Olá, gente boa!

Já contei por aqui que sou um sujeito de sorte. Nasci cercado de mulheres — e não de qualquer tipo, mas daquelas que não pedem licença pra existir. Cresci sob o olhar firme de minha mãe Susete, das minhas tias Magarethe e Ielda, de Avani e Dorinha, das minhas avós guerreiras Marocas e América, e dessa filósofa de plantão que foi minha bisavó Noemi. Ainda menino, vi a garra de Nubia Marques, Maria Thetis Nunes, Aglaé Fontes, Beatriz Gois. Caminhei ao lado de Lú Spinelli, Ilma Fontes, Ione e Mônica Sobral, Amorosa, Gena Ribeiro — mulheres que nunca esperaram que abrissem a porta. Arrombaram logo com um sorriso.

E pra completar a sorte, casei com dona Cássia. Tenho três filhas que valem por uma bancada inteira da ONU:

Érica, minha doutora em Acupuntura e especialista em Marketing — fura até bloqueio energético.

Tatiana, a CEO das finanças e defensora dos direitos de todo mundo — delicada, mas não invente de testar a ternura dela.

Tássia, nutricionista e gastrônoma, empreendedora nata — sempre de olho no próximo território que vai conquistar.

E agora Hellen, minha neta, linda como eu digo — e ela responde: “Eu sei”. Pois é. Elas todas sabem. E me ensinaram uma verdade: nós, pobres homens, precisamos muito mais delas do que elas de nós.

Por isso, se me perguntarem, eu trabalho com mulher sem pensar duas vezes. E se além de forte for talentosa, aí, como dizia meu avô, eu arreio logo os quatro pneus.

Na dança, me encantam Lú, Cleanis, Dorinha, Iracema, Cecília.

No teatro, Izabel, Valmir, Virgínia, Talita.

No dia a dia, Tiara, as Grazis, Dani, Celiene, Glórias, Marias, Lilis e Tatianes.

Na música, minhas eternas: Elis Regina, Gena Ribeiro, Clemilda, Dolores, Madrinha, Elisa, Amorosa, Cris, Bruna, Marilda, Sandra, Virginia,  Sônia, Luana, Lú, , Dany — uma constelação que guia meu ouvido.

E nos últimos tempos, entre vinis, guitarras e sanfonas, comecei a prestar atenção num outro território: as pickups. Já passou a fase de discutir se DJ é músico ou não — quem domina uma pista só com máquina fria e alma quente é artista, sim senhor. E entre Helder Aragão (DJ Dolores) e Alisson Couto (DJ Maraio), vi que as mulheres também tomaram esse front.

Lá fora, brilham Charlotte de Witte, Peggy Gou, Nina Kraviz. Aqui, Adriana Recchi, Larissa Lahw, Afreekassia, Subúrbia. E em Sergipe, nossas valentes:

Eletrônico: Afrodite*, Gessana, Axshy, Kathya Dark, Lôra Pau-Ferro. Funk: Esther Alencar*, Mavi, Thay, Cat, Ju Farias, Lilith Sparks.
Infantil: Julie Raposinha*. Alternativo: Gabi Neguin*.

E no meio dessa constelação, uma estrela começou a brilhar com mais força — e não por sorte, mas por insistência. Porque ela não pede, ela chega realizando, Anny Brito a nossa Dj Anny B.

Conheci Anny B quando presidia a Funcaju. Ela apareceu num evento, se apresentou e — em cinco minutos já tinha contado vida, obra e projeto. Vende seu peixe como quem oferece um tsunami com glitter.

Sergipana de Aracaju, mais de 16 anos de carreira, produtora musical, produtora de eventos, palestrante, RP, mãe e sonhadora profissional. Hoje, é referência nacional e carrega o Nordeste na alma e nas batidas.

Já brilhou em dois palcos do lendário Universo Paralello, passou por templos como D-EDGE, Warung Tour, Deputamadre, Cafe de La Musique e Womens Music Event. É presença constante nas listas das mais influentes da cena eletrônica brasileira — Top 57 da DJane Mag Brasil — e foi eleita Protagonista Regional pela House Mag.

Ela não espera ser convidada, ela se apresenta para o trabalho — abriu caminhos onde antes só havia silêncio. Em 2023, escreveu seu nome na história ao se tornar a primeira mulher nordestina, em 27 anos de existência do festival XXXPERIENCE, a subir ao palco principal. Um feito que ultrapassa a conquista individual: um marco para a música eletrônica brasileira e para todas as mulheres que insistem em dançar onde disseram que elas não podiam pisar.

E quando Anny B toca, não é só som — é território sendo expandido. Suas mixagens cruzaram fronteiras, furaram algoritmos e já ecoam nos sets de DJs internacionais, como o português Pete Tha Zouk,

Anny é dessas forças que nascem no Nordeste e ganham o mundo sem pedir licença — com identidade, com elegância e com BPM.

Ser artista nunca foi fácil. Mas como ela prova, é impossível ser outra coisa. Anny B não é apenas DJ — é movimento. É afirmação.
É Sergipe nas pickups.