No início década de 80, começaram a surgir as primeiras propostas de produções independentes no Brasil, iniciativas pioneiras à crise econômica. O trabalho de Antônio Adolfo e das gravadoras Lira Paulistana e Som da Gente foram precursoras desse movimento.
Em Aracaju, o Grupo Cataluzes lançou o LP “VIAGEM CIGANA”, gravado no Rio de Janeiro, totalmente independente, seguindo o pensamento de Antônio Adolfo. Logo em seguida, em 1985, três artistas montaram um projeto independente e buscaram apoio na iniciativa privada. Conseguiram sensibilizar o empresário Luciano Nascimento, da Cosil Dados, que investiu na época a quantia de Cr$ 40 Milhões de Cruzeiros. Gravaram e lançaram o disco Cajueiro dos Papagaios. Foram eles Irineu Fontes, Lula Ribeiro e Paulo Lobo, com a produção executiva de José Américo, Sucupira. Outros artistas lançaram discos, Bolo de Feira, Mingo Santana e Oseas Lopes, Antônio Carlos du Aracaju, Rogério, Roberto Alves, Amorosa, entre outros.
Nos anos seguintes alguns artistas destacaram-se: Roberto Alves, Rogério, Irineu Fontes (também assinando Neu Fontes), Jorge Duccy, Antônio Carlos Du Aracaju, Mingo Santana, Amorosa, Virgínia Fontes, Luiza Lu, Paulo Lobo, Lula Ribeiro, Chiko Queiroga, Nino Karva, Doca Furtado, banda Karne Krua, os forrozeiros Luiz Paulo, Erivaldo de Carira, Batista do Acordeon, Clemilda (uma lenda do forró, com a sua música “Prenda o Tadeu”, alcançou sucesso nacional, ao lado de seu marido, o maior sanfoneiro de oito baixos do país, Gerson Filho), Josa o Vaqueiro do Sertão, entre outros. Um final de década pródigo para a música em Sergipe, pois o Governador da época, Antônio Carlos Valadares, um apaixonado pela música, foi um grande incentivador da participação dos artistas nos mais diversos eventos culturais.
No final dos anos 80 e início da década de 90, os artistas tiveram que se adaptar ao mercado dos mass média. Então, voltaram suas antenas para a cultura popular, pesquisando e buscando um novo formato musical. Entre eles, Neu Fontes, Kleber Melo, Banda Sulanca, Luiz Fontineli, Bando de Mulheres, Rubens Lisboa, Patrícia Polayne, Pedrinho Mendonça e Gena Ribeiro, entre outros nomes de destaque.
Gena Ribeiro, surgi no Karaokê do Circo Amoras e amores, e depois cantando em uma banda de pop rock chamada Exceção, que era composta por Milton Goulart, Luciano Goulart, Wolney e Duda. Logo se destacou como uma das maiores intérpretes da música brasileira. Ganhou dois festivais, o Novo Canto e o Canta Nordeste. Esse último festival revelou também uma grande intérprete e compositora, Patrícia Polayne.
Amorosa lançou vários discos e consolidou-se como a maior intérprete da música sergipana, representando o estado em diversos festivais nacionais e internacionais. Nessa década, Ismar Barreto voltou de Brasília, onde morou por vários anos, começando na música em rodas de samba e choro, da Capital Federal nos anos 70. Logo, transformou-se em um dos mais requisitados compositores do estado. Nomes como Amorosa, Gwendolyn Thompson, Patrícia Polayne, Antônio Carlos e Jocafi, Zinho, Dominguinhos, entre outros intérpretes da música brasileira, gravaram suas músicas. Ismar gravou dois discos, “Tremendamente Sacana e Ao vivo”.
O Pop Rock, influenciado pelas bandas dos anos 80, trouxe diversos nomes para o nosso mercado musical, na década de 90: Minho San Liver (1997, Bem I e 1998, Bem II); Banda Java (A Procura de Emoção, Além da Crítica); Chiko Queiroga (Cor de Laranja); Conexão 69, depois Banda Alapada; Cartel de Bali, Mosaico; Alex Sant’Anna; Henrique Teles; Paulo Lobo lançou seu primeiro disco solo, Ruas de Ará. Nessa década também Rubens gravou seu primeiro CD “Assim, meio de lua”.
Um novo século começou e com força total. Apareceram novas ferramentas, aparato digital e facilidade nas gravações. Home Studio e computadores ajudaram a proliferar as gravações e surgimentos de vários artistas da música produzida em Sergipe. Várias bandas, grupos e artistas utilizaram as novas ferramentas e lançaram seus trabalhos, como Naurêa, Maria Scombona, Sibéria, Alapada, Plástico Lunar, Lacertae, Snooze, Grupo Membrana, Lateiros Curupira, Jô Baba de Boi, Coutto Orquestra de Cabeça, The Baggios, João Ventura, Patrícia Polayne, Alice Nou, Edson João. A Dupla Chiko Queiroga e Antônio Rogério consolidou seus trabalhos e lançou-se internacionalmente. A banda Calcinha Preta transformou-se na maior banda de forró eletrônico do país. Usando ferramentas de marketing e produção, Rubens Lisboa lançou os CDs Segundas Intenções e Todas as Tribos. Uma produção fértil que rendeu muitos frutos.
