Olá, pessoal,

Era uma tarde de sexta-feira em outubro de 2013, no Restaurante Albar, localizado no bairro boêmio de Inácio Barbosa em Aracaju. Sentados à mesa, uma turma animada composta por Hélvio Dórea, Manuel Vasconcelos, Ronivon Aragão e outros membros da confraria discutiam o falecimento do jornalista, compositor e músico Emanuel Dantas aos 55 anos de idade.

Emanuel Dantas, um dos fundadores e mantenedores do bloco de carnaval Carro Quebrado, destacava-se não apenas como excelente compositor e músico, mas também como um virtuoso na execução do violão. Apaixonado por bossa nova e samba, sua partida gerou preocupações sobre a participação do Carro Quebrado no carnaval de 2014.

Foi então que surgiu a brilhante ideia de Hélvio: “Vamos criar o nosso bloco em homenagem a Mané”, como todos o chamavam. Hélvio sugeriu também homenagear Hilton Lopes, dando ao bloco o nome “Eu só se fico, se você não só se for”.

Hilton Lopes, o maior carnavalesco de Sergipe, era músico, compositor, radialista e apresentador de televisão. Único apresentador do Brasil com programas na TV Globo e no SBT, ele era um dos maiores animadores da TV sergipana, conhecido por suas frases impactantes como “Não me venha de lagartixa que eu vou de azulejo”, entre outras.

Assim nasceu o bloco “Eu só se fico se você não só se for”. No carnaval de 2014, o bloco fez sua primeira saída da frente do Restaurante Albar na Praça do Inácio Barbosa, percorrendo um pequeno trajeto antes de retornar à praça com amigos e familiares, acompanhados por uma banda de frevo. Infelizmente, em junho de 2014, Hélvio Dorea, autor da ideia do bloco, faleceu em um acidente de moto, deixando a todos tristes e órfãos de sua mente brilhante e generosa.

Decidindo continuar o bloco, os amigos criaram o Instituto Hélvio Dorea Maciel Silva (IHMS), dedicado à educação e cultura. Assumindo a presidência do Instituto, com a colaboração de amigos como Manuel Vasconcelos, Ronivon Aragão, Antônio Rolemberg, entre outros, estamos celebrando o 10º ano com muita alegria e honrando a vida.

Ao longo desses dez anos, o bloco mudou de endereço três vezes, mantendo a essência da criação. É um bloco onde todos celebram e relembram os antigos carnavais e a tradição carnavalesca com muita alegria e boa música. Os bonecos de Olinda que representam, o criador Hélvio Dorea, os homenageados Emanuel Dantas e Hilton Lopes, e a rainha Dona Anita, com seus mais de 90 anos. Iniciamos no bairro Inácio Barbosa, passou pela Avenida Celso Oliva, onde fica a sede do Instituto, e desde o ano passado está na Praça Getúlio Vargas, a Praça do Mini Golfe.

A música do bloco tem sua base no frevo, marchas e sambas, contando com a participação de artistas locais como a Banda de Frevo do Maestro Álvaro Araújo, Cajuína do Frevo, Neu Fontes, Valter Nogueira, Banda de Frevo João Bebe Água, Samba de Moça Só, Fulgencios, Burundanga, Os Fanonis, entre outros.

Este ano, a festa já está pronta para acontecer no dia 03 de fevereiro, com concentração às 16 horas na Praça do Mini Golfe (Getúlio Vargas). Às 17 horas, a Banda Fulgencios se apresenta, seguida pelo desfile pelas ruas com a Banda de Frevo João Bebe Água às 18:30. Às 19:30, Lito e a Banda Água de Cheiro encerram a celebração, relembrando os carnavais da Bahia, Pernambuco e o cancioneiro carnavalesco sergipano, além da produção executiva de Simone Fontes. Dessa forma, o Instituto Hélvio continua sua luta em preservar e celebrar o carnaval sergipano.