Olá gente boa,
É cômico e trágico quando alguns artistas mandam mensagens me agredindo sobre o que penso, faço e entendo. Vivo há mais de 40 anos, da música e com a cultura. Sei que muitos têm uma memória seletiva e só lembram do que querem lembrar, sem considerar o que fizeram ou deixaram de fazer em suas vidas. Meus textos não são direcionados a ninguém, a não ser quando elogio e conto trajetórias de vida e profissão, algo que faço com propriedade, pois nada sai da boca para fora, e sim do que entendo por qualidade, talento, cultura e arte. Eu gosto de valorizar o artista e a arte! Nunca levei em conta o pessoal e muito menos se gostam de mim ou vice e versa.
Foi assim quando gravei meus discos e fiz meus shows, sempre procurando tocar minhas canções e as de parceiros talentosos, como Alexi Pinheiro, Denys Leão, Genival Nunes, Jorge Lins, Rubens Lisboa, Kleber Melo, Doca Furtado, Mingo Santa, Amorosa, Raquel Delmodes, Joazailton Lima, entre outros. Assim também quando criei ou coordenei Festivais, como o Novo Canto, SescCanção, Nosso Canto, Canta Nordeste, Famp, Um Banquinho Uma Canção, Gonzagão, Forro e Arte, 300 anos de Zumbi dos Palmares, Bando de Mulheres, Bloco da Sergipanidade, entre outros projetos, ou quando criei na gestão de Ione Sobral em Laranjeiras, a Lei dos Mestres Da Cultura Popular, que trouxe para o Estado, todo o Sistema de Cultura, o Festival Nacional de Monologo e o conceito da Capital da Cultura Popular.
Valorizo e respeito o talento, pois sou um apaixonado, por ele. Durante meus anos atuando na cultura, recebi, busquei, aprendi e contribuir para o crescimento e a valorização desses artistas, principalmente os que escolheram trabalhar, se sustentar e viver bem da sua arte.
Não compartilho da ideia de que o artista precisa de ajuda ou esmola, mas sim de valorização. A cultura deve ser um todo, não apenas um setor ou um grupo de artistas privilegiados. Infelizmente, muitos transferem para os outros a responsabilidade de sustentar suas escolhas e, quando as coisas não saem como esperam, criam culpados para seus fracassos. A arte exige dedicação, profissionalismo e gestão. Quem espera viver de muletas e favores continuará achando ruim, reclamando e muitas vezes atacando aqueles que trabalham para fortalecer o setor.
Sempre aparece um “herói” prometendo resolver todos os “problemas” da cultura, e, se prestarmos atenção, veremos que são sempre os mesmos rostos ao redor desses discursos vazios, prontos para dá o bote do cache. Sempre cantando o mesmo refrão, “Por que não eu?”. Pessoas que nunca construíram nada, mas que estão prontas para tirar fotos e elogiar, da mesma forma que criticam em alto e bom som quando não são beneficiadas. Mas, tem os que chegam com propostas concretas e projetos estruturados, com início, meio e fim, na esperança de fazer um trabalho independente e sustentável. Esses precisamos ouvir e trabalhar juntos.
A arte e a cultura precisam de planejamento, engajamento, organização, conhecimento e projetos bem elaborados, e muito investimento. É necessário criar políticas públicas que garantam oportunidades para todos, não apenas para grupos específicos. Em Sergipe, sempre defendi e trabalhei para que a cultura fosse valorizada e estruturada de forma profissional, reconhecendo o talento dos nossos artistas e proporcionando condições para que vivam dignamente de sua arte. Formação, qualificação oportunidades. E essa é uma luta contínua, que exige compromisso real e um olhar atento para o futuro da cultura no nosso estado. Espero não malhar em ferro frio, temos que esquentar esse ferro e construir o futuro. E assim vou continuar, “Enquanto Ainda Estou Aqui”.
