Olá, gente boa,
Hoje acordei com a alma acesa. Lembrei de cada queda, de cada certeza construída no caminho. O mundo gira — e a gente gira junto. Quem planta firme, colhe em algum ponto da estrada. Seguir na luta, mesmo quando o caminho parece fechado, é acreditar que um sonho distante também pode estar logo ali. E quando o medo tentou me testar, foi ele mesmo que me ensinou a andar.
Então, por que ter medo, se ainda estamos aqui? Lutando, buscando os caminhos que escolhemos com verdade, honestidade e transparência. Sem desejar o mal a ninguém, apenas o bem coletivo — porque só assim é possível vencer.
A cada início de ano eu entro com os dois pés e de o corpo inteiro. Nunca contei com a sorte ou com pragas alheias. Faço planos, renovo pensamentos e mantenho os olhos firmes no horizonte. Este ano, sigo com o desejo e a coragem de lançar três livros — Os Nobres do País do Forró, A Ponte Sobre o Tempo e Som da História II — além de um álbum autoral, pela primeira vez sem parcerias. Um passo inteiro dado com a própria voz. É bonito enxergar luz clareando os caminhos por onde a gente ainda vai passar. E sigo acreditando, porque já estive muito mais longe — muitas vezes sem perspectiva, submetido a olhares pequenos, a gestões sem visão, a gente mal-intencionada. Mas seguimos.
A vontade de desistir bateu algumas vezes, sim. Somos humanos, frágeis. Mas lembro do que me trouxe até aqui — e, mais ainda, do quanto ainda tenho a devolver. Uma dívida boa, dessas que se paga com prazer. Uma dívida com a cultura, que habita nossos corpos e nossas almas, que carrega tradição, memória e futuro. Essa senhora sábia que embriaga, cura, provoca e aponta caminhos.
O futuro só se constrói com luta e entendimento. Sozinho, o passo é curto. Por isso, sigo apostando no que está posto. Um governo federal que, aos olhos de todos, recolocou a cultura no centro do projeto de país — com investimento, política pública e respeito. Algo nunca visto antes. Saímos dos escombros para reconstruir com alicerces fortes, capazes de enfrentar qualquer turbulência ou truculência.
Aqui em Sergipe, cada encontro com o governador reforça essa esperança.
Vejo seriedade, palavra dada e vontade de acertar. E sigo apostando — agora mais perto — para que a política cultural esteja definitivamente integrada ao projeto de desenvolvimento do Estado. O Viva-SE é prova disso: o maior projeto cultural já pensado para Sergipe, colocando a cultura como motor do desenvolvimento.
Temos a recriação da Secretaria de Estado da Cultura, o terceiro edital dos Mestres da Cultura Popular — com 15 mestres reconhecidos e amparados com dignidade —, a retomada de equipamentos como o Gonzagão e a nova Pinacoteca, a presença ativa no Fórum Nacional de Cultura com o secretário Valadares Filho representando o Nordeste. Temos a Funcap realizando grandes eventos, articulada com a política de editais e leis federais. Temos as Vilas Culturais movimentando bairros, atraindo moradores, visitantes e fortalecendo a economia local.
Agora é tempo de olhar para dentro, para o nosso pulsar, formar, qualificar, mostrar ao mundo nossos artistas e nossas tradições. Colocar Sergipe, de vez, no mapa da cultura brasileira — seja com o País do Forró, ou a Pátria do Arrocha e sempre com a força criativa que temos de sobra. De Mestrinho a Natanzinho, do popular ao contemporâneo, da musica as artes visuais, temos talento, identidade e potência.
Com equilíbrio, podemos construir uma política cultural que dialogue com o mercado, com a tradição e com a inovação. Valorizar o forró, as artes urbanas, o audiovisual, as artes cênicas, o artesanato, as artes visuais, a literatura. Que lindo ver o nosso “Grafite” pelo mundo. Valorizar quem faz. Aproveitar um momento raro em que o Estado tem saúde financeira, planejamento e investimento — o menor nível de endividamento da história, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, com apenas 4,54%. Isso significa, responsabilidade, compromisso e visão, assim temos mais capacidade de investir em gente, em cultura, em futuro.
Vivemos tempos difíceis, é verdade. Mas é justamente nesses momentos que precisamos nos unir. Mostrar que somos humanos e adultos, que aprendemos com a história e que a cultura sempre foi nosso remédio. Quando a alma adoece, a arte chega e dá um jeito, que o diga a pandemia. Canta, cura, levanta. Porque quem caminha com os dois pés na cultura não se perde, transforma fim em começo.
Porque para quem não desiste, o amanhã sempre nasce do melhor de cada fio.
Feliz Ano Novo.
