Olá, gente boa!
Sempre fui apaixonado pelo esporte. Joguei futebol, basquete, tênis, mas foi no handebol que encontrei meu verdadeiro espaço de destaque nas quadras. Atuei como pivô, uma posição que exige muito contato com o adversário e é crucial para estar sempre próximo ao gol. Fui campeão pelo Salesiano e artilheiro de diversos campeonatos. Também joguei pelo Iate, Atlética, Seleção Sergipana e até pela Seleção Brasileira. Adorava estar nas quadras, representando minhas bandeiras – seja da escola, dos clubes ou da seleção. A alegria era imensa quando vencíamos, especialmente em jogos difíceis, mas que eram deliciosos de jogar. Medalhas no peito e a felicidade de ter representado minha cidade, estado e país. Sinceramente, nunca me preocupei com o que os outros achavam, se reconheciam ou se importavam com nossa vitória. O que eu sentia era tão intenso que já bastava para recompensar todo o meu esforço nos treinos e jogos.
Com o tempo, comecei a entender o significado dessas vitórias. Na escola, os alunos comentavam, queriam jogar comigo, me queriam nos seus times de pelada, gritavam meu nome nas quadras, e muitos começaram a jogar por influência minha. Na seleção, tudo isso era ainda maior, pois eu estava representando o estado ou o país. Muitas pessoas dependiam das nossas vitórias: técnicos, preparadores, dirigentes e um público ávido por gritar “campeão” ou vibrar com mais um gol. Tudo isso contribuía para a construção de um projeto de esporte, tanto para o estado quanto para o Brasil. Assim como a vida, a soma de pequenas ações forma dunas altas e glamorosas. Cada pedacinho bem feito por qualquer ser humano reflete na vida de todos. Seja no esporte, na arte, na cultura, na educação ou na saúde, tudo o que temos é fruto de uma construção lenta e contínua. Por isso, devemos conhecer, lembrar e respeitar todos que passaram e contribuíram com essa história.
A disputa dos jogos escolares era intensa, principalmente no handebol. Salesiano, Arquidiocesano, Costa e Silva, Presidente Vargas, Murilo Braga, Castelo Branco, Kennedy, entre outros, disputavam gol a gol as medalhas dos Jogos da Primavera. Mas dois times sempre chegavam à final: Salesiano e Arquidiocesano. No Salesiano, comandado por Maciel e depois Álvaro, e no Arqui, por Manuel Luiz Oliveira – o maior responsável por elevar o handebol sergipano ao reconhecimento mundial. Manuel foi treinador da seleção, presidente das confederações sergipana, brasileira, sul-americana e mundial da categoria. Foi um revolucionário ao lado de Homero e de ótimos treinadores e seguidores dele, como Alexandre e Jorge Trindade, técnicos das seleção brasileira feminina. Tivemos ainda Vinícius, Ronaldo, Jorge Trindade, Marcão, jogadores de seleção. Em outros esportes, nomes como Larissa Barata na ginástica rítmica, Luana Ferreira na natação, Mariana Dantas no karatê, Paulo Bedeu, Cida Lisboa e Tainá Bigi no vôlei, e meu amigo Derninho Horta, um dos pioneiros do vôlei de praia em Sergipe. Derninho é um esportista que dedica sua vida ao esporte e a descobrir talentos. Dernival Horta, irmão de Artur colega de sala, conheci no Salesiano e desde cedo demonstrava todo o amor ao esporte. Não posso esquecer também de Cida Lisboa, uma grande jogadora que até hoje, com seu trabalho, descobre e investe em atletas com talento, como sua filha Duda Lisboa, nossa medalhista de ouro nas Olimpíadas de Paris.
Duda trouxe um alento ao nosso povo sergipano, fomentando um momento de ufanismo, de elevação da sergipanidade, e mostra que precisamos reconhecer nossos talentos, nossos trabalhos, nossos projetos, e rever nossas atitudes com os nossos. Não devemos nos sentir pequenos, nem achar que só o que vem de fora tem valor. Precisamos nos pertencer, acreditar em nós mesmos e, a cada momento, reconhecer nossa identidade e nossa cultura, sem barreiras. Duda elevou nosso estado ao Olimpo do esporte mundial. Junto com Victória Borges da ginástica, fez os sergipanos se conectarem intensamente às transmissões das Olimpíadas, sofrerem com os pontos perdidos e chorarem junto com Victória na sua contusão, onde ela como uma guerreira sergipana lutou ate o fim e completou com muita dor a prova, emocionando não só os sergipanos mais todo o mundo..
Duda Lisboa e Victória Borges fizeram e farão suas vidas com muita determinação, trabalho, talento e, principalmente, com a força das nossas origens. Viva a Duda, viva Victória, viva a sergipanidade, viva o povo de Sergipe!
