Olá gente boa,
Fico aqui matutando como fazer com que o povo de Sergipe se apaixone pela nossa arte como se apaixonou pelo tal Morango do Amor — aquele primo metido da Maçã do Amor, que a Kings Kilo já fazia nos anos 90, e a gente devorava feliz depois do almoço. Uma receita açucarada, recheada com leite condensado, envolta em açúcar cristal crocante, que derrete o juízo e adoça o bolso de quem teve a ideia. Nos tempos de hoje prefiro o que a “Nutrimia” faz, muita mais saudável, puxando a sardinha para meu lado.
Hoje, com as redes sociais, o que não falta é informação — e desinformação. O negócio agora é viralizar. Basta um estalo, um capricho bem editado, e pronto: nasce um novo desejo nacional! Quando é só um morango travestido de iguaria gourmet, tudo bem… você mata o “sinhô” de diabetes, mas pelo menos deixa alguém feliz e economicamente ativo.
O problema é quando essas mensagens açucaradas se tornam veneno. Quando causam danos reais a crianças, adolescentes e adultos que, fragilizados, acreditam em mentiras travestidas de verdade. Quando um cidadão comum, que só queria cuidar da família, trabalhar e sonhar com uma vida melhor, é fisgado por teorias cretinas espalhadas por falsos salvadores da pátria — ou melhor, dos Frascos e Comprimidos.
Esses profetas do absurdo não suportam um “não”, odeiam crítica e fogem de julgamento como o diabo da cruz. Estão por toda parte — travestidos de líderes, mas agindo como marginais com diploma. Vendem ódio embalado em nome de um “deus” particular que só promete o mundo e o fundo… para eles, é claro.
E haja estômago para tanto: já estou até aqui de Nicolases, Eduardos, Zambelis, Maltas e Rodrigos — filhotes de canalhas, misóginos, racistas e fascistas de carteirinha, que odeiam a vida e se acham mais iluminados que o resto da humanidade.
E por aqui, em terras sergipanas, temos os nossos filhotes de “cruz-credo”. Tem cabra que parece saído direto de um sketch cômico, mas infelizmente é real. Um sujeito que vive em guerra com a própria gente só pra ganhar um like. O foco da vez? Uma banda de samba! Isso mesmo. E tudo porque confundiu “Samba do Arnesto” com “Samba do Honesto” — já que, na cabeça dele, só existe um honesto no mundo: ele mesmo. Se aparecer outro, é caso de extermínio!
Esse “abençoado” ser que diz defender a liberdade de expressão (dele, é claro — dos outros, nem pensar!), resolveu que o palco, que é lugar de arte, crítica e vida pulsante, deve se calar. Se um artista ousa dizer algo com que ele não concorda, vira inimigo público número um! E ele, que quase nunca dá as caras nas sessões, onde deveria trabalhar, aparece só pra espalhar imbecilidade, como se fosse o líder supremo do nada.
E o alvo da vez, pasmem, é a banda sergipana Samba do Arnesto, formada por jovens que suam a camisa — ou melhor, o cavaquinho — pra viver da música. Gente que trabalha, que alegra, que dá cor e som à cidade. Que leva cultura onde o sujeito jamais pisou. E com certeza faz mais pelo povo do que ele já pensou em fazer.
A banda composta por músicos e amigos Rafael Oliva, Roque Sousa, João Alberto di Lins, Lucas Matos e Nonato Matos. Em 2024, o Arnesto completou 12 anos de existência, um marco na história da banda, que conta ainda com participações em grandes eventos, como festivais, réveillon, e acumula prêmios de destaque da cultura, medalha Beatriz Nascimento da ALESE e reconhecimento do Bloco de Carnaval “Vem Ni Mim Arnesto” como patrimônio imaterial cultural de Aracaju.
Talvez o nobre edil não goste de música ou da cultura. Uma pena. Mas ainda dá tempo: ouve um sambinha, quem sabe um forrozinho raiz, um bom espetaculo… talvez melhore o humor, a alma, e o desvio de rota para o inferno perca o GPS. Porque, do jeito que vai, se Lúcifer chamar, nem escala no purgatório vai ter.
E viva ao Samba do Arnesto e a cultura de Sergipe.
