Entre grandes estrelas da música de Aracaju, havia um grupo de meninos: Alexandre Diniz; Adilson Alves, “Gravatinha”; Edildécio Andrade; José Augusto; Vilermando Orico, filho de José Orico, com seu primeiro estúdio de gravação da cidade. Todos buscando espaço entre os ouvintes, ancorados por programas de auditório apresentados por Santos Mendonça, Aglaé Fontes, Nelson Souza, entre outros. Cada um com seu estilo, sua voz identificada facilmente, seu repertório.

Alexandre Diniz gostava de cantar sentado em um banquinho, como João Gilberto. Fez carreira como professor de Geografia na Universidade Federal de Sergipe, Presidente da UEES (União Estadual dos Estudantes de Sergipe). Preso político no golpe de 1964.

Adilson Alves, “Gravatinha”, gravou alguns discos, fez shows, mas, com o passar do tempo e o domínio da TV, na qual teve participação, afastou-se.

Edildécio Andrade, foi mais longe, tornou-se o violão e a voz do Trio Irakitan, um dos mais antigos trios musicais do Brasil.

José Augusto, com apenas 13 anos de idade, em 1949, iniciou sua carreira na Rádio Difusora. E, em 1956, mudou-se para o sul do país, seguindo o sucesso de João Mello e do maestro Pinduca. Em 1960, lançou seu primeiro disco pela gravadora Chantecler. Seu talento logo foi descoberto por grandes gravadoras. Gravou 12 discos e mais de 200 músicas. Os seus maiores sucessos foram as músicas “Beijo gelado”, de Rubens Machado; “Minha mãezinha” e “Angústia da solidão”, ambas de sua autoria. Faleceu em um acidente trágico, em 1981, próximo à cidade baiana de Feira de Santana, no auge de uma das carreiras mais sólidas da música sergipana e brasileira.

Vilermando Orico, com uma voz intensa, de fortes agudos, cantava quase tudo, incluindo as músicas que fez quando ainda menino. Cantava e tocava piano, vestindo-se como um astro de Hollywood, com direito até a fã clube. Foi a primeira carreira artística sergipana devidamente planejada.  Passada a fase infantil, Vilermando sofreu com a mudança na voz. Foram longos anos fora de emissora de rádio e de estúdio de gravação. Dominava o piano e passou a tocar teclado. Montou um trio com o nome de Nino e seu conjunto. Fez enorme sucesso nas tardes de domingo, na Associação Atlética de Sergipe, tocando, inclusive, bossa nova e acompanhando os cantores concorrentes nos festivais de música da década de sessenta. Mudou-se para Salvador e depois para São Luiz do Maranhão, onde tocou como pianista no Hotel Quatro Rodas. Faleceu em 1984, longe da sua terra natal.