Olá, gente boa.
Sempre me considerei um homem privilegiado. Nunca escondi minhas origens e sempre tive orgulho da família da qual faço parte. Em Sergipe, ela reúne nomes que marcaram a história em diferentes áreas: tivemos um Intendente — cargo equivalente ao de governador na época —, professores, pesquisadores, historiadores, médicos, advogados, empresários e tantos outros profissionais que ajudaram a construir este Estado.
Mas isso nunca me colocou acima de ninguém. Muito pelo contrário. Sempre procurei caminhar com simplicidade, entendendo que sobrenomes podem contar histórias, mas o caráter é construído pelas escolhas de cada um.
Gosto de descobrir, por exemplo, que um dos meus trisavôs foi o primeiro fotógrafo profissional de Sergipe. Também me orgulho de ser primo de Gena Ribeiro, uma das vozes mais bonitas que este Estado já ouviu.
Talvez a ousadia de viver da arte tenha começado lá atrás, passando por ele, chegando até mim, depois por Gena Ribeiro, Tiago Ribeiro e tantos outros primos e sobrinhos que hoje fazem da cultura o seu modo de viver.
Entre eles está um dos maiores fotógrafos documentais do Brasil: meu primo e afilhado, Alejandro Zambrana.
Ao seu lado, sua irmã Karine Zambrana também construiu uma trajetória de excelência na fotografia, formando uma família onde a arte parece correr naturalmente pelas veias.
Alejandro nasceu em 1978, em São Paulo. Filho do boliviano Gustavo Zambrana e da minha querida tia Avany Fontes, ainda criança veio morar em Aracaju, terra natal de sua mãe.
Tive a honra de ser seu padrinho de batismo. Eu tinha apenas dezoito anos. Foi a primeira vez que segurei um bebê para assumir uma responsabilidade tão bonita. Lembro daquele menino nos braços como se fosse hoje. Talvez tenha sido naquele instante que comecei a sonhar em ser pai, sonho que a vida depois realizou ao me presentear com três filhas maravilhosas.
Seu pai, Gustavo, era fotógrafo amador e também despertou em mim o gosto pela fotografia como hobby. Alejandro cresceu vendo câmeras, lentes, filmes e imagens. Enquanto muitos brincavam de carrinho, ele brincava de descobrir o mundo através da objetiva.
Era apenas questão de tempo.
Em 2002 ingressou no curso de Rádio e TV da Universidade Federal de Pernambuco, formando-se em 2007. Mas a fotografia já havia conquistado definitivamente seu coração.
Mais tarde buscou aperfeiçoamento internacional. Em 2013 iniciou o Mestrado em Fotografia Documental Contemporânea na Escuela de Fotografía y Centro de Imagen (EFTI), em Madri, concluído no ano seguinte.
Durante sua formação integrou o coletivo Trotamundos, em Aracaju, onde teve contato com grandes mestres da fotografia sergipana, como Lineu Lins e Marcel Nauer, que ajudaram a lapidar um talento que já era evidente.
Mas Alejandro nunca foi apenas um fotógrafo. Ele é um artista do olhar.
Seu interesse sempre esteve voltado para aquilo que muitas vezes passa despercebido: a cultura popular, a religiosidade, as pessoas simples, os rituais, a vida cotidiana.
Nas suas fotografias existe muito mais do que técnica. Existe respeito. Existe escuta. Existe sensibilidade.
Talvez carregue do pai boliviano a força das raízes latino-americanas. Da mãe, Avany, herdou o amor da família pela cultura. E gosto de imaginar que também exista um pouco da herança de Benjamim Francisco Brandão, seu tetravô; da paixão pela pesquisa de seu tio-avô José Calazans; e, quem sabe, alguma influência deste velho padrinho que sempre acreditou que a cultura é uma das formas mais bonitas de compreender o mundo.
Seu trabalho autoral dedica-se principalmente à documentação da cultura popular e do universo religioso, utilizando a cor como linguagem poética e contemporânea.
Alejandro fotografa pessoas. Mas, na verdade, registra sentimentos. Congela instantes que jamais voltarão a existir.
Como dizia Peter Adams:
“Uma boa fotografia tem a ver com profundidade de sentimento, não com profundidade de campo.” É exatamente isso que vejo em sua obra.
Suas imagens já foram publicadas no Anuário Bex, na Revista Old nº 19 e em publicações da Organização Pan-Americana da Saúde e do Ministério da Saúde, além de receber diversas premiações e menções honrosas em importantes concursos nacionais de fotografia.
Sua câmera percorreu romarias em Juazeiro do Norte, os rituais dos Lambe-Sujos e Caboclinhos, as Taieiras, comunidades indígenas e inúmeros territórios onde a cultura se manifesta de maneira viva e profunda.
Realizou mais de uma dezena de exposições individuais no Brasil e teve trabalhos apresentados em Medellín, na Colômbia; Madri, na Espanha; e Washington, nos Estados Unidos.
Hoje atua como fotógrafo documental e videomaker da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. Há mais de quinze anos percorre aldeias indígenas e diferentes regiões do Brasil documentando ações de saúde, culturas tradicionais e histórias humanas que poucos brasileiros têm a oportunidade de conhecer.
Sempre digo que existem fotógrafos que registram paisagens. Outros registram acontecimentos.
Alejandro Zambrana fotografa pessoas. E quando fotografa pessoas, consegue registrar aquilo que não aparece diante da câmera: a alma.
Tenho muito orgulho de ser seu padrinho. Tenho muito orgulho de ser seu primo. E, acima de tudo, tenho muito orgulho de vê-lo levando o nome de Sergipe para o Brasil e para o mundo através da arte.
Quem quiser conhecer melhor seu trabalho, vale a visita ao seu portfólio:
