Olá, gente boa,
Falar do forró é falar de identidade, de pertencimento, de uma cultura que nasceu no coração do Nordeste e que ganhou o mundo sem nunca perder sua raiz. Recentemente, o forró foi reconhecido pelo Iphan como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, um marco que dá a dimensão da importância dessa manifestação popular. Mas a luta não para por aí: estamos no caminho para que ele também seja reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
Essa caminhada vem de longe. Nos anos 2000, Fabiano Oliveira, então Secretário de Cultura e Turismo de Sergipe, buscava uma nova campanha para nossos festejos juninos. Em uma reunião na agência Conceito, nasceu a ideia do “Sergipe, País do Forró”. E aquilo que parecia apenas uma campanha publicitária virou uma marca definitiva, um projeto de Estado, não apenas de governo. Inspirada no refrão da música “Chamego Só”, de Rogério, a ideia se espalhou por Sergipe inteiro. A Emsetur adotou a marca em todas as suas ações, ela apareceu até em camarote de carnaval na Bahia e se transformou em pacotes turísticos. Sergipe se firmava, de fato, como a terra onde o forró é vivido o ano inteiro.
Agora, em setembro de 2025, o forró cruza o Atlântico para chegar com força à Europa. De 11 a 14, a cidade de Lille, na França, será palco do 1º Festival Internacional do Forró de Raiz, dentro da programação oficial da Temporada Brasil–França 2025. Um evento inédito que vai mostrar, ao coração da Europa, a tradição, a poesia e a energia contagiante do nosso forró.
Entre as atrações confirmadas, nomes que carregam nossa história: Elba Ramalho, ícone da música brasileira; Santanna, o Cantador, guardião da tradição; e, representando Sergipe, o talento do virtuoso sanfoneiro Mestrinho, além da força de Amorosa, cantora que honra a preservação e a valorização das raízes do forró.
A programação vai muito além dos shows: haverá oficinas, rodas de conversa, exibição de filmes, aulas de dança e debates sobre a história e os rumos do forró na contemporaneidade. Tudo isso envolvendo tanto o público francês quanto a comunidade brasileira residente na Europa.
O festival é produzido pela Associação Cultural Balaio Nordeste, com apoio de instituições francesas e a chancela oficial da Temporada Brasil–França 2025. Mais de 300 ações culturais estão previstas no país europeu, mas é o forró que vai carregar no peito a alma nordestina.
E tem mais: em Lille será assinada uma carta-compromisso em defesa do Forró Tradicional, reunindo todos os estados nordestinos e reforçando a candidatura junto à Unesco. É o Nordeste unido para garantir que o forró seja reconhecido como patrimônio da humanidade, assim como já acontece com o samba, o tango e o flamenco.
Com a recriação da Secretaria de Cultura de Sergipe, o governador Fábio Mitidieri convidou o ex-deputado federal Valadares Filho para assumir a pasta. Em pouco tempo, com sua experiência política, Valadares conquistou a vice-presidência do Fórum Nacional de Secretários, representando todo o Nordeste. Assim, começa a cumprir uma das determinações do governador: dar à nossa cultura e à nossa identidade a devida importância no cenário nacional, expandindo de vez o País do Forró para o mundo.
E nesse movimento não podemos esquecer de honrar nossos mestres e artistas que marcaram a história: Josá, o Vaqueiro do Sertão; Edgar do Acordeom; Clemilda; Gerson Filho; Marluce e Zé Rosendo; Erivaldinho; Erivaldo de Carira; Luiz Paulo; Virgínia Fontes; Batista do Acordeom; Luiza Lú; Ararão do Nordeste; Grillo do Forró; Joseane; Ismael; Zé Américo; Rogério; Amorosa; Mestrinho, entre centenas de grandes nomes que carregam no sangue a essência junina.
O forró não é apenas música e dança. É resistência, é memória, é celebração da vida. É o encontro dos sanfoneiros, zabumbeiros e trianguleiros que fazem do compasso simples uma festa infinita. É a identidade de um povo que nunca deixou de acreditar na sua cultura.
Por isso, eu reafirmo: defender o forró é defender nossa história. Que ele seja, sim, Patrimônio da Humanidade, porque já é, há muito tempo, patrimônio do coração de todos nós.
