Olá gente boa,
No terreiro dessa vida
Onde a gente se encontra,
Tem quem soma, tem quem fere,
Tem quem cura, tem quem afronta.
Mas eu digo sem rodeio:
Respeito é raiz, é ponte,
É luz firme no horizonte
Que ilumina o nosso seio.
Consciência não tem data,
Nem precisa feriado.
É bandeira que se levanta
Todo dia, de todo lado.
Seja negro, branco ou índio,
Seja o rico ou o sem chão…
Quem planta amor no coração
Colhe um mundo mais bonito.
Cego Aderaldo diria
Na viola de brasão:
— “O preconceito é vendaval
Que desmancha a plantação.”
E Bráulio, com sua calma,
Tocando a alma da gente:
— “O amor é mais resistente,
Feito pedra que não quebra.”
O racismo estrutural,
Esse monstro encastelado,
Fere, corta, humilha e mata,
Segue sempre disfarçado.
E o pior é ver malandro
Se alimentando da dor,
Fazendo lei virar favor
E a justiça virar pranto.
O discurso de ódio cresce
Na boca de aproveitador,
Que não quer mudar a base,
Nem conhece o que é amor.
Vive da briga plantada,
Da discórdia bem regada,
Do ruído sem razão.
Mas o povo já cansou:
Quer é paz no coração.
Eu digo na minha lida,
Como quem fala de fé:
Consciência negra, sim,
Todos os dias, pois é.
Mas também consciência humana,
Que reúne toda a gente,
E faz do abraço presente
Um lar novo pra semana.
Somos todos folha e galho
De um só tronco universal,
E a cor que pinta o caminho
Nunca fez ninguém desigual.
O que vale é a caminhada,
A bondade compartilhada
E o respeito que nos guia.
Seja noite ou seja dia,
Consciência é ser humano.
