Olá gente Boa,
Ganhei meu primeiro violão aos 9 anos de idade. Minha querida e amada mãe, Dona Susete, me presenteou com um violão Di Giorgio Estudante e um baixo Geannini vermelho. Fiquei fascinado, apenas não entendia por que um tinha 6 cordas e o outro 4, um tinha som e outro não. Assim, iniciei meus estudos no Conservatório de Música de Sergipe, onde, com o Professor João Pires Argollo, aprendi as nuances e os caminhos da sonoridade de cada instrumento.
No conservatório, escolhi meu instrumento principal: o violão. Estudei música clássica, muita música erudita, teoria e solfejo. No entanto, o que realmente me motivava eram os violonistas. Conheci os nomes mais importantes do violão brasileiro, como Domingos Caldas Barbosa, João Pernambuco, Villa-Lobos, Tom Jobim, Radamés Gnattali, entre outros.
Nunca imaginei me tornar um músico genial; meu foco sempre foi cantar e compor minhas canções. Desde a infância, cantava na escola, e ao entrar no conservatório, em vez de apenas repetir os exercícios, criava meus próprios movimentos e exercícios.
Através de meu avô e do Professor João Argollo, conheci grandes nomes do violão sergipano e nacional, como Carnera, João Rodrigues, Bisextino, Cravalhal, João Melo, Dão, João Lopes, João Bezerra e o grande Antônio Teles. O cenário do violão em Sergipe era tão forte que até João Gilberto, o maior violonista da Bossa Nova, afirmou que aprendeu com Carnera os mistérios do violão e com Bisextino o ritmo e o swing.
Me sentia um grande violonista até o dia em que o braço do meu querido violão quebrou, causando um grande susto e tristeza. Minha mãe teria que comprar outro. Foi assim que conheci o primeiro luthier, o renomado Carvalhal, que consertou meu violão e se tornou uma figura inspiradora em minha vida.
Carvalhal é um ícone da luthieria sergipana, e hoje temos muitos outros talentosos luthiers, como José Santos de Araújo, o Mestre Passos de São Cristóvão o luthier mais antigo em atividade no estado, Adilson Carvalhal, Nino Karvan, Galego, Mérito, Alex, Anderson Santos o luthier dos grandes músicos como Saulo Ferreira e Alberto Silveira. Temos ainda luthiers na percussão como Mestre Formiga, Betinho Caixa D’água, Tom Toy entre outros e Wesley Santos, luthieres de sopro. Temos também em Itabaiana a escola, oficina e fabrica de luthieria da Filarmônica Nossa Senhora da Conceição.
Entre esses luthiers, destaca-se Elifas Santana, nascido em Propriá, Sergipe, que se tornou conhecido como um dos maiores luthiers do mundo. Além de exercer a profissão de auditor de tributos do Estado de Sergipe, Elifas construiu sua primeira guitarra em casa, utilizando seus conhecimentos em desenho técnico e serigrafia. Sua habilidade foi reconhecida por músicos renomados, como Armandinho Macêdo, Durval Lelys, Luiz Caldas, Pepeu Gomes, Stanley Jordan, Paulo Rafael, Marcos Molleta, Hamilton de Holanda, Fred Menendez, Andreas Kisser, Lito Nascimento, Roberto Torao e Kiko Loureiro. Hoje ele é requisitado por artistas nacionais e internacionais.
Sergipe pode ser pequeno em território, mas é imenso em talento, criatividade e competência artística e cultural. Me orgulho de ter testemunhado a ascensão de Elifas Santana, que provou que Sergipe é um celeiro de grandes talentos. Um dia, terei a honra de ter um violão construído pelo mestre.
Ele não apenas constrói instrumentos; ele traduz a sonoridade, a acústica e os sonhos de cada músico, como ilustrado na fabula contada pelo músico e escritor baiano Davi Salles sobre a cigarra guitarrista Melodita e sua jornada para ter uma guitarra construída por Elifas Santana. O legado de Elifas ficará eternizado na história da música brasileira e mundial.
