Olá gente boa,

Quero te dizer algo importante sobre minha forma de trabalhar, pensar e o sentido do que estamos fazendo.

Temos diante de nós uma grande oportunidade de construir algo realmente bom para a cultura sergipana. O que vem me preocupando é o modelo excessivamente burocrático que se formou ao longo do tempo — cheio de entraves, exigências e etapas que, na prática, acabam afastando o artista e dificultando a execução das políticas culturais.

Falo isso com o olhar de quem vive a cultura por dentro, não como jurista, mas como gestor cultural e artista. Meu esforço tem sido o de simplificar os processos, dar agilidade, sem jamais perder o rigor da legalidade. Acredito que é possível ser técnico e sensível ao mesmo tempo — fazer a lei funcionar a favor da cultura, e não contra ela.

Mas quero ir além disso. Os editais são ferramentas fundamentais, mas não podem ser o único instrumento de política cultural. Durante muitos anos, a cultura sobreviveu à margem — sem estrutura, sem financiamento, dependendo quase sempre da boa vontade ou do improviso. Agora que temos os mecanismos fundo a fundo, através da Lei Paulo Gustavo, da Lei Aldir Blanc e de uma nova consciência nacional sobre o papel do Estado na cultura, precisamos transformar essa conquista em política permanente.

Não se trata apenas de repassar recursos, mas de construir um sistema de gestão cultural sólido, onde cada município e cada estado brasileiro tenha suas instâncias de decisão e participação.

É hora de consolidar o que chamamos de CPF da Cultura: o Conselho, o Plano e o Fundo.

Esses três pilares, agora fortalecidos pelo novo Marco Regulatório do Fomento à Cultura (Lei 14.903/2024), oferecem as bases para uma política pública moderna, transparente e acessível.

O Marco veio para corrigir distorções, simplificar a burocracia e colocar o artista, o produtor e o gestor no mesmo lado da mesa — como parceiros na construção de uma política que funcione.

Assim como a saúde conseguiu, através do SUS, criar uma capacidade nacional de garantir um direito básico à vida, a cultura precisa construir sua própria rede — um Sistema Nacional de Cultura forte e federativo, capaz de assegurar o direito à criação, à memória e à identidade em cada canto do país.

Cada território tem suas particularidades, suas carências e suas riquezas. É preciso reconhecer isso e desenhar políticas com base nas realidades locais — respeitando as tradições, as linguagens, os modos de fazer e os mestres que mantêm viva a essência da nossa cultura. O que funciona para o eixo Rio-São Paulo não pode ser a régua para Sergipe, para o sertão ou para o interior do Brasil.

E é justamente aí que entra o grande desafio e o sentido do que estamos realizando em Sergipe.

Nesses últimos anos, investimos mais de 70 milhões de reais na cultura sergipana.
Agora é hora de mostrar o resultado desse investimento — provar que não distribuímos dinheiro, mas apostamos na cultura como motor de desenvolvimento humano, social e econômico.

Não se trata apenas dos artistas e fazedores, mas da população que foi esquecida, manipulada por um sistema midiático perverso que captura corações e mentes através da cultura digital rasa — de um TikTok que seduz, mas também rouba identidade.
Nosso desafio é resgatar o sentido verdadeiro da cultura: um instrumento de pertencimento, autoestima e transformação.

Precisamos valorizar nossos modos de vida, nossos mestres, artistas, fazedores e criadores.

Priorizar qualidade, não quantidade.

Apostar nos jovens que acreditam em seu potencial, formar, qualificar e transformar a cultura em protagonista do desenvolvimento em cada canto de Sergipe.

Queremos que Sergipe seja um modelo de estado — como Medellín, que se reinventou e se tornou referência mundial em economia criativa e mobilidade urbana.
Mas o nosso modelo será sergipano, nascido do chão da nossa gente, da sabedoria popular e da força da nossa sergipanidade viva.

Não basta apenas o investimento federal, nem o carimbo burocrático.
É preciso crer, de fato, no imenso potencial cultural e artístico do nosso povo.

Vamos reverenciar nossa cultura.

A cultura de Sergipe não é gasto. É futuro em movimento. É o povo se reconhecendo em si mesmo.