Olá, gente boa!
Ontem, meu coração se encheu de alegria ao ver mais uma conquista de Mestrinho, esse menino talentoso que tive o privilégio de colocar pela primeira vez no meu estúdio Capitania do Som, quando ele tinha apenas 15 ou 16 anos. Foi para gravar uma música do grupo Cataluzes, e, na época, o pessoal do grupo, meio desconfiado, perguntou: “Será que esse menino dá conta?” Eu respondi sem titubear: “Muito mais do que a maioria dos nossos sanfoneiros!” E ele não só deu conta como deixou todos de boca aberta, com sua facilidade em entender, interpretar e, acima de tudo, colocar a alma na canção. Ali, nascia uma estrela.
Por trás dessa trajetória brilhante, está o incentivo de seu pai, Erivaldo de Carira, do saudoso irmão Erivaldinho, que nos deixou este ano, e, principalmente, da sua mãe batalhadora e guerreira, Dina Nogueira. Foi ela quem acreditou no potencial dos filhos, Mestrinho e Thays Nogueira, e os colocou no caminho da música. Dina investiu na educação musical deles, desde o primeiro disco do Trio Juriti até a parceria com o gigante João Silva, compositor de tantos clássicos da nossa música brasileira. Esse trabalho culminou no icônico álbum “Cara a Cara”, Cantando João Silva, com participações de Dominguinhos, Elba Ramalho e Dió de Araújo. Não demorou muito para que o talento de Mestrinho encantasse Dominguinhos, que o pegou pelo braço e declarou: “Achei meu substituto!”
O que Dominguinhos talvez não soubesse é que ele havia encontrado uma pedra preciosa. Mais do que um substituto, Mestrinho é uma joia rara, um artista que transcendeu a música nordestina, levando-a ao mundo. Ele domina diversos gêneros — jazz, pop, rock, clássico, MPB, música progressiva —, mas nunca abandona suas raízes. Sempre deixa claro: “Minha essência é a música da minha terra, Sergipe, o País do Forró, meu Nordeste e meu povo.”
Foi emocionante vê-lo subir ao palco do Rock in Rio, o maior palco do show business, como o primeiro sanfoneiro a fazer um show solo. No mesmo lugar onde já brilharam lendas como Freddie Mercury e o Queen, Mestrinho levou a força da música nordestina com sanfona, zabumba, triângulo e pandeiro. E sua humildade brilhou ainda mais quando declarou:
“Passou um filme na minha cabeça. Pensei na minha mãe, no meu irmão Erivaldinho, e na resistência da música nordestina que defendo. Decidi que daria o meu melhor naquele momento histórico!”
E para completar seu ano e a minha felicidade por acreditar nessa música, nessa tradição e dedicar boa parte da minha vida à sua defesa, Mestrinho nos dá uma verdadeira lição. Ele prova que a força da música nordestina e sergipana transcende a cultura de massa, resistindo às tentativas de diluir o nosso jeito de ser.
Fico emocionado em ver o excelente Mestrinho e sua parceira Mariana Aydar, uma paulista que é mais nordestina do que muitos nascidos aqui, receberem o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa. O prêmio foi entregue na última quinta-feira, dia 14, no Kaseya Center, em Miami, nos Estados Unidos. O álbum, lançado em abril deste ano, traz 10 canções inéditas e regravações, como Dono do Mundo, além das participações de Gilberto Gil, Juliana Linhares e Isabela Moraes.
Mestrinho, esse sergipano de Itabaiana, é um músico versátil, criativo, amável e incrivelmente simples no seu trato diário com todos. Assim, esse menino talentoso conquistou o carinho de grandes nomes da música brasileira e mundial, como Dominguinhos, Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Elba Ramalho, Rosa Passos, Antônio Barros e Cecéu, Zélia Duncan, Geraldo Azevedo, Jorge Aragão, Gabriel o Pensador, Paula Toller, Luciana Mello, Diogo Nogueira, Toni Garrido, Margareth Menezes, Elza Soares, Benito di Paula, Duani Martins, Mariana Aydar, Zeca Baleiro, Thiago Espírito Santo, Sandro Haick, Ney Conceição, entre tantos outros.
Para nós, Mestrinho é inspiração. Ele nos mostra a importância de acreditar em nossas raízes e de dedicar o trabalho à tradição musical do nosso querido “País do Forró”. Com as melodias e harmonias de Erivaldo, Erivaldinho, Dominguinhos e Gonzagão. Ele nos ensina a valorizar nossas raízes, preservar nossa tradição e acreditar que a música nordestina e sergipana é, sim, universal. Seu talento, sua alma e seu profundo conhecimento musical levam nossa identidade cultural ao mundo, reafirmando que a música do nosso Nordeste precisa ser divulgada, preservada e incentivada sempre. Em 2025, terá que ser o ano “Mestrinho do País do Forro”. “Fica a dica”!
Viva Mestrinho! Viva o País do Forró! Viva nossa música nordestina e sergipana!
