Olá, gente boa,

Aos 64 anos, já entendi que a vida não é justa. Não porque Deus falhou, mas porque as pessoas falham. A injustiça não nasceu no céu — nasceu aqui, entre nós, quando as almas sebosas se multiplicaram no descuido da criação. Talvez numa folga divina, os malandros tomaram conta do turno e o resultado foi esse: um mundo em que a maldade se espalha como praga.

Sim, somos a única espécie que mata sem fome, que persegue sem ser perseguida, que destrói só pelo prazer de ver o outro sofrer. E ainda temos coragem de nos chamar de “humanos”.

Vivemos numa sociedade oprimida e opressora, despreparada para amar, arrogante, racista, homofóbica, transfóbica, e com um gene corrompido que rejeita a empatia. Falta-nos o mínimo: bondade, bom senso, escuta, compaixão, respeito.

Mas, de tempos em tempos, surgem almas iluminadas. Seres que passam por aqui como sopros de esperança: Jesus, Buda, Maomé, Gandhi, Irmã Dulce, Chico Xavier, Madre Teresa, Nelson Mandela, Martin Luther King Jr., Frida Kahlo, Dorothy Stang, Indira Gandhi, Cora Coralina… e a minha querida Dinda. Gente que viveu para pregar o amor, a igualdade, a conciliação, a paz. Gente que realmente entendeu o que é ser “humano”.

E agora, no simbólico 21 de abril — dia de Tiradentes, que enfrentou o império português e morreu por sonhar liberdade — perdemos mais um desses gigantes. Francisco, o nosso Papa Francisco, o nosso Chico.

Aos 88 anos, esse argentino de alma humilde foi chamado com urgência pelo Misericordioso. Talvez porque até Deus não suportasse mais ver um homem tão justo sofrer tanto em meio a uma igreja corroída pelo orgulho e por séculos de arrogância. Francisco foi o ponto fora da curva: colocou os pingos nos “is”, enfrentou dogmas, quebrou protocolos, beijou os pés dos esquecidos, abraçou os marginalizados, lavou os pés dos pobres e entregou palavras de fé, esperança e amor como pão quente numa manhã fria.

Não defendeu a riqueza. Defendeu o povo. Não celebrou o ouro. Celebrava a partilha. Acreditava — e isso dói de tão raro — em toda a humanidade.

E eu, que nem sou tão religioso assim, que carrego meus pecados e erros como quem carrega um fardo já meio gasto, pergunto: por que ele, Senhor? Por que justo ele?

A resposta talvez esteja na pergunta. Porque os bons são chamados cedo. Porque os que lutam por todos nós, pagam o preço de viver entre tantos que só pensam em si.

Enquanto isso, continuam por aqui os semeadores de caos. Os que sufocam o mundo com ganância e crueldade. Kim Jong-uns, Netanyahus, Putins, Trumps, Malafaias, o bufão Zelensky,  palhaço Milei e o tal “Messias” e tantos outros — políticos, religiosos, empresários, influencers — que se acham mais importantes que a vida.

Bem que podiam pegar carona num foguete de Elon Musk e se mudar de vez pra Marte. Que alívio temporário seria!

Mas enquanto não aparece outro Francisco, a gente segue tentando. Tentando ser melhor, tentando resistir, tentando, quem sabe, merecer o mundo que esses grandes sonharam pra nós.

Descanse, Chico. Teu legado continua. E teu exemplo — ah, esse ninguém apaga.