Olá gente boa,
Não é qualquer um que faz quarenta anos de carreira com fôlego e força que gera milhões de quilowatts de energia e potência musical e uma explosão de emoções e sentimentos. A menina Amorosa, faz isso desde a primeira vez que subiu ao palco vestida de Carmem Miranda lá pelas bandas da Princesa da Serra, a grande Itabaiana. Desmentindo todos os argumentos que ela mesma diz, que era muito tímida, mas era só ouvir a palavra mágica, na verdade algumas, como: Olhe o palco, tem microfone, vá lá cantar, a timidez da menina itabaianense acabava e incorporava uma daquelas ciganas que sempre aparece e desnuda todos os nossos sentimentos e nos faz ser a verdade naquele momento.
É assim que me sinto todas as vezes que vejo essa flor Amorosa no palco, desde os tempos de Tropeiro ou quando ela cantou no Programa do Chacrinha a música “Aconchego”, desbancando a interpretação da grande Elba Ramalho e deixando todos apaixonados, inclusive o velho guerreiro.
Antônia Amorosa de Menezes, simplesmente Amorosa, nascida e criada na cidade de Itabaiana, fez 40 anos de carreira. Começou sua vida nas artes, no teatro e na comunicação aos 14 anos, na Rádio Princesa da Serra como locutora e como atriz no “Grupo Asa Branca”. Mas foi na música que ela encontrou seu aconchego. Em 1985, aos 18 anos, iniciou sua vida profissional na música em Aracaju, cantando no Tropeiro, um bar na Orla de Atalaia, buscando seu espaço na seara musical do estado.
Amorosa gravou diversas músicas e discos, sendo a maior intérprete de Ismar Barreto, um dos maiores e melhores compositores de nossa terra e do Brasil. Foram sete discos e mais de 10 coletâneas. O primeiro foi em 1992, “Iluminada”, que inclui canções como “A Voz e as Flores” (Ledinaldo Almeida e Cícero Farias), “Casa no Campo” (Zé Rodrix e Tavito) e “Viver Aracaju” (Ismar Barreto), grande hit do CD, com participação de Paulo Diniz. Outras faixas incluem “Aluaran” (Rubens Lisboa), “Arreio de Prata” (Tito Lívio e Rodolfo Aurelliano), “Noite Cigana” (Dinho e Zé Rocha), “Prumo” (Tonho Baixinho e Joésia Ramos), “Rock-Xote Cariopano” (Ismar Barreto) e “Nordeste Independente” (Ivanildo Vila Nova).
Em 1993, lançou o CD “Brejeira”, um grande sucesso com músicas que permanecem na memória dos ouvintes até hoje. Com dez faixas, incluindo “Coco da Capsulana” (Ismar Barreto/João Alberto), que se tornou um de seus maiores sucessos e lhe rendeu o segundo lugar e o prêmio de melhor intérprete no Festival Canta Nordeste 93. Outras faixas são “Guerema” (João Alberto/João Melo e Ismar Barreto), “Forró do Aperreio” (Ismar Barreto), “Sofrendo” (Ismar Barreto), “Incendiando” (Rubens Lisboa), “Cheiro da Terra” (Claudio Miguel), “Laranjeiras” (Amorosa), “Mêlo do Pré-Caju” (Amorosa), “Artista da Terra” (Ismar Barreto) e “Canta Nordeste” (Rubens Lisboa).
Amorosa também gravou os discos “Mulher Nordestina” e “Aldeia”, que inclui “Alto do Tempo”, uma canção minha e de Rubens Lisboa, com refrão dos índios Xocó. Além disso, lançou o projeto “Um Canto a Sergipe”, com todas as músicas de sua autoria. Ela também publicou os livros “Vôo Rasante” e “Translúcida”, além de realizar projetos, festivais e centenas de shows por todo o Brasil. Amorosa fez 45 apresentações na Alemanha e Áustria, participou no Brazilian Day em Nova York, do Pixinguinha e Pixingão, e ganhou o Prêmio da Música Brasileira.
Eu e Amorosa temos uma relação de irmãos que brigam, discutem, têm ideias diferentes, mas quem quiser que se meta, pois somos almas livres e preocupados um com o outro. Eu querendo sempre que ela voe muito mais alto, brinco com ela que é um desperdício de talento, pois seu talento é do tamanho do mundo. E ela sempre preocupada comigo, sempre me procurando pra dizer: “Menos, Neu, menos”.
E então, passados quarenta anos, ela apronta mais uma das suas! Como sempre, sozinha e destemida, pois nem filhos, netos ou quem quer que seja consegue segurar esse furacão de saia e voz. Que o diga meu amigo e dela, Ezio Deda!
“Vou fazer meus quarenta anos no Iate… e numa quarta-feira!” – assim decretou, como quem desafia o calendário e a lógica do mundo. E não é que fez?
Levantou-se cedo, vestiu a coragem e partiu pra luta. E o que aconteceu? O Iate ficou pequeno! Gente do povo, da política, da justiça, do comércio, da arte e de todo canto saiu de casa numa quarta-feira quente feito brasa para ver essa mulher, essa força da natureza, essa intérprete que canta como quem conta histórias e reconta vidas.
E foi uma noite sem firulas, sem floreios desnecessários. Nada de discurso longo ou malabarismo. Só ela, sua voz, sua alma exposta em cada verso, em cada melodia. Cantorias que arrepiam, sentimentos que se espalham, paixões que se reacendem, lembranças que voltam e a certeza: Amorosa não é só cantora, é patrimônio! E claro eu estava lá testemunhando mais uma vez ao lado de muitos amigos, músicos e fãs.
Mulheres em uma só – Antônia, Tonha, amante da arte, filha, mãe, irmã, atriz, escritora, compositora e jornalista. Uma guerreira que acerta, erra, reflete e segue em frente. Mas tudo muda no instante mágico em que pisa no palco. Basta pegar o microfone, e pronto: renasce Amorosa, a intérprete, a estrela, a força bruta da canção sergipana!
Uma flor que encanta, perfuma, mas também tem espinhos – porque toda grande mulher precisa ser bem cuidada, respeitada e admirada.
E hoje, 27 de fevereiro, celebramos sua vida! Parabéns, Amorosa! Saúde, paz e que seu talento continue sendo farol e festa para os nossos corações!
