Olá gente boa,

Nos anos 80, mais precisamente em 1981, decidimos montar o show “Entre Amigos”. Tínhamos um objetivo claro: fazer algo diferente, mostrar que, além do talento, podíamos trabalhar profissionalmente e apresentar ao público um trabalho limpo, belo e que trouxesse interesse pela música produzida em nossa cidade.

E assim foi feito. Compreendíamos que, além das nossas músicas e vozes, precisaríamos de conceito, direção, cenografia, técnica e preocupação máxima na qualidade para apresentar ao público. Cada membro do grupo ficou responsável por um setor específico: Denys Leão cuidaria da iluminação, Genival Nunes da direção artística, Mauricio Botto da direção musical, enquanto eu e Alexi Pinheiro faríamos a direção de produção e divulgação. Eduardo Marques seria o diretor de arte. Além disso, contratamos, à base da amizade, Lineu Lins para a fotografia, Alberto Alcosa para cenário e arte do programa, Rui e a Agência Helius Publicidade para o material de divulgação. Contamos ainda com músicos talentosos como Marcos Passos, Jairo Bala, Paulo Bedeu, Cal Alencar e Dalila, que se integrou rapidamente ao grupo. Jairo e Joel, do grupo Órion, ofereceram consultoria e direção de voz.

Foi assim que comecei minha vida profissional, exigindo muito de mim e de todos ao meu redor, para que cada vez fizéssemos melhor e com mais qualidade. Claro que a vida não segue exatamente o roteiro que imaginamos; ela tem seus rumos e atalhos. O que podemos fazer é mudar de direção e nos adaptar para progredir, sem mudar nosso destino, caráter, identidade e personalidade.

Por isso, quando alguém, interessado em aparecer como defensor da cultura, me chama de birrento e chato, alegando que quero promover  o caos. A única resposta que posso dar a esse cidadão é que ele sim, vive no caos e, na tentativa de sair dele, é conivente com pensamentos e ações de pessoas que não entendem o que é cultura nem gestão pública. Essas pessoas se intitulam grandes realizadores, mas não conseguem, por falta de interesse e paciência, escutar e dialogar com a classe artística. Só sabem usar o artista e sua arte como desculpa ou ornamento para acobertar projetos maiores onde a nossa cultura não está inclusa.

São diversos os mecanismos e promessas nunca cumpridas, ou a eterna esperança de dinheiro que nunca chega aos artistas, que seguem desvalorizados. O maior exemplo disso é a Funcaju, que há anos adia a criação do Conselho Municipal de Cultura representativa e paritária, do Plano Municipal de Cultura (financiado pelo Ministério da Cultura através da UFBA há mais de 10 anos, e nunca finalizado nem prestado contas), além do Fundo e do Sistema Municipal de Cultura.

Não sei por que motivo as diversas gestões da pasta ignoraram essas questões. O que sei é que poucos foram os artistas que cobraram essa obrigação da gestão. A melhor ferramenta que a prefeitura tem para investir na nossa cultura, é a “Lei de Incentivo Fiscal para a Cultura”, chamada Lei “Edvaldo Nogueira”, e está engavetada desde o governo  Marcelo Déda. Após quatro mandatos do meu amigo e colega de escola Edvaldo, a lei continua engavetada, sem mudanças, melhorias, ou colocada em discursão apelos novos e antigos artistas da nossa capital.

Agora, após a aprovação de uma das  propostas na Conferência Nacional, apresentada por mim e outros gestores da cultura do país, que exige que o Ministério da Cultura não libere nenhum investimento enquanto as secretarias de cultura dos estado não forem criadas e os municípios não tiverem seu CPF cultural em lei aprovada pelos conselhos de cultura, câmaras de vereadores e sancionada pelo prefeitos ou governadores.

E com essa necessidade para receber as verbas do Programa Aldir Blanc, a Funcaju  está tentando aprovar tudo a toque de caixa e repique de sino. Deram posse a um conselho escolhido, e na posse, já queriam aprovar o plano e o fundo sem ao menos ter um documento formalizado, sem consulta aos setores da cultura e sem escuta, algo que os setores culturais mais cobram das instituições.

Mentem quando dizem que estão alinhados com o Ministério da Cultura, pois a coordenadora do Ministério afirmou que nunca foi convidada para nenhum momento com a Fundação. Para completar, a cadeira da Academia de Letras de Aracaju (ALA) foi retirada do conselho, devido a um desentendimento entre o ex-presidente da Academia e o atual presidente da Funcaju. Essa é a política eficaz que temos.

A promessa agora são os R$ 9.000.000,00 (Nove Milhões de Reais). Eles dizem: – Se não fizermos assim não receberemos o recurso do Minc. Se essas propostas indecentes forem aceitas e aprovadas, mais uma vez seremos coniventes com atos contra a nossa cultura. Não poderemos reclamar ou cobrar nada e continuaremos vivendo de promessas e migalhas.

Por isso sou chato, por que cobro, sou birrento por não concordar com as atitudes e antipático por colocar meu pensamento e minha verdade . Não quero viver no caos por escolher a arte e a cultura como meio de vida. Prefiro uma cultura digna para o artista e sua arte, uma cultura respeitada com investimentos claros e verdadeiros, com formação e qualificação de todos os envolvidos. Não troco minha consciência por nove milhões, que nem sei, onde serão guardados ou gastos.