Olá, gente boa!

Produzimos no Estúdio Capitania do Som o álbum “Impressões Urbanas” de Claudio Barreto, um trabalho fantástico dirigido e arranjado por Valdo França, com a participação dos melhores músicos sergipanos, como Valdo França, Álvaro, Rômulo Filho, Gilson Batata, Pedrinho Mendonça, Gentil, Carlinhos & Souza.

Decidimos lançar o CD, que contém músicas maravilhosas, no Teatro Atheneu. Assumi a direção e produção do show, com uma equipe de profissionais qualificados. Além dos músicos que participaram da gravação, tivemos a presença de convidados especiais. A formação da banda foi a seguinte: Valdo França na direção musical e teclados, Rômulo Filho na bateria, Robson no baixo, Chirude na guitarra, Marilda e Sandra nos vocais, J. Gentil, Sousa e Carlinhos nos instrumentos de sopro, e Pedrinho Mendonça na percussão. A iluminação ficou a cargo de Denys Leão, o som por Ricardo Sá, e tivemos a participação especial da bailarina Cecília Cavalcante.

Nossa intenção era promover e apresentar um grande compositor e cantor sergipano, Claudio Barreto. Claudio havia acabado de vencer o Festival do Banese, o que nos ajudou muito, apesar da falta de apoio efetivo do próprio banco na promoção e realização desse projeto. Carreguei os CDs e Claudio no meu carro, e visitamos várias estações de rádio, canais de TV e jornais, apresentando e solicitando apoio para tocar o CD e promover o show.

Deixamos a estação que consistentemente fazia um excelente trabalho com a boa música brasileira por último, a Liberdade FM. É uma rádio de alta qualidade, com programação incrível e excelentes profissionais, dirigida por Antônio Rollemberg, um amigo-irmão meu. Visitei Antônio, mostrei o trabalho e ele imediatamente ligou para a estação, falou com Pina Ramos, outra grande amiga que infelizmente já faleceu, e disse que eu estaria passando por lá e que a rádio apoiaria totalmente o projeto. E assim foi, fui à estação e fui recebido pelo diretor de programação da época. Ele ouviu a música, fez alguns comentários, e disse que consideraria onde encaixar as músicas. Em seguida, ele compartilhou uma antiga mágoa que tinha com os artistas sergipanos, mencionando que Roberto Carlos costumava lhe enviar um cartão de aniversário, e que um certo artista sempre o visitava quando vinha a Aracaju, mas os artistas de Sergipe nunca agradeciam quando suas músicas tocavam na emissora.

Naquele momento, não pude entender completamente o ressentimento dele e respondi, sem confrontá-lo, que os artistas nacionais têm recursos para lembrar o aniversário de um importante diretor de programação, entre outras coisas. Tentei argumentar mais, mas percebi que não adiantaria. Então, mencionei que era amigo pessoal do dono da emissora, deixei o material e saí.

Antes de voltar ao meu amigo Antônio, pensei nas perguntas do programador e percebi que ele tinha um ponto. Não podia culpar os artistas por não manterem boas relações dessa forma, mas também entendi que a situação não era simples. No entanto, eu sabia que precisava agradecer ao Antônio pela parceria e discutir a visita. Conversamos, eu relatei o que aconteceu e tentei explicar a situação. Inicialmente, Antônio ficou um pouco chateado, mas depois das minhas explicações, ele fez a proposta mais inesperada naquele momento. Ele disse: “Neu, quero que você apresente um programa sobre música sergipana na minha estação.” Eu não sabia como reagir, mas concordei e disse que pensaria em como fazer isso. Antônio então sugeriu que conversássemos com Hélvio Doréa, seu amigo, um gênio da publicidade que nos ajudaria a moldar esse projeto. Dias depois, nos reunimos na Agência Conceito, e após nossa conversa com Hélvio, saímos de lá com o nome do programa e o slogan: “Nossa Música”. O programa que vai provar o quanto você já gostava da Nossa Música e nem sabia.

O primeiro programa foi ao ar em 14 de julho de 2000, e permaneceu no ar por mais de 4 anos, transmitido todos os sábados das 17h às 19h. Desenvolvemos um segmento chamado “Música da Semana”, onde escolhíamos uma música no programa, e ela era reproduzida de seis a doze vezes por dia na programação diária da estação. Foi o momento em que a música sergipana encontrou um lugar nas ondas do rádio. Mais tarde, fomos convidados pela FM Aperipé, a convite de Indira Amaral, outra figura importante na promoção cultural do estado, e continuamos com o “Nossa Música”.

Essa grandiosa experiência só foi possível graças ao meu amigo Antônio Rollemberg, à criatividade de Hélvio Dórea e Tina Ramos, que trabalharam incansavelmente para encontrar patrocinadores, e aos artistas que me deram muito apoio e incentivo. Os números do “Nossa Música” mostram a sua importância. Foram mais de 600 programas com 600 músicas da semana e 9.000 execuções da música sergipana.