Olá, gente boa!
Ontem, dia 02 de setembro, participei do Seminário Gestão de Espaços Culturais para falar de um tema que me é muito caro: Por que investir na cultura de Sergipe?
E aqui deixo registrado o que compartilhei naquele momento.
Uma história pessoal
Quero começar lembrando um episódio da minha vida.
Desde que iniciei minha caminhada na cultura, através da música, convivi com a desvalorização das minhas escolhas.
Dentro de casa, muitos não entendiam. Na sociedade, o artista era visto como um “bom vivan”.
Para alguns, até como um vagabundo que não queria trabalhar.
Lembro bem: perguntavam ao meu pai – “Seu filho trabalha em quê?”
E ele respondia: “Não quer nada com a vida, só quer tocar violão.”
Anos depois, a cena se inverteu.
Meu pai foi comprar um carro numa concessionária, entregou os documentos e a atendente perguntou: “O senhor é o pai do cantor?”
Esse episódio resume bem a minha luta: são 44 anos dedicados à arte e à cultura.
Uma vida de reconhecimento muitas vezes tardio, de pouco investimento e muito desprezo. Mas também uma vida de resistência e resiliência. De acreditar que a cultura é o que dá identidade, memória e alma ao nosso povo.
O cenário da cultura
Ao longo dessas décadas, vimos governos construírem equipamentos – teatros, museus – e tentarem formular políticas culturais, quase sempre de forma pontual, sem continuidade.
Hoje, porém, vivemos um novo momento no Brasil. O Governo Federal recolocou a cultura como prioridade, disponibilizou recursos, fortaleceu a economia criativa e aprovou o Marco Legal da Cultura, garantindo à área o tratamento digno que sempre mereceu.
Isso nos permite, em Sergipe e no Brasil, dar um salto.
Porque investir em cultura não é gasto.
É investimento.
É desenvolvimento.
É emprego, renda, autoestima e cidadania.
Um estudo recente mostrou que cada real investido pela Lei Paulo Gustavo gerou em média R$ 6,51 de retorno na economia. Mais que o dólar! Ou seja, cultura também é negócio, é sustentabilidade, é futuro.
E se há um estado com motivos de sobra para investir na sua cultura, esse estado é Sergipe.
- São mais de 170 grupos folclóricos.
- Temos cidades reconhecidas como patrimônio nacional e até da humanidade.
- Produzimos pensadores que ajudaram a formar o Brasil: Tobias Barreto, Sílvio Romero, Manuel Bonfim, João Ribeiro, Zizinha Guimarães, João Sapateiro, Santo Souza, Núbia Marques, Luiz Antônio Barreto, José Calazans Brandão da Silva.
Nas artes: de Horácio Hora, Jenner Augusto, Jordão de Oliveira, Joubert e Hortência ao grafite criativo de Korea, Fake, Dexte, Anne, Hot Blak e a Nação que já circula pelo mundo.
No teatro: João Costa, Hunald Alencar, Jorge Lins, Denys Leão, Izabel Santos, Lindolfo, Augusto, além da força de grupos como Imbuaça, Boca de Cena e Mamulengo do Cheiroso.
Na música: de Luiz Americano, Carnera, José Augusto ao virtuosismo de Mestrinho.
No audiovisual: Orlando Vieira, Djaldino Mota, Ivan Valença, Ilma Fontes e jovens como Lu Silva, que já colocam Sergipe no radar nacional.
“Na dança radiante de Lú Spinelly e Dorinha Teixeira, Yracema e Moema, nos passos marcantes de Cleanis, Nelson, Hamilton, Cecília, Elzinha, Natalia, Everaldo e Gladston, e no encanto fascinante da Cia. LoucurArte.”
No artesanato: da renda irlandesa de Gilda ao barro e à madeira de Véio, Demar, Beto Pesão e Dona Judite.
E nossas tradições?
Do Barco de Fogo de Estância aos Bacamartes de Aguda.
Do passo sincopado do São Gonçalo ao rodar dos Parafusos.
Da luta dos Lambe-Sujos e Caboclinhos à alegria do Cacumbi.
Da devoção nos terreiros à força do catolicismo popular.
Do sincretismo da coroação da Rainha do Nagô na Igreja de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, às procissões de Divina Pastora, Nosso Senhor dos Passos e Santa Dulce.
De norte a sul, o que temos é riqueza.
Do Pantanal de Pacatuba à Praça São Francisco em São Cristóvão.
Do empreendedorismo de Itabaiana às ruas de pedra de Laranjeiras.
Da força do vaqueiro de Simão Dias às mãos que moldam o barro em Santana do São Francisco.
A cultura pulsa.
E é ela que dá identidade a Sergipe.
O Viva-SE
É nesse contexto que surge uma luz: o Viva-SE, programa estruturante do Governo de Sergipe, com investimento de R$ 180 milhões.
Um compromisso com o que já temos de consolidado e com o que ainda vamos criar.
O Viva-SE vai democratizar o acesso à cultura, descentralizar ações, valorizar tradições populares, artistas locais e a economia criativa.
Esse programa nasce de uma convicção do Governador, que compartilho plenamente:
“Sergipe só será completo quando a cultura for tratada como protagonista do desenvolvimento social e econômico.”
Um chamado à ação
E eu pergunto: Quantos motivos ainda precisamos para investir em cultura?
Eles estão nos nossos arraiais juninos, nas quadrilhas, na canjica e no quentão.
No xote, no xaxado e no baião.
No mastro de Capela, na Rua de São João.
Na fé, na memória, na criatividade e na resistência do nosso povo.
Por isso, precisamos garantir alguns compromissos:
- Transparência – cada real investido deve ser acompanhado e chegar de fato aos artistas e comunidades.
- Descentralização – a cultura não pode ficar só em Aracaju; precisa circular por todo o estado. No Ciclo 1 da Aldir Blanc, já alcançamos mais de 60% dos projetos no interior.
- Formação e qualificação – artistas, produtores e gestores preparados para sustentar projetos e ampliar resultados.
- Valorização dos mestres e mestras da cultura popular – demos o primeiro passo com a Lei dos Mestres, nossa memória viva.
- Planejamento e continuidade – não projetos de governo, mas políticas permanentes de Estado.
Estamos prontos.
Estamos ansiosos.
E estamos dizendo em alto e bom som:
Invista na cultura de Sergipe. Porque investir em cultura é investir no futuro do nosso povo.
Sergipe tem tudo.
Só falta você!
Obrigado!
