Olá gente boa,

 

Escolhi a cultura como forma de vida. Talvez por isso muitos me considerem um aloprado, um inconsequente ou, no mínimo, um bobo. Mas não cheguei até aqui sendo nada disso.

 

Não fui secretário de Laranjeiras, presidente da Funcaju ou secretário de Estado da Cultura por ser filho de político, de homem rico ou por amizade com o chefe maior. Sempre fui convidado, acredito eu, por competência e pela segurança política e cultural que ofereço a quem me chama.

 

Cada gestão tem seu jeito, suas capacidades e suas limitações. Todos nós podemos aprender e fazer funcionar qualquer órgão. Mas, quando me chamam para atuar na área que conheço profundamente — com mais de 40 anos de experiência — levo comigo muito mais que conhecimento técnico. Levo vivência, entendimento do fazer cultural, respeito pelo artista, pelo público e pelo que a arte representa.

 

Antes de ser gestor, sou artista. Músico, compositor, produtor, arranjador — e muitos ainda dizem que sou escritor. Por isso, consigo compreender as necessidades, ansiedades e pensamentos de muitos, inclusive daqueles que estão na gestão mas não entendem como se cria um evento cultural dentro de uma instituição da cultura. Há quem acredite que instrumentos tocando de vez em quando atrapalham o trabalho — e é exatamente aí que mora a diferença entre gerir cultura e apenas administrar tarefas burocráticas.

 

Gerir cultura não é construir paredes ou abastecer setores com canetas e papel higiênico — atividades que também exigem competência. Gerir cultura vai além do óbvio, além do real. Não cabe fingimento, mentira ou a ilusão de que, com pouca experiência, se sabe tudo sobre caminhos e métodos.

 

Sei reconhecer talentos. Sei perceber projetos que buscam desenvolvimento, trajetórias vencedoras e também frustrações de quem nadou contra a maré. A vivência na cultura não passa apenas pelo talento, pela criatividade ou pela energia do fazer — embora esses sejam essenciais.

 

A arte é necessária. Para que ela aconteça, precisamos de artistas: sonhadores, imaginativos, capazes de transcender, de se transportar para a magia e a fantasia. A arte nos permite pensar novas realidades, refletir, relaxar, sonhar e, às vezes, esquecer o que jamais deveríamos lembrar. A arte nos torna melhores, mais humanos, mais bons.

 

Você já parou para pensar como muitas vezes a cultura é tratada como um saco de cimento? Ou como uma obra artística é confundida com um fardo de papel higiênico? Os valores são diferentes, a criação nasce do sentimento. Como definir o valor correto de uma obra? Como estabelecer o cachet justo e valorizado de um artista?

 

É para responder a essas perguntas que nasceu o Marco Regulatório da Cultura, uma lei que dá regras claras, reconhecimento e segurança jurídica para artistas e instituições culturais. É um passo importante para que a cultura seja valorizada e respeitada como deve ser.

 

E Sergipe está dando um passo ainda mais relevante. Teremos uma mesa técnica com procuradores do estado e do município, técnicos do Tribunal de Contas, da CGU, além de agentes da Secult, Funcap e do Ministério da Cultura. Um espaço de diálogo, aprendizado e construção coletiva, para garantir que nossas políticas culturais sejam sólidas, modernas e justas.

 

É assim que a cultura se fortalece: com planejamento, respeito e reconhecimento. É assim que Sergipe reafirma seu compromisso com o presente e o futuro de nossos artistas, do talento local e da identidade cultural do nosso estado.