Olá gente boa,
Sempre que vou ao teatro, sinto-me forte e feliz. Ouvir uma boa música, assistir a um show bem produzido, ou presenciar um espetáculo de dança ou teatro é sempre um ato de iluminação e aprendizado para mim. Ontem, fui jurado do Festival Voz e Violão, produzido por Jorge Lins, na minha casa artística, o Teatro Atheneu. Saí de lá com tristeza e preocupação, pois o Teatro está entrando na UTI.
Desde cedo, frequento os auditórios e teatros de Aracaju, incentivado por meu pai, Irineu, e minha mãe, Susete. A primeira vez nunca se esquece, como diz o ditado popular. Aos nove anos, entrei no Auditório do Colégio Atheneu para acompanhar o Festival de Música de Sergipe e ver, pela primeira vez, Marcos Antônio, Nery e Valdefrê, Alcides Melo, Ariquitiba, Nino e seu Conjunto, Tonho Baixinho, entre outras estrelas da nossa música.
Anos depois, fiz minha estreia como artista profissional nos palcos do então Teatro Atheneu, com o show “Entre Amigos”. Foi uma paixão fulminante, um momento que nunca saiu da minha cabeça e do meu coração. Sempre que produzia outro show, escolhia o Teatro Atheneu como local. O destino quis que essa casa icônica fosse o local do meu primeiro emprego na gestão pública, convidado por Jorge Lins, na época diretor da Fundesc – Fundação Estadual de Cultura, como Técnico de Iluminação e Sonoplastia do Teatro, ao lado de Denys Leão e Gilvanzinho. Foi lá que conheci diversos artistas importantes de Sergipe e do Brasil. Entre eles: como Lú Spinelli, Iracema Maynard, Valmir e Valquíria Sandes, Isaac Galvão, Orlando Vieira, Antônio Leite, Bibi Ferreira, Boca Livre, Balé Stagium, Primeiro Ato, Zeca Pagodinho, Balé do Senegal, João Bosco, Buza Ferraz e o Beijo no Asfalto, Eva Vilma, Carlos Zara, Paulo Autran, Ângela Maria, entre outros nomes de peso da arte. Anos depois, tive o privilégio de ser diretor do Teatro, que me deu régua e compasso.
O Teatro Atheneu completa 70 anos este ano, inaugurado em março de 1954. É o mais antigo espaço cênico de Sergipe, concebido como auditório para atividades complementares do Colégio Atheneu Sergipense. No entanto, ganhou identidade própria, refletindo o crescimento da cena cultural de Aracaju. A SCAS foi o maior exemplo desse crescimento. O melhor presente que nosso governador pode dar à sociedade sergipana é a notícia da reforma total e completa do nosso teatro.
Conheço sua sensibilidade em relação às artes e sua estratégia de governo para alimentar a cadeia produtiva do turismo com eventos culturais. Infelizmente, o Teatro Atheneu está em péssimas condições, sem iluminação adequada, som precário e a central de ar-condicionado parada. Está sendo maltratado, desrespeitando sua história e importância no cenário artístico-cultural do nosso estado.
Como eleitor que acreditou no jovem Deputado Federal Fábio Mitidieri, peço que volte seu olhar para essa casa de espetáculos e também para a reconstrução do Teatro Lourival Batista, abandonado desde 2018. É angustiante passar pela porta dessa casa de espetáculos e testemunhar o descaso e o estado que deixaram.
Falo em reconstrução, pois uma reforma anterior reduziu sua estrutura de 500 para 150 lugares, comprometendo sua função de fomento às artes sergipanas, especialmente aos grupos de teatro e dança de Aracaju. Esses artistas tinham no Teatro Lourival Batista o espaço para realizar suas temporadas, já que o Atheneu, com mais de 800 lugares, e o Teatro Tobias Barreto, com mais de 1.200 lugares, são espaços gigantescos que encarecem as produções. Sem os resultados necessários, os artistas apenas conseguem realizar suas estreias e desistem.
Precisamos de um espaço com um palco profissional, com luz, som, técnicos e ótima acústica, e uma plateia de 300 a 400 lugares. Um espaço que seja uma escola das artes cênicas, aproveitando o terreno para montar o primeiro Circo Escola do Estado, abrigando todos os atores, diretores e técnicos das artes de Sergipe, atingindo principalmente os estudantes ao redor dessa casa, em uma comunidade rica em Cultura como o Arribé.
Sigamos o exemplo da Secretaria de Educação, que está reinaugurando a Sala Villa Lobos, vinculada ao Conservatório de Música de Sergipe. Uma das melhores acústicas do Brasil, com 250 lugares e um palco extraordinário. A Sala, projetada para concertos musicais, anexa ao Conservatório de Música, sempre foi crucial nas apresentações dos alunos. Com a reforma exemplar feita, a Sala se tornará mais um espaço de fomento da música sergipana. Visitei a sala e pude relembrar a minha primeira apresentação em um palco aos 10 anos em um concerto de violão, eu aluno do Professor João Argolo.
Esse importante trabalho do governo, através da Secretaria de Educação e do Secretário Zezinho Sobral, inspira confiança. Da mesma forma, o exemplo da preocupação com os investimentos nos Museus, como a criação de novos, reformas, restauros e instrumentalizações dos já existentes, poderia ser estendido aos espaços culturais do estado. No dia 27 de março, Dia do Teatro, ou no dia 29 de abril, Dia da Dança, ficaria muito grato por algumas notícias que deixarão marcas positivas em seu governo. O retorno da Secretaria de Estado da Cultura, com um novo organograma e concurso público para técnicos e servidores, a reforma do Teatro Atheneu, a reconstrução do Teatro Lourival Batista, melhorias no Teatro Tobias Barreto e valorização de todos os espaços culturais do estado, como o Gonzagão, Centro de Criatividade, a criação da Escola Técnica de Arte e Cultura, entre outros.
Confio na boa vontade, sensibilidade e visão de futuro do nosso Governador, pois não há melhor produto de marketing para trabalhar do que a cultura. A cultura só proporciona notícias boas e ótimas se bem conduzida pela gestão.
