Olá gente boa!

Preparado para embarcar em uma história de tirar o fôlego, cheia de sequestros, shows e muita loucura? Então, segura aí que eu vou contar como foi a incrível Gincana Ilha do Tesouro, um evento que marcou o verão de 1985 e agitou a juventude sergipana!

Tudo começou com o mestre das ideias malucas, Jorge Lins. O cara estava com a mente a mil e resolveu criar uma gincana na Atalaia Nova, nosso cantinho sagrado de inspiração e festa. E assim surgiu a Gincana Ilha do Tesouro. Ele vendeu a ideia junto com Montalvão um publicitário da época para Emsetur – a famosa Empresa Sergipana de Turismo – e, meu chapa, a ideia colou na hora! E adivinha só? Jorge Lins ficou responsável por coordenar essa bagunça toda. Teve escolas, bairros e até municípios disputando o prêmio dos sonhos: um carro zerinho em folha! E, claro, aproveitar a festança na ilha.

A galera ligada, se inscreveu em peso e a competição estava acirrada. O bagulho ficou tão maneiro que parecia até um reality show, antes de existirem reality shows. E aí, num piscar de olhos, chegou a noite de 1º de fevereiro, com shows e as primeiras tarefas sendo entregues pros participantes encararem no dia seguinte.

Ei, mas calma aí, que a história tem mais! Eu e Lula Ribeiro, além de fazer parte da organização com o Jorge Lins, metemos um showzinho chamado “Aracaju pra Cantar” no dia 2 de fevereiro. E pra deixar tudo mais legal, tinha também o grupo Cataluzes pra dar um caldo. Se liga, meu parceiro, a gente rodou por Alagoas, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro com o “Aracaju pra Cantar”. Isso sem esquecer dos shows no Teatro Atheneu um tempo antes. O grupo Bolo de Feira e outras bandas locais também mandaram ver nos shows.

Mas a coisa pegou mesmo no dia seguinte. Eu acordei todo faceiro, pronto pra mais uma loucura, e quando desci da canoa “tô, tô, tô”, fui pego de surpresa: sequestro na área! Fui praticamente arrastado pra dentro de um buggy por um monte de gente, sem entender bulhufas. Na hora, achei que era uma daquelas pegadinhas sem noção. E aí, chegando num lugar que conhecia muito bem, vi que o buraco era mais embaixo.

Era a casa do Antônio Piúga, um figura conhecido, amigo do meu pai um dos primeiros cinegrafista da televisão sergipana e festeiro de carteirinha. Ele adorava capturar imagens e, pelo jeito, também adorava fazer sequestros. A casa cheia de gente, uma bagunça só. Lula, que já estava lá, tão arretado quanto eu, o que só piorou a situação. Por sorte, a família do Piúga interveio e evitou que a coisa toda fosse pelos ares.

Acabei me sentindo num filme maluco, aqueles de comédia onde tudo sai errado. E o que mais poderia acontecer? o Lula, com toda a energia dele, subiu no palco e, ao invés de cantar, detonou com o sequestro e todo o rolê, o que fez a equipe perder uns pontinhos.

Pra mim, a coisa foi mais de boa. Me coloquei à disposição de outra equipe, que precisava de um cantor, e acabei dando a eles a vitória na prova. E no fim das contas, depois de tanta confusão e maluquices, a Gincana foi um sucesso daqueles. Foi uma época boa, em que a cultura sergipana estava lá em cima, e até sequestros eram parte da festa. E hoje, lembrando dessa aventura toda, bate aquela saudade dos velhos tempos e dos amigos, e de Piúga.