem perder a capacidade de amar, compreender e seguir em frente.Por isso, neste Dia dos Pais, não quero cobrar nada de ninguém.

Quero agradecer.

Agradecer à vida por ter me permitido ser pai.

Agradecer às minhas três filhas por terem me ensinado, cada uma à sua maneira, a difícil e maravilhosa tarefa da paternidade.

Agradecer aos meus netos, porque através deles descubro que o amor também atravessa gerações.

Desejar ao meu pai muita saúde, paz, conforto e vida.

E agradecer, mais uma vez, àquela mulher que me ensinou praticamente tudo o que sei sobre responsabilidade, dignidade, coragem e amor:

Minha mãe, Susete.

Mãe, talvez eu nunca consiga retribuir tudo o que a senhora me deu e me ensinou.

Mas posso continuar tentando honrar seus ensinamentos na maneira como vivo, como amo minhas filhas, como cuido dos meus netos e como procuro respeitar as pessoas que passaram e continuam passando pela minha vida.

A todos os pais, o meu abraço.

Que neste dia a gente lembre-se de que ser pai não é apenas gerar uma vida.

É estar presente nela.

E presença, cuidado e amor são heranças que nenhum tempo consegue apagar.

Feliz Dia dos Pais!