Esta semana, ao revisitar minhas antigas fotografias, refleti sobre como a minha geração contribuiu significativamente para Sergipe. Nasci em 1960, apenas sete dias após a inauguração de Brasília. Testemunhei a ditadura militar e seu declínio, o desenvolvimento industrial e o crescimento econômico. Fui parte de uma geração marcada pela transgressão de padrões de valores estabelecidos, um movimento que não apenas negava, mas também afirmava novos valores.

Nos Estados Unidos, durante esse período, surgiu o movimento contracultura, que abrangeu política, arte (poesia, música, cinema, artes plásticas), educação e relações pessoais (família, amor, sexo, comunidade). Nomes como Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, a banda The Doors, o guitarrista Santana e o icônico festival Woodstock se destacaram.

No Brasil, no final dos anos cinquenta, a Jovem Guarda surgiu como uma contraposição ao tradicional. Nos anos 60, a contracultura tomou as ruas, dando origem ao cinema novo, à Tropicália e ao cinema marginal. Artistas como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Tom Zé, Rita Lee (na música), Hélio Oiticica (nas artes plásticas), Glauber Rocha, Rogério Sganzerla (no cinema) e Zé Celso Martinez Corrêa (no teatro) marcaram essa época.

Uma inovação importante para nossa geração foi a televisão, que ampliou as ondas do rádio, mantendo-nos antenados no mundo e em seus acontecimentos. Ouvíamos desde Roberto, Erasmo, Caetano até Gil. Milton Nascimento, Chico Buarque, acompanhávamos o cinema brasileiro e éramos impactados diretamente pela ação da ditadura militar. Envolvidos na luta pela liberdade e democracia, meu grupo, Entre Amigos, composto por mim, Emanuel Dantas, Alexi Pinheiro, Genival Nunes e Denys Leão, enfrentava a ditadura com shows que abordavam temas de mudança e democracia, como o espetáculo “Brasil Conversa de Fome”.

Essa geração gerou homens e mulheres de luta, amigos de infância, vizinhança e escola. Crescemos imersos na busca pela liberdade, luta e arte. Destaco figuras como Marcelo Deda, um brilhante orador que se tornou Deputado, Prefeito e Governador, sendo motivo de orgulho para nós. Edvaldo Nogueira, colega de colégio Salesiano, transformou-se em um agitador no movimento estudantil e um político de sucesso, ocupando cargos de Vereador e Prefeito em Aracaju.

Na música, compartilhei momentos marcantes com Lula Ribeiro, Mingo Santana, Mary e Marlene Barreto, Vertinho Moraes, Luiz Alberto, Joésia Ramos, Cal Alencar, Marcos Passos, Maurício Botto, Rubens Lisboa, Carlinhos Menezes, Rogerio, Gilson Batata, Chico Queiroga, Cicero Farias, Marcos Aurélio, Nino Karvan, Jeferson Bosco, Paulo Lobo, Walter Nogueira, Minho San Liver, Antônio Rogerio, Gil Castro, Doca Furtado, entre muitos outros nomes importantes da nossa música. Além disso, destaco amigos como Luciano Nascimento, Nilton Inhaquite, Cesar Brito, Mario Brito, Paulo Bedeu, Ricardo Mucio, Cezário Siqueira, Susana Azevedo, Roberto Bispo, Jorge Lins, Abelardo Neto, Alberto Alcosa, Antônio Rolemberg, Hélvio Dórea, Manuel Vasconcelos, Carlos Eduardo Max, Wilson Gois, Vanderlei de Jesus, Valadão, minhas irmã Ana Susete, Sandra América e Simone Fontes, entre tantos representantes de uma geração que, à sua maneira, mudou o mundo.