Olá, gente boa,
Nunca fui um grande estudioso.
Não era daqueles que passavam horas e horas diante de um livro, atravessavam noites em claro estudando para tirar uma boa nota ou decoravam páginas e páginas para uma prova. Se fiz isso duas ou três vezes na vida, foi muito.
E, mesmo assim, nunca perdi um ano.
Qual era o segredo?
Alguns colegas diziam que eu colava. Outros juravam que era sorte. Tinha ainda quem dissesse que, como eu jogava handebol no Colégio Salesiano, os padres facilitavam a minha vida. Nada disso.
O segredo, na verdade, veio de uma lição que aprendi muito cedo com minha mãe, Susete.
Ela dizia: “Preste atenção na aula. Pergunte. Tire todas as suas dúvidas. Pesquise. E só saia da escola quando tiver entendido. Porque, se chegar em casa sem saber, eu não vou saber e nem vou ter tempo de procurar para lhe ensinar.”
Foi assim que cresci. Aprendi a prestar atenção. A perguntar. A observar. A desconfiar das respostas fáceis. E, principalmente, a procurar informação antes de formar uma opinião.
Talvez por isso eu nunca tenha conseguido enxergar o mundo apenas de um lado.
Participei diretamente da criação do PT em Sergipe, mas deixei a vida partidária ainda no começo dos anos 1990. Desde então, procuro escolher meus candidatos não pela sigla, mas pelas pessoas.
Quero saber quem são, o que fizeram, o que entregaram, como trabalham e o que pretendem fazer.
Confiança, capacidade de trabalho, honestidade e resultado pesam muito mais para mim do que a cor de uma bandeira partidária.
Afinal, político não é dono do povo. Muito menos patrão. É funcionário da população.
Neste ano, minha decisão foi mais fácil do que imaginava.
Quando terminei minhas escolhas, percebi que havia transformado meu voto numa verdadeira mistura de números, partidos e posições políticas. E está tudo bem.
Para presidente, meu voto é 13. Voto em Lula porque, olhando sua trajetória e seus governos, reconheço nele um estadista com experiência, projeção internacional e uma história marcada por políticas de combate à fome, redução da pobreza e inclusão social.
Aos 80 anos, continua defendendo a soberania brasileira e enfrentando, sem baixar a cabeça, quem tente tratar o Brasil como um país menor.
E existe uma razão que, para mim, tem um peso especial: a cultura.
Dediquei mais de 45 anos da minha vida à arte e à cultura e, por isso, observo com muita atenção o espaço que cada governante reserva para esse setor. Cultura não é enfeite. É identidade, cidadania, educação, economia, emprego, renda e desenvolvimento.
Por isso, nessa escolha, não tenho dúvida.
Para governador, voto 55, Fábio Mitidieri. E quem discordar de mim pode fazer exatamente aquilo que sempre procurei fazer: pesquisar.
Olhar os quatro anos de governo, comparar propostas, obras, investimentos e resultados.
Vejo em Fábio um governador jovem, determinado e com uma característica que considero fundamental: a ambição de ver Sergipe crescer.
É desenvolvimento, trabalho, emprego e renda. É pensar grande mesmo governando um estado pequeno territorialmente.
Na área que conheço e à qual dediquei minha vida, vejo ainda uma decisão que considero histórica: colocar a cultura como protagonista de uma estratégia de desenvolvimento.
Não apenas cultura como evento. Não apenas cultura como festa. Mas cultura como economia, turismo, identidade, geração de oportunidades e desenvolvimento humano. É uma visão que defendo há muitos anos.
Por isso, antes de escolher, fiz a pergunta que considero essencial para qualquer candidato: O que você fez? O que entregou? E o que pretende fazer?
Para senador, meu voto é 123, Edvaldo Nogueira.
Edvaldo é meu amigo desde os tempos de escola. Somos da mesma geração. Mas amizade, sozinha, nunca seria motivo suficiente para entregar meu voto a alguém.
Eu olho a trajetória. Foi quatro vezes prefeito de Aracaju. Administrou a cidade durante anos e deixou realizações que podem ser vistas, visitadas, discutidas e avaliadas. Foram mais de 200 obras em seu último ciclo de governo, além de intervenções que transformaram bairros, melhoraram a mobilidade, aproximaram comunidades e levaram serviços públicos para lugares onde eles faziam falta. Edvaldo construiu pontes no sentido literal e também no sentido humano da palavra.
Diminuiu distâncias. Transformou lugares. Transformou vidas. Agora, quer levar essa experiência para o Senado.
E é justamente isso que espero dele: que ajude a diminuir outra distância, talvez uma das maiores que existem hoje no Brasil — a distância entre a política nacional e a vida real das pessoas.
Quero senador discutindo desenvolvimento, educação, saúde, cultura, emprego, cidades e futuro.
Quero alguém que compreenda que mandato não pode ser resumido a distribuir emendas. É preciso pensar o estado e o país.
No campo progressista existem ainda nomes como Iran Barbosa e Rogério Carvalho. Cada eleitor deve fazer sua escolha. Mas faço apenas uma recomendação: antes de decidir, pesquise. Compare. Procure saber quem fez, quem entregou, quem trabalhou e quem apenas falou.
Eu fiz isso. E escolhi Edvaldo.
Para deputado federal, minha escolha também mistura política e uma relação construída ao longo da vida.
Voto 4010, Elber Batalha. É amigo, quase irmão. Mas, novamente, amizade não basta.
Meu voto leva em consideração sua competência, coerência, profissionalismo, coragem e dedicação ao trabalho. Voto sem medo e com a convicção de que teremos um homem de valor na Câmara dos Deputados, preparado para defender Sergipe e participar dos grandes debates nacionais.
Para deputado estadual, existem vários nomes que considero qualificados e que merecem ser pesquisados e conhecidos. Luciano Bispo, Zezinho Sobral, Danielle Garcia, Jorginho Araújo. Eu já fiz a minha escolha. Mas cada um deve fazer a sua.
No final das contas, meu voto virou uma mistura de números e partidos. E talvez isso diga muito sobre a maneira como enxergo a política. Não entrego minha consciência a uma sigla.
Partidos são importantes para a democracia, têm história, princípios e programas. Mas quem faz política, todos os dias, são pessoas. São elas que assumem compromissos. São elas que administram. São elas que votam. São elas que acertam. E são elas que também precisam responder quando erram.
Por isso, continuo preferindo o olho no olho e a palavra na palavra. Não preciso que todos pensem como eu. Aliás, democracia seria muito sem graça se todos pensassem igual. Essa é a minha escolha, construída a partir daquilo que vivi, observei, pesquisei e acredito.
Você pode concordar. Pode discordar. Pode escolher outros candidatos. Está tudo certo.
Só não abra mão, assim como eu de uma coisa: procure saber em quem está votando.
Não escolha apenas porque alguém mandou. Não escolha porque recebeu um vídeo no WhatsApp. Não escolha pelo grito mais alto, pelo medo ou pelo ódio. Pesquise. Pergunte. Compare. Veja o que cada um já fez e o que realmente tem capacidade de fazer.
Foi isso que minha mãe, Susete, me ensinou ainda menino: antes de sair da sala, procure entender. Continuo fazendo isso até hoje. E quanto aos meus candidatos, resolvi contar.
Afinal, dizem que o voto é secreto.
Mas eu nunca gostei muito de segredos.
