Olá gente boa,
A cada Dia dos Pais, sinto uma sensação diferente, que antes não me incomodava tanto quanto hoje. Deve ser a idade, o passar dos anos, que faz a falta se transformar em saudade e, às vezes, em cobranças silenciosas. Hoje, neste Dia dos Pais, sinto a necessidade de colocar no papel essa mistura de ansiedade, tristeza e amadurecimento.
Meu pai, por motivos que foram só dele e que não cabe discutir agora, desistiu da família que construiu com minha mãe e partiu para outras jornadas. A partir daquele momento, tivemos que aprender a conviver com sua ausência — mesmo estando por perto, presente às vezes, mas distante no sentimento, presente só no aspecto econômico. Isso fez com que minha mãe se desdobrasse, assumindo o papel de pai e mãe ao mesmo tempo. Crescemos assim, com muita dignidade, educação e caráter, graças à força dessa mulher guerreira que nos ensinou, dia após dia, o amor incondicional pelas suas crias.
Sempre pensei que não precisávamos do amor daquele que nos deixou crescer sem o ombro do pai, sem seus conselhos e sem sua presença para dar segurança na caminhada. Tínhamos minha mãe, Dona Susete, forte e segura, que nunca nos faltou. Mas, com o tempo, fui entendendo o que realmente fazia falta: esse ombro de pai.
Casei, tive minhas filhas e fiz um compromisso comigo mesmo: nada nem ninguém me faria perder essa relação. Eu daria não só meu ombro, mas minha vida, para vê-las felizes e realizadas. E assim tem sido. Hoje, dou tudo de mim para que meus netos sorriam, seguros e felizes, sabendo que têm um avô presente.
Essa é uma obrigação que impus a mim mesmo — um compromisso de amor e responsabilidade. Mas o tempo passou, e o que talvez fosse rancor ou frustração, vem se transformando em um sentimento que ainda não sei explicar direito.
Hoje meu pai tem 90 anos, e sinto, profundamente, o que perdi por não estar ao lado dele. Perdi almoços, jantares, conversas sobre futebol — assistir aos jogos do Sergipe ou do Flamengo — relembrar sua história como excelente lateral esquerdo do Atlético de Cobrinha, ouvir sobre sua luta para trazer e criar a televisão em Sergipe. Gostaria de contar a ele sobre meus discos, os prêmios, os caminhos que escolhi na vida — que sei que ele não aprovou no começo. Gostaria de dizer que venci, mostrar orgulhoso minhas filhas e minha trajetória. E dizer obrigado por me colocar no mundo. Tudo isso faz falta. Muita falta.
Hoje, eu gostaria de acordar, vê-lo, pedir sua bênção e dar os parabéns pelo dia dele — e pelo meu, pois em nós dois somos Irineus. Não mais o menino que precisava de atenção, mas um homem que aprendeu a perdoar e a pedir perdão.
Acho que vou fazer isso.
Feliz Dia dos Pais. E, como sempre te disse, pai, você viverá mais que sua mãe, que foi com 101 anos e viva com muita saúde e paz.
E um agradecimento especial à minha mãe, que me criou para ser um homem de verdade: sem medo, sem mágoas, sem rancor.
Feliz Dia dos Pais para todos!
