Olá gente boa,

Edvaldo e a minha geração!

Nascido em 1960, em Aracaju, faço parte de uma geração que fica ali no meio do caminho entre os Baby Boomers e a Geração X.
Duas turmas que viveram momentos incríveis da história. Os Baby Boomers, que vieram ao mundo entre 1945 e 1963, cresceram no embalo do pós-guerra, numa época cheia de mudanças e desafios. Já a Geração X, da qual me sinto parte, inclui quem nasceu dos anos 60 até os 80. Somos os sortudos que conviveram com outras três gerações – Baby Boomers, Y e Z – e ainda curtimos o melhor de cada uma.

A nossa geração dá inveja a todos, porque a gente viu e ouviu de tudo! John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Elvis Presley, Elis Regina, Mutantes, Raul Seixas, Brigitte Bardot, Freddie Mercury… Assistimos ao tricampeonato do Brasil (e ainda vimos o penta), à queda do Muro de Berlim, e, claro, ao inesquecível Festival de Woodstock. Vimos ícones como Mandela, Martin Luther King e Chico Xavier. Se isso não é privilégio, não sei o que é.

Minha geração foi especial, e Sergipe se deu muito bem com ela. Foi dela que saíram jovens cheios de vontade de mudar o mundo, inspirados por ideias de liberdade, democracia e paz. E olha, não foi só sonho, não: essa turma fez e continua fazendo história.

Na cultura, por exemplo, me sinto cercado de talentos como Joésia Ramos, Paulo Lobo, Lula Ribeiro, Mingo Santana, Chico Queiroga, Amorosa, Doca Furtado, Nino Karvan, Marcos Aurélio, Cris Emmel, Ronaldson, Lindolfo Amaral, Jorge Duccy, Rogério, Jairo Bala, Grupo Orion, Denys Leão, Jane Vieira, Acassia Barreto, Adelson Alves, Clara Angélica, Jorge Lins, Elias Santos, Bene Santana, Alcosa, Saquarema, Irmão, David Leite, Tonho Baixinho, Alcides Melo, Jozailto Lima, Antônio Amaral, Nadja Piauitinga, Fernandinho Montalvão, Eufrásio e por aí vai. E olha que estou só falando de uma área!

Fora isso, tem os amigos que brilharam em outros campos: Celso Marques, Ricardo Múcio, Marcelo Déda, Milson Barreto, Virgínia Barreto, José Anselmo de Oliveira, Susana Azevedo, Garibalde, Cezário Siqueira, Belivaldo Chagas e Edvaldo Nogueira. Falando em Edvaldo…

Nesses últimos meses à frente da Funcaju, venho acompanhando mais de perto esse cabra que conheci lá no Colégio Salesiano, nos anos 70. Ele tinha vindo de Pão de Açúcar, em Alagoas, cheio de histórias. Cursou todo o Científico, do 1º ao 3º ano, e se preparava para o vestibular de Medicina. Disse que tocava bateria — e era verdade! Tocava em bandas de Pão de Açúcar. Apesar disso, nunca conseguimos tocar juntos. Jogava bola direitinho também, aos sábados, no campeonato da “SEDA” (José Alonso dos Santos).

No terceiro ano, dedicou todo o seu tempo aos estudos, como se tivesse apenas uma bala na agulha para passar no vestibular. Depois, começamos a nos encontrar nos movimentos estudantis e nos diretórios da UFS, sempre com aquela energia de quem queria derrubar a ditadura.

Eu cantava e tocava violão; ele discursava e organizava manifestações. Era assim: cada um fazendo sua parte. Mais tarde, ele largou a Medicina e foi para a política, onde fez história, enquanto eu segui na música e na cultura. Não é qualquer um que vira prefeito de Aracaju quatro vezes, ainda mais sendo o primeiro prefeito comunista da capital.

Tem gente que diz que Edvaldo é só um bom gestor, mas não um político. Eu discordo. Para ser prefeito de uma capital quatro vezes, tem que saber muito bem o que está fazendo. E é só dar uma volta pela cidade pra ver o quanto ela mudou. Lugares que eu conhecia de olhos fechados hoje estão irreconhecíveis – no bom sentido! Edvaldo tem seus defeitos, como todo mundo, mas fez uma escolha clara: retribuir à cidade que o acolheu, deixando uma Aracaju feliz, organizada e muito orgulhosa dela mesma. O resto é momento e, como sabemos, momentos são passageiros. No final, o que importa é o legado. E, nesse ponto, ele tá deixando a marca dele.

Ao refletir sobre minha geração, vejo que somos todos vencedores. Tivemos a sorte de viver em uma época única, de testemunhar e participar de transformações incríveis. E, acima de tudo, seguimos aqui, contribuindo com o presente e o futuro da nossa gente. Somos uma geração que fez e faz diferença – em Sergipe, no Brasil e no mundo.